É MAIS FACIL PERGUNTAR OU RESPONDER?
É mais fácil perguntar ou responder? Depende, né? Quando dominamos um assunto, responder né. Quando não sabemos, perguntar é demonstração de sabedoria. Ninguém sabe tudo, embora alguns se comportem como enciclopédias ambulantes.
Mas quero propor algo diferente: que a gente pergunte e responda com mais frequência a nós mesmos, principalmente antes de tomar uma decisão. E três perguntas são fundamentais: Quero? Posso? Devo?
Às vezes, queremos, mas não podemos. Quando podemos, nem sempre devemos. E existem coisas que devemos fazer, mas que preferimos nem ouvir falar! Convenhamos, seria bem menos complicada a vida se respondêssemos com sinceridade a essas três perguntas antes de agir.
Essa é uma lição antiga sobre a verdadeira liberdade. Ser livre não significa fazer tudo o que dá vontade, mas escolher aquilo que realmente vale a pena. Afinal, vontade não é ordem, oportunidade não é autorização e possibilidade não é sinônimo de acerto.
Antes de responder ao mundo, experimente responder a si mesmo. Talvez você descubra que a pergunta mais difícil não seja o que os outros esperam de você, mas o que sua consciência está tentando lhe dizer.
“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém.” (1 Coríntios 6,12)
MATE EM LEGÍTIMA DEFESA
Mate seus maus sentimentos em legítima defesa! Essa é uma batalha que acontece dentro de nós.
Temos inimigos disfarçados de inveja, orgulho e ressentimento, que agem roubando a paz, o ânimo, a capacidade de confiar.
O pior é que, às vezes, alimentamos esses sentimentos como quem cuida de uma planta, regando diariamente. Relembramos a ofensa, repetimos mentalmente a conversa, ensaiamos respostas que nunca demos. O outro segue a vida, enquanto nós continuamos presos ao episódio.
Então, reaja! Mate a mágoa antes que ela mate sua alegria. Mate o orgulho antes que ele destrua uma reconciliação possível.
Perdoar não significa aprovar o mal, esquecer tudo ou aceitar novos abusos. Significa não permitir que a maldade alheia continue governando sua vida. Às vezes, a maior vitória não é derrotar alguém, mas libertar-se daquilo que essa pessoa deixou dentro de você.
“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12,21)
GUARDO OU DISTRIBUO?
Imagine alguém que passou fome na infância e, depois de adulto, conquistou uma vida estável, com a despensa cheia. Diante dessa realidade, duas atitudes são possíveis.
A primeira: “Passei tanta fome! Sei como é terrível não ter o que comer. Por isso, vou guardar tudo o que puder. Vai que um dia falte novamente!”. A segunda: “Passei tanta fome e conheço essa dor. Agora que tenho condições, quero ajudar quem ainda não tem o necessário”.
A mesma experiência pode produzir medo de perder ou disposição para repartir, o sofrimento nos tornou mais fechados ou mais sensíveis à dor dos outros?
E isso não vale apenas para a fome. Vale para as carências afetivas, a falta de atenção, a insegurança e ausências que marcaram nossa infância.
O problema é que algumas faltas não se resolvem acumulando coisas. Talvez a cura comece quando transformamos nossas feridas em compreensão e nossas conquistas em oportunidades de ajudar.
Não podemos mudar tudo o que nos faltou, mas podemos decidir o que faremos com aquilo que hoje temos. Afinal, você pretende guardar tudo por medo de faltar ou repartir um pouco porque sabe o que é precisar?
“Há maior felicidade em dar do que em receber.” (Atos dos Apóstolos 20,35)
QUEM SUA MENTIRA ANDA AGRADANDO, HEIN?
Jesus nem sempre oferecia às pessoas aquilo que elas desejavam ouvir. Ele acolhia suas necessidades, ensinava a verdade e, convidava à mudança.
Nós, porém, parecemos empenhados em ser exatamente aquilo que o outro espera. Queremos corresponder às expectativas, conquistar aprovação e evitar qualquer desconforto. Para isso, às vezes abandonamos nossos princípios e dizemos o que a pessoa deseja ouvir, mesmo sabendo que não é verdade.
Há uma música cujo refrão brinca com a ideia de mentir para deixar alguém contente. O tom pode ser bem-humorado, mas a situação merece reflexão: quantas vezes mentimos acreditando que estamos ajudando alguém?
A mentira pode até produzir um sorriso imediato, mas cobra seu preço quando a realidade aparece. A verdade, por sua vez, não precisa ser uma arma. É possível ser sincero sem humilhar, corrigir sem ferir deliberadamente e discordar sem transformar o outro em inimigo.
Jesus foi firme ao falar da mentira, e suas palavras continuam provocando nossa consciência. Afinal, não basta perguntar se estamos mentindo. Precisamos descobrir por que é a serviço de quem.
Quem sua mentira anda agradando, hein? Os outros, você mesmo ou aquela imagem perfeita que tenta vender ao mundo?
“A verdade vos libertará.” (João 8,32)
SORRIA, MISSÃO CUMPRIDA
Quando você nasceu, todos sorriam enquanto você chorava. Viva de modo que, quando partir, todos chorem, mas você sorria. A frase é conhecida, e guarda uma pergunta que merece ser feita: que história estamos escrevendo com o tempo que nos foi dado?
Ninguém deseja chegar ao fim da vida carregando apenas uma coleção de bens, títulos e aplausos. Tudo isso pode ter seu valor, mas não substitui o carinho de quem foi amado, a gratidão de quem recebeu ajuda e a lembrança de quem encontrou em nós uma razão para continuar.
O verdadeiro sorriso do fim não nasce de uma caminhada sem dificuldades. Nasce da certeza de que, apesar dos tropeços, valeu a pena. De que a fé não ficou apenas nas palavras, mas apareceu nos gestos. De que alguém sofreu menos porque estivemos por perto.
Corremos tanto para chegar a algum lugar que nem percebemos quem ficou pelo caminho.
Não precisamos ser extraordinários, nem acertar sempre. Precisamos reconhecer os erros, reparar o que for possível e fazer o bem enquanto há tempo.
Quando a cortina desta vida se fechar, que possamos olhar para trás com serenidade, conscientes de nossas limitações, mas também das sementes que plantamos. E então sorrir como quem volta para casa depois de uma longa jornada, com o coração em paz e a certeza de que fez o melhor que podia.
“Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé.” (2 Timóteo 4,7)
Por: Carlinhos Marques
Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”
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