Prefeitura exonera educadora que dava clonazepan para crianças

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Na foto de Renata Okumura e publicada no jornal O Estado de S.Paulo em maio de 2019, a educadora infantil Keli Antoniolo, de 35 anos, mãe da criança.

 

Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) Valter Peresi, em Votuporanga, no interior de São Paulo Foto: FERDINANDO RAMOS/ ESTADÃO

Publicado nesta terça-feira no Diário Oficial Eletrônico do Município a exoneração da servidora municipal A. G. B. – Educadora Infantil -, lotada no CEMEI Valter Peresi. O caso, que foi alvo de um Processo de Sindicância Administrativo Disciplinar pela Corregedoria da Procuradoria Geral do Município, apontava que na Creche Municipal Valter Peresi, crianças eram dopadas com o medicamento clonazepan.  O caso teve repercussão nacional, sendo divulgado inclusive em grandes canais de televisão.

Na publicação desta terça-feira do Diário Oficial do Município consta que “Através de toda a prova produzida notadamente as oitivas das testemunhas, depoimento pessoal da processada, documentação acostada ao processo, restou comprovada e cometimento de falta funcional de natureza grave”, culminando com a exoneração da servidora municipal.

O caso

Na época, por meio de um boletim de ocorrência registrado por uma mãe, constava que seu filho estava na Creche Valter Peresi, havia desmaiado e levado a um Hospital. No BO a mãe denunciou que seu filho poderia estar sendo submetido a algum medicamento na escola. Após investigações, a Polícia Civil constatou que a criança estava sob efeito do medicamento clonazepan. Posteriormente ficou constatado que mais 5 crianças  tiveram as mesmas reações, mas que apenas aquela passou mal.

Na criança que desmaiou na escola foi realizado um exame toxicológico que identificou uma substância tranquilizante. O exame comprovou a ingestão de clonazepam, um medicamento que só pode ser usado em crianças com orientação e acompanhamento médico.

A criança, filha de Keli Nascimento Antoniolo foi quem fez o exame. Segundo a mãe, ela já havia sido internada várias vezes na Santa Casa da Votuporanga, uma delas em outubro do ano passado (2018), quando tinha 11 meses.

Nesta ocasião, ela foi internada depois de sair desacordada da creche municipal Valter Peresi. “A escola ligava e eu e meu marido íamos buscar, ele estava abatido, olhar longe, vomitando, às vezes ele desmaiava. De desmaio foram três ou quatro vezes, mas de ligar para a gente ir buscar era direto”, afirma Keli, que é educadora infantil.

Segundo a mãe, da última vez que ele foi levado para a Santa Casa foram três dias internado. A mãe procurou a Secretaria de Educação para fazer um relatório de queixa.

Nele, a diretora da escola acrescentou que, segundo as educadoras que cuidam das crianças, o bebê chegou “bem na escola, alegre, brincando e se alimentou bem no início da manhã”.

No mesmo relatório diz que, durante a tarde, as educadoras perceberam que a criança estava com aspecto mole, de sonolência. O bebê começou a vomitar e desmaiou. A família procurou a polícia e o bebê passou por um exame toxicológico.

“Para a nossa angústia e desespero, deu positivo, deu no organismo dele que encontraram clonazepam. Estavam dopando o nosso filhinho na creche”, afirma a mãe.

O laudo da época realizado no Instituto Médico Legal (IML) apontou, tanto no exame de sangue quanto no de urina, a presença de clonazepam.

O que disse a prefeitura na época da denúncia

A Prefeitura de Votuporanga afirmava que nenhum medicamento era administrado nas escolas municipais para as crianças, com exceção daquelas que possuem receita médica e os pais mandam medicação e as instruções, como o horário e a dosagem do remédio.

Em relação à denúncia, a prefeitura disse que a Secretaria de Educação foi procurada pelos pais de uma criança no final do ano passado e não por várias, como traz o boletim de ocorrência.