
29º Espetáculo de Dança da Almagêmea reúne 280 alunos em quatro elencos e percorre diferentes linguagens coreográficas a partir de filmes, personagens e histórias que atravessam gerações.
@caroline_leidiane
Cinema, televisão, personagens, trilhas sonoras e diferentes linguagens da dança se encontram no palco do Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo” para a 29ª edição do espetáculo da Almagêmea.
Com o tema “Um Universo de Emoções”, a escola leva ao público uma montagem que reúne 280 alunos distribuídos em quatro elencos e transita por estilos como balé clássico, jazz, sapateado, flamenco, contemporâneo, hip hop, k-pop e acrobacia.
Para esta temporada, a proposta encontrou em narrativas populares um território fértil para explorar sentimentos diversos, sem se limitar à reprodução das referências originais.
“Todos os anos buscamos um tema que nos permita trabalhar diferentes estilos, idades e possibilidades dentro da dança. Para esta 29ª edição, queríamos algo que tivesse uma identificação imediata com o público e, ao mesmo tempo, nos desse muita liberdade de criação”, explica Helen Borin, professora de dança e uma das proprietárias da escola.

O espetáculo percorre histórias conduzidas por diferentes gêneros e estilos emblemáticos do imaginário popular. Entre as referências estão “De Volta para o Futuro”, “Como Treinar seu Dragão”, “Harry Potter”, “Trolls”, “Super Mario”, “Shrek”, “Família Addams” e “Wicked”.
Cada título foi selecionado levando em consideração a sua popularidade e possibilidades de tradução para a linguagem corporal.
“Partimos de histórias, filmes e personagens que atravessam gerações e despertam sentimentos muito diferentes: alegria, aventura, humor, suspense, encantamento, nostalgia, superação. Cada coreografia mergulha em um desses universos e procura levar para o palco não apenas uma referência conhecida pelo público, mas principalmente a emoção que ela desperta. A dança acaba sendo o fio que conecta todas essas histórias”, conta.

Diferentes linguagens em uma mesma montagem
Do balé clássico ao k-pop, a pluralidade de coreografias é um dos elementos centrais do espetáculo. Em vez de uniformizar as linguagens da dança, a proposta objetiva explorar aquilo que cada uma oferece à narrativa.
“Essa diversidade é uma característica muito forte da Almagêmea e, para nós, um dos pontos mais interessantes do espetáculo. Não queríamos que todas as modalidades precisassem falar a mesma linguagem. Pelo contrário: buscamos justamente aproveitar a identidade de cada uma”, destaca.
Segundo Helen, o processo de criação considera a faixa etária, o nível técnico dos alunos, a modalidade e a beleza que cada universo pode proporcionar. A intenção é transformar as referências em uma leitura respectiva, construída especialmente para o palco.
“A escolha nunca acontece apenas porque um filme ou personagem é conhecido. Pensamos primeiro nas possibilidades coreográficas e também na estética que aquele universo pode proporcionar no palco”, relata.
A partir daí, entram em cena a elaboração dos figurinos, seleção das músicas, concepção dos movimentos, formações coreográficas e interpretação.
“Depois disso começa um processo muito gostoso de criação. Não temos a intenção de simplesmente reproduzir aquilo que o público já viu no cinema ou na televisão. Usamos essas referências como ponto de partida para criar a nossa própria leitura. Por isso, mesmo quando o público reconhece imediatamente um personagem ou um filme, ele encontra uma versão construída especialmente para o nosso espetáculo”, detalha.

29 anos de dança
Ao longo de quase três décadas de espetáculos, as irmãs Helen e Amanda Borin, que fundaram a escola Almagêmea em 1998, acompanharam o crescimento e desenvolvimento da instituição.
Nesse percurso, as produções se tornaram mais complexas e passaram a envolver um trabalho que se estende por diferentes etapas, da formulação à execução.
“A transformação é enorme. A escola cresceu, novas modalidades chegaram e, naturalmente, os espetáculos também ganharam outra dimensão. Hoje, existe um trabalho de produção muito maior, que começa meses antes e envolve escolha do tema, pesquisa, criação coreográfica, figurinos, músicas, cenografia, iluminação, organização dos elencos e muitos outros detalhes”, pontua Helen.
A experiência de palco, entretanto, permanece ligada à formação dos alunos. Integrar o espetáculo significa vivenciar um processo acerca de aprendizado, convivência e desenvolvimento de habilidades que extrapolam a técnica da dança.
“O espetáculo é um momento muito esperado, mas também faz parte do processo pedagógico. Estar no palco ensina responsabilidade, disciplina, trabalho em grupo, percepção do espaço, interpretação e segurança. Com o passar dos anos, fomos amadurecendo a maneira de criar e produzir, mas procuramos preservar aquilo que sempre foi essencial para nós: fazer com que cada aluno se sinta parte importante do espetáculo”, observa a professora.
A longevidade da escola se manifesta, igualmente, na relação construída com diferentes gerações. Helen e Amanda vivenciaram o amadurecimento dos alunos e, posteriormente, o retorno deles à escola com os próprios filhos.
“É difícil falar sobre isso sem se emocionar. São quase três décadas de histórias construídas dentro da Almagêmea. Já vimos crianças crescerem no palco, acompanhamos alunos durante muitos anos e hoje encontramos antigas alunas levando seus próprios filhos para a escola. Isso nos dá uma dimensão muito bonita do tempo e de tudo o que foi construído”, comenta.
Na visão das irmãs, apesar da experiência acumulada ao longo do tempo, a expectativa diante de cada nova apresentação continua presente.
“Para mim e para a Amanda, cada espetáculo continua trazendo aquele frio na barriga dos primeiros anos. Claro que hoje existe muito mais experiência, mas a emoção de ver a cortina abrir e nossos alunos entrarem em cena permanece praticamente a mesma”, menciona.
Quatro elencos no palco
A dimensão da montagem exigiu a divisão dos 280 participantes em quatro elencos. O 1º e o 2º se apresentam nos dias 19 e 20 de setembro; o 3º e o 4º entram em cena nos dias 26 e 27. A organização considera as diferentes turmas, modalidades, níveis técnicos, trocas de figurino e a dinâmica necessária para cada apresentação.
“Essa divisão exige um planejamento bastante cuidadoso, porque muitos alunos fazem mais de uma modalidade e, consequentemente, participam de várias coreografias. Além disso, procuramos considerar também a disponibilidade das famílias nas diferentes datas, já que muitos alunos têm compromissos previamente assumidos”, salienta a professora.
O resultado desse planejamento poderá ser conferido em quatro dias de apresentações, com duas sessões diárias.
“É um grande quebra-cabeça, porque precisamos conciliar todas essas questões e, ao mesmo tempo, formar quatro elencos equilibrados. Nosso objetivo é que cada apresentação tenha a mesma qualidade e que todos os alunos possam viver plenamente essa experiência no palco”, sintetiza.
Ao chegar à 29ª edição, o espetáculo se inscreve na memória de uma trajetória trilhada dentro e fora do palco. De acordo com Helen e Amanda, cada nova montagem traz consigo o passe de dança mais bonito da vida: o de celebrar.
“Hoje, quando olhamos para o palco, não enxergamos apenas o espetáculo que está acontecendo naquele instante. Enxergamos também muitas histórias que passaram por ali e percebemos que a Almagêmea acabou fazendo parte da vida de muitas famílias.”
29º Espetáculo de Dança – Um Universo de Emoções
- Datas: 19, 20, 26 e 27 de setembro
- Sessões: 18h07 e 20h27
- Local: Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo”
- Duração: aproximadamente 1h10
- Ingressos: Guichê Web (www.guicheweb.com.br)




