SOBRIEDADE JÁ

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

A INCLUSÃO QUE TRANSFORMA

Acolher alguém significa concordar com tudo o que essa pessoa faz? Não né.

Principalmente em épocas de eleição, ouvimos muito a palavra inclusão. Precisamos incluir os diferentes, os pobres, as pessoas com limitações. E precisamos mesmo! Mas acolher não significa necessariamente dizer: venha conosco, você está certo!

Jesus foi o maior exemplo de inclusão, mas seu amor nunca foi um convite à acomodação.

Zaqueu foi acolhido, mas não continuou o mesmo: decidiu devolver o que havia roubado. A mulher adúltera encontrou misericórdia, mas também ouviu: “Vai e não peques mais”. Paulo encontrou Cristo e deixou de perseguir cristãos para anunciar o Evangelho.

O verdadeiro acolhimento não exige perfeição para abrir a porta, mas oferece amor para que a transformação aconteça.

Infelizmente, às vezes queremos adaptar Deus às nossas conveniências. Criamos um deus à nossa imagem e semelhança, esquecendo que fomos criados à imagem e semelhança Dele.

Jesus não nos acolhe porque já somos santos, mas porque seu amor pode nos santificar.

A Igreja precisa ter portas abertas e caminhos de conversão. Afinal, o amor que acolhe também é o amor que transforma.

“Vai e não peques mais.” (João 8,11)

QUANDO FICAR DÓI MAIS QUE SAIR

Você já pensou que a dor de permanecer pode ser maior que a dor de partir?

Temos medo das despedidas, de abandonar lugares, pessoas e situações. Então insistimos, damos mais uma chance, depois outra… Até que aquilo que chamávamos de esperança começa a parecer uma prisão.

Muitas pessoas permanecem em situações que as machucam porque temem o sofrimento da separação. Esquecem que ficar também dói.

Na recuperação da dependência química, isso aparece claramente. A pessoa sabe que precisa abandonar determinados ambientes, comportamentos e antigas companhias, mas pergunta: “E se eu não conseguir?”

Talvez a pergunta mais importante seja: “E se eu continuar assim?”

Nem toda porta que se fecha representa uma perda. Algumas precisam ser fechadas justamente para impedir que o mal continue entrando.

É preciso discernimento para perceber quando Deus nos convida a perseverar e quando nos chama a partir.

Não confunda fidelidade com permanência existem situações que destroem sua dignidade.

Às vezes, a coragem não está em suportar mais um dia, mas em dar o primeiro passo para uma vida nova.

Sair pode doer por algum tempo. Permanecer pode significar nunca permitir que a ferida cicatrize.

“Eis que faço novas todas as coisas.” (Apocalipse 21,5)

NÃO GUARDE O MELHOR

Outro dia, fui visitar uma senhora que me serviu um café e contou: “Carlinhos, ganhei este jogo de xícaras da minha irmã quando me casei. Só uso quando recebo visitas.”

Pelas minhas contas, aquelas xícaras já tinham uns trinta anos. Quase uma relíquia! Fiquei imaginando quantos cafés aquela senhora deixou de tomar nas melhores xícaras da própria casa.

É curioso como aprendemos a reservar o melhor para os outros: a louça bonita, a toalha especial, a roupa nova e, às vezes, até os nossos melhores sentimentos.

Esquecemos que também somos moradores importantes da nossa própria vida!

Jesus nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos. Portanto, cuidar de si não é egoísmo, é reconhecer a própria dignidade.

Não espere uma ocasião especial para desfrutar das pequenas alegrias que Deus lhe oferece diariamente.

Use a melhor xícara, vista aquela roupa, prepare um café especial e celebre sua existência.

Afinal, a vida não é um armário onde guardamos felicidades para visitas que talvez nunca cheguem.

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22,39)

VOCÊ NÃO ACREDITA OU TEM DÚVIDAS?

Você se considera uma pessoa medrosa?

Se respondeu que sente medo, não se preocupe. O medo faz parte da condição humana. Aliás, coragem não é ausência de medo, mas a decisão de não permitir que ele governe nossas escolhas.

Ninguém precisa de coragem para enfrentar aquilo que não teme!

Com a fé acontece algo semelhante. Muitas vezes, imaginamos que acreditar significa nunca duvidar. Mas a dúvida sincera pode ser o caminho para aprofundar nossas convicções.

Se tudo fosse visível, palpável e demonstrável, não precisaríamos confiar. A fé nos convida a caminhar mesmo quando não enxergamos toda a estrada.

Lembre-se de Tomé. Ele duvidou, questionou, quis tocar as feridas de Jesus. Cristo não o abandonou por causa disso. Foi ao seu encontro.

Portanto, não tenha vergonha das suas perguntas. Tenha cuidado apenas para não transformar a dúvida numa desculpa para nunca procurar respostas.

A fé amadurece quando buscamos conhecer a Palavra de Deus, refletimos e aprendemos a confiar.

Deus não nos pede que abandonemos a inteligência na porta da igreja.

Afinal, uma fé que nunca se questiona corre o risco de nunca amadurecer.

“Creio! Ajuda a minha falta de fé!” (Marcos 9,24)

A CRENÇA PODE SER MANIPULADA, A SABEDORIA NÃO.

Se Deus lhe oferecesse a oportunidade de pedir qualquer coisa, o que você pediria?

Salomão recebeu essa oportunidade. Poderia escolher riquezas, vida longa ou a derrota dos inimigos. Entretanto, surpreendeu ao pedir sabedoria para governar seu povo.

E você? Pediria sabedoria ou aproveitaria para quitar todos os boletos?

Vivemos cercados de informações, opiniões e certezas. Muita gente acredita em tudo, desde que a mensagem venha acompanhada de uma voz convincente e uma bela apresentação.

Mas acreditar não é a mesma coisa que conhecer.

Uma crença sem reflexão pode ser facilmente manipulada. O conhecimento, acompanhado de discernimento e humildade, ajuda a reconhecer enganos, embora ninguém esteja completamente imune a eles.

A dúvida sincera não é inimiga da fé. Mas o primeiro passo na busca verdadeira pela sabedoria.

Salomão compreendeu que possuir muitas coisas não significa saber conduzir a própria vida.

Costumo lembrar uma frase: o inteligente aprende com seus próprios erros; o sábio consegue aprender com os erros dos outros.

Portanto, antes de repetir qualquer afirmação, procure compreender. Antes de julgar, escute. Antes de decidir, reflita.

A sabedoria não consiste em saber tudo, mas em nunca perder a disposição de aprender.

“Dá, pois, ao teu servo um coração inteligente.” (1 Reis 3,9)

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”

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