Tradicional Restaurante do Filó fecha em Votuporanga

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Reprodução/Rede Social

Após 21 anos de serviços prestados na cidade, família responsável pelo estabelecimento anunciou que encerrou suas atividades e deseja vender o empreendimento.


Na última terça-feira (23), o tradicional Restaurante do Filó, localizado na Avenida Vale do Sol, em Votuporanga/SP, anunciou o fechamento do estabelecimento após 21 anos na cidade.

Em entrevista ao Diário de Votuporanga, Luana Filó, filha do proprietário do restaurante Valcir Filó, contou que a crise causada na pandemia do novo coronavírus influenciou na decisão da família e explicou: “O que pesou não foi nem as vendas, relativamente boas, dada a situação. Lógico, que nada comparado ao faturamento do atendimento presencial. O que pesou muito na decisão foi o emocional”.

Apontado como fator preponderante para o fechamento, Luana comentou sobre o que classificou como “tortura emocional” e revelou o desgaste enfrentado: “É indescritível o desgaste e tortura emocional quando você, enquanto comerciante, não pode servir seu cliente, mesmo cumprindo todos os protocolos de distanciamento e segurança exigidos, precisa vê-lo comer na calçada, lá fora, mesmo tendo estrutura para atendê-lo com segurança”. 

Em seguida, a comerciante apontou as restrições impostas pelos governos estadual e municipal no enfrentamento à Covid-19: “Devido, às restrições seletivas impostas por decretos que inviabilizam totalmente nossa operação, que prejudicam principalmente as pequenas empresas e as pessoas mais necessitadas e por isso, optamos por suspender nossas atividades”. 

Contudo, fez questão de salientar que durante todo o período de pandemia, tomaram medidas de prevenção ao coronavírus: “O vírus existe e mata. O sistema de saúde está sim sobrecarregado. Mas, é necessário coerência, principalmente das autoridades municipais e estaduais. Todos os trabalhos e pessoas são essenciais. Aqui é um massacre, de pessoas e empresas. Estão escolhendo quem ou quais empresas deixar morrer. Medidas de restrições são necessárias, assim como uso de máscara e higienização, prova disso é que sempre adotamos essas medidas e outras ainda mais rigorosas, mas tem que haver bom senso, não favorecimento de alguns ao detrimento de outros”, explicou Luana. 

Já ao final, a comerciante relembrou e se emocionou ao falar sobre a tradição familiar com quase meio século na área de eventos e restaurantes: “É aqui que recebíamos nossos amigos, já que clientes acabavam se tornando amigos, era como recebê-los em nossa casa. Esse estabelecimento se tornou uma extensão de nossa família. Agora, a decisão de meus pais é de se aposentar em definitivo e vender a empresa, já que a sucessão familiar ficou prejudicada… Encerramos as atividades com a nossa família, mas é uma oportunidade para alguma outra família que tenha vontade de trabalhar e traçar mais uma trajetória de sucesso”.