Polícia pede imagens na Câmara para processo de Jorge Seba contra Cabo Renato Abdala 

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Polícia pede imagens na Câmara para processo de Jorge Seba contra Cabo Renato Abdala – Foto: Reprodução

O material deve ser anexado no processo por difamação movido pelo prefeito de Votuporanga contra o vereador, após falas do parlamentar alegarem suposto envolvimento do chefe do Executivo com um dos investigados no caso Banco Master.


Jorge Honorio
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A Polícia Civil de Votuporanga pediu, na última terça-feira (3.mar), imagens de duas sessões ordinárias da Câmara Municipal para inserir no processo por difamação movido pelo prefeito Jorge Seba (PSD) contra o vereador Cabo Renato Abdala (PRD).

No documento, a qual o Diário teve acesso, a autoridade policial requereu à Casa de Leis que disponibilize cópias integrais dos arquivos referentes à 1ª sessão ordinária, de 26 de janeiro, e da 2ª sessão ordinária, realizada no dia 2 de fevereiro. O despacho foi atendido pelo presidente da Câmara, vereador Daniel David (MDB), nesta sexta-feira (6).

O processo do chefe do Executivo contra o vereador foi anunciado em coletiva de imprensa, no dia 2 de fevereiro, após falas de Cabo Renato Abdala citarem documentos que, supostamente, provam o envolvimento de Jorge Seba com João Carlos Falbo Mansur – um dos investigados na Operação Compliance Zero da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.

Na oportunidade, Jorge Seba relembrou um imbróglio envolvendo os dois, que resultou em condenação na Justiça, por difamação, em meados de 2020, do hoje vereador Cabo Renato Abdala: “Estamos tratando de alguém que já teve uma condenação na Justiça por ter feito difamações contra minha pessoa. São situações que eu não desejo para ninguém, mas esse vereador insiste em atacar no pessoal. Não encontrou nada, como não vai encontrar, e agora vai ter que provar novamente e não vai conseguir.” 

“Em nome da minha honra, do meu passado, venho à público dizer que não tenho nada com isso. Nem sei o que é essa questão do Banco Master. É uma atribuição que agora ele vai ter que provar”, emendou Jorge Seba.

Ainda durante a coletiva, o prefeito lamentou o episódio: “Infelizmente, a gente deveria estar discutindo uma coisa boa para a administração pública. Mas infelizmente ele insiste em levar o caso para o lado pessoal. Na passagem ele lembra o nome do meu filho [José Arthur Seba, o “Thui”], então acho que não precisava. Uma tragédia familiar que a gente viveu, não precisava lembrar isso. Se ele quer me ofender pessoalmente, até me ofenda, se é da índole dele. Se ele quiser levantar falsas testemunhas ou falsas situações, até suporto, mas não da minha família. Todos me conhecem, todos conhecem o meu passado e vão saber que vou entregar essa cidade muito melhor do que nós recebemos”, afirmou.

O caso envolvendo o filho do chefe do Executivo, trata-se do assassinato a tiros do advogado José Arthur Vanzella Seba, o “Thui”, aos 32 anos, ocorrido na zona norte de São José do Rio Preto/SP, em julho de 2017.

Durante a 2ª sessão ordinária da Câmara, na tribuna da Casa de Leis, o vereador leu “documentos da Jucespe que indicam a Via House empreendimentos Ltda, CNPJ 20.050958/0001-2, constituída em 09/04/14, pelo prefeito Jorge Seba e seu filho falecido. Ela foi transformada na Nire 35300495713, Via House Empreendimento Sociedade Anônima em 26/09/2016. Ata da sessão, 19/09/17. O capital da sede foi alterado para R$ 15,350 milhões. Os trabalhos foram presididos pelo Sr. João Carlos Falbo Mansur, o investigado, representante da Reag Investimentos, investigado na Operação Carbono Oculto, na Operação Compliance, relacionado ao Banco Master. Investigado por possível lavagem de dinheiro do PCC. Na sequência, aparece aqui na ata, número do documento 424.982/17-1, destituição/renúncia de Jorge Seba, com término do mandato para 31/8/18, ou seja, posterior. Aqui, quem quiser acessar, digita no Google Jucesp, a senha da Nota Fiscal Paulista ou GOV, você pesquisa lá os nomes aqui e ta lá pra todo mundo ver. Não acuso o prefeito de fazer parte do esquema do Banco Master, mas eu afirmo que tem documentos da Jucesp que mostram que o prefeito fez transação comercial com um investigado por lavagem de dinheiro para o PCC, envolvido com esse monte de figurão aí, que vocês estão vendo. E a Justiça cabe a Deus, porque a do homem a gente não acredita mais, porque não sabe quem tá envolvido.”

Em entrevista ao Diário, Cabo Renato Abdala voltou a negar qualquer tipo de perseguição a família do prefeito: “Na última sessão, eu citei que o prefeito Jorge Seba fazia a composição da Via House Ltda, junto com o filho dele, transformou em Via House S.A., recebeu um aporte de R$ 5 milhões. Aí, na sequência, na próxima sessão, nessa segunda composição, aparece o João Carlos Falbo Mansur, que presidiu a sessão, colocando mais um aporte de R$ 10 milhões, atualizando o valor da empresa, do CNPJ, Via House. E aí, destituiu o prefeito Jorge Seba, que na época, então, era secretário, é por isso que eu toco nesse assunto, porque ele era secretário municipal. Então ele era servidor público e a gente tem, não é uma questão pessoal, a gente tem obrigação de estar investigando, de estar apurando isso aí. E aí, esse João Carlos Falbo Mansur é citado lá na CPI da Previ Palmas, que sumiu aproximadamente R$ 30 milhões da Previdência do Servidor Público lá de Palmas, em um período parecido com o que teve um aporte. Não estou acusando nada, estou falando que em um período parecido. E aí eu começo a citar sobre Via House. Em momento algum eu entrei nos pormenores do Azinheiras. No Azinheiras, que houve uma condenação por esse vereador por ter falado em 2020 que ele era dono, mas ele justificou com a declaração de Imposto de Renda dele, o juiz entendeu que era o suficiente a Declaração de Imposto de Renda, que ele não era mais dono, que ele tinha vendido as cotas dele. Então esquece o Azinheiras, eu não estou falando de Azinheiras. Eu estou falando que o prefeito Jorge Seba era dono da Via House e ele sentou na mesma mesa, estava constando na sessão, na ata da sessão da empresa, que ele estava lá, consta que todos estavam presentes”, explicou o vereador.

“E na sessão o João Carlos Falbo Mansur, que é investigado na Operação Carbono, na operação do Banco Master, responsável pelo grupo Reage Investimentos, ficou, depois que o Jorge Seba saiu, ele ainda fica no endereço da sala do Jorge Seba no endereço comercial do escritório do Jorge Seba”, emendou.

“Então tem alguma coisa acontecendo, em momento algum eu falei que o Jorge Seba é do PCC, eu falei que o cara, o cidadão, esse é o João Carlos está sendo investigado lá nas operações da Polícia Federal, Operação Carbono que envolve um monte de gente, inclusive pessoas do PCC, envolve políticos, e na Operação do Banco Master, o cara também está sendo investigado, até pulou fora do CNPJ. Não existe uma acusação do Cabo Renato Abdala falando que o prefeito é dono disso aí, eu disse que o prefeito era dono e apareceu a composição dele lá. O tempo do verbo é o que define aquilo que o vereador falou”, completou Renato Abdala.