Os cachorros, com cerca de 8 meses de idade, estavam em um setor próximo ao muro, separados dos demais; eles foram encontrados mortos e espumando pela boca.
Jorge Honorio
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A conhecida protetora da causa animal, Sandra Valéria Curti, que comanda o Abrigo dos Focinhos, lar para cerca de 200 cachorros, incluindo cadelas recém-paridas, veio à público denunciar a morte de três cães, possivelmente por envenenamento.
Ao Diário, a protetora, visivelmente triste, lamentou a perda dos animais, com cerca de 8 meses de idade, que estavam em um setor do abrigo, próximo ao muro, separados dos demais: “A frente é toda fechada, tem vizinhos que moram ali, assim como nos fundos. O único lugar que não tem vizinho é na lateral, é uma chácara, mas que não fica ninguém. O muro é mais baixo, e ali estavam seis cães adultos e esses três filhotes, grandes, gordões. E os cachorros adultos eles têm comida à vontade, então eles não pegam nada, e devem ter ficado desesperados, porque esse ataque foi entre 19h30 e 20h, foi a hora que eu entrei para casa, antes estava lavando tudo e alimentando eles. Estava tudo bem, eles estavam brincando, correndo”, contou.
“A chácara tem 3 mil metros, é difícil a gente olhar cada latido. Às vezes, passa moto lá na frente e com o barulho eles latem. E assim, quando são cachorros adultos eles comem e não pegam mais nada, já para os filhotões parece que o mundo vai acabar em comida. Foi muito rápido, foi fulminante, não deixou rastro de nada. Quando eu cheguei lá, umas 21h45 para ver se estava tudo bem e apagar as luzes, eles já estavam mortos, espumando pela boca, não deu tempo de fazer nada. Justamente os três irmãos que ficavam em uma casinha grande próximo ao muro. Não pode ter sido outra coisa, se fosse cobra não mataria os três”, emendou a protetora.
Questionada sobre o possível registro policial, Sandra Valéria Curti afirmou que não procurou as autoridades, relembrando um episódio enfrentado no último ano, onde teve o abrigo invadido durante o cumprimento de um mandado para “reintegrar” um cachorro: “No ano passado mandaram a polícia estourar meu abrigo e invadir aqui. Em dez policiais, um delegado e quatro viaturas paradas na frente da minha chácara, mataram dois cachorros meus. E outra, foi para buscar um cachorrinho que não pesava 3 kg. A suposta invasão foi para pegar um cachorrinho que eu tinha tirado da rua, fazia um ano e meio, o cachorrinho estava na rua, estava doente, estava com infecção, não conseguia nem comer, teve que fazer cirurgia na boquinha porque ele tinha tanto tártaro, que estava com infecção no sangue. Fez cirurgia, castrei o cachorrinho, recuperei o cachorrinho. Depois de quatro meses que o cachorrinho estava comigo, fizeram um B.O. Esse dono já tinha vindo conversar comigo, eu falei que o cachorro estava puro carrapato, estava na chuva. Eu já tinha avisado ele que eu não ia devolver e que eu ia fazer um B.O. contra ele e ele ia responder por maus-tratos. Aí ele me deixou em paz.”
“Depois que lancei minha candidatura a vereadora, fizeram um B.O. contra mim. Eu fiquei sabendo depois, por estelionato. Aí entrou como segredo de justiça, porque entrou pela vara criminal, que eu nem fiquei sabendo. Então, eu só fiquei sabendo quando eu fui notificada que tinha uma audiência de estelionato e a advogada entrou recorrendo isso daí, explicando que não era estelionato, era um cachorrinho que estava comigo e que não tinha nada a ver com estelionato. Depois continuou tramitando na Justiça, eu falava que não ia devolver, o B.O que eu tinha feito, sumiu. O laudo de maus-tratos que eu anexei no B.O na delegacia, sumiu. E aí eu tive que levar um novo laudo de maus-tratos. Aí, chegaram aqui numa sexta-feira de manhã, eu tinha feito uma infiltração no joelho, que é um processo doloroso, porque eu tenho artrose nos dois joelhos, e estava de repouso. Quando sai do banho, tinha uns seis ou sete policiais armados na minha sala. Dizem que me chamaram, mas estava tomando banho, não ouvi, então estouraram o portão, a maioria dos cachorros escaparam no desespero, dois morreram”, relembra com pesar.
“Me disseram que a juíza mandou eu entregar o cachorrinho. Não precisava de nada disso, bastava um telefonema. Se tivessem me ligado, eu teria levado ele em Votuporanga e entregue. Mas não era só essa a intenção, não queriam só o cachorrinho, era calar a minha boca. Me arrastaram quase que seminua até lá fora, 10 policiais e um delegado para buscar um cachorrinho. Acredite quem quiser, uma coisa constrangedora. Isso foi algo para calar a minha boca, fiquei traumatizada, em estado de choque por cerca de dois meses.”
Sandra Valéria Curti afirmou que agora trabalha para colocar câmeras de monitoramento e sensores de iluminação nas imediações do abrigo, visando combater novos ataques, novas mortes: “Isso foi muito triste, faz 10 anos que vivo aqui e nunca perdi nenhum cachorrinho assim. Na frente da minha casa mora um policial aposentado, do lado aqui mora outro, é muito pacato. Nunca tivemos envenenamentos aqui, isso não foi uma fatalidade, foi premeditado, se aproveitaram do lado mais baixo do muro, mas não vou recuar, vou seguir minha missão de proteger os animais, mesmo diante de atitudes covardes como essa. Minha causa é digna, é legítima e eu sei, vão continuar tentando me parar, mas seguirei por eles”, concluiu a protetora.





