Essencialmente Djavan

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Kelvin Arruda é músico e idealizador do show ‘Essência Djavan’, no qual transforma a admiração por um dos grandes compositores da música brasileira em uma leitura própria de sua obra – Foto: Rafael Faceto

Show de Kelvin Arruda, contemplado pelo Programa Bolsa Cultura 2026, revisita a obra de um dos grandes compositores da música brasileira neste sábado (12), na Concha Acústica.


@caroline_leidiane

“Teus sinais me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro”. Em Djavan, as letras não entregam de bandeja todas as possibilidades de interpretação. É preciso, antes, ouvir com o coração para alcançar a essência desse mosaico de sentidos. Permeando sua obra, há sempre desdobramentos guardados em sutilezas, reveladas pouco a pouco, entre metáforas, ritmos e versos que extrapolam significados e ficam reverberando muito depois que a canção termina.

É justamente nessa riqueza de nuances que o artista Kelvin Arruda encontra a matéria-prima para “Essência Djavan”, show que parte da admiração pessoal para revisitar o repertório de um dos compositores mais sofisticados da música brasileira.

Inspirado no álbum “Djavan Ao Vivo”, de 1999, o projeto percorre diferentes territórios sonoros, entre soul, black music, pop e jazz, em uma apresentação que busca reencontrá-lo pela própria sensibilidade musical de Kelvin.

A relação do músico com Djavan, no entanto, antecede a concepção do espetáculo.

“Aprendi a tocar violão para poder cantar músicas que não estavam tocando com frequência nas rádios. Então, decidi aprender a tocar para poder ouvir e cantar as músicas de que eu gostava quando quisesse. Djavan é um dos compositores de algumas das primeiras músicas que aprendi a tocar e sempre foi uma grande inspiração para a minha expressão artística. Por isso, nasceu o projeto ‘Essência Djavan’”, conta.

Kelvin Arruda revisita a obra de Djavan em “Essência Djavan”, projeto inspirado no álbum ‘Djavan Ao Vivo’, de 1999, e que transita por diferentes territórios sonoros, entre soul, black music, pop e jazz – Foto: Divulgação

Entre referências e identidade

A escolha de “Djavan Ao Vivo” como ponto de partida não é casual. O registro do final da década de 1990 sintetiza diferentes características da produção do compositor e oferece ao projeto uma espécie de mapa estético. A proposta não é reproduzir o álbum, mas absorver suas referências e construir, a partir delas, uma leitura própria.

“A influência aparece na apresentação inteira. Toda a proposta do projeto é inspirada neste álbum. Estamos, obviamente, distantes da excelência criada nele, mas buscamos trazer as inspirações e referências presentes nas canções e na sonoridade desse trabalho”, explica.

O repertório escolhido também aproxima o público de canções que se incorporaram ao imaginário da música popular brasileira. A intenção de Kelvin é criar uma atmosfera que vá além da familiaridade com os sucessos, permitindo que essas composições sejam revisitadas sob outra perspectiva.

“Pretendo conduzir o público para uma verdadeira imersão nas músicas de Djavan. São canções muito conhecidas, verdadeiros hits da música popular brasileira, que merecem ser evidenciados e revisitados. E, claro, não poderia faltar ‘Eu Te Devoro’, que está facilmente entre as três músicas de Djavan mais conhecidas pelo público”, pontua com humor.

O simples como escolha estética

Interpretar a obra de um compositor amplamente reconhecido, tanto nacional quanto internacionalmente, impõe ao intérprete a tarefa de estabelecer uma identidade sem descaracterizar aquilo que tornou as canções excepcionalmente emblemáticas.

De acordo com Kelvin, a resposta está menos na complexidade dos arranjos do que no cuidado dedicado à execução.

A opção por uma abordagem mais enxuta busca preservar a proximidade entre artista e plateia, fazendo com que a sofisticação musical das composições não se transforme em distância. O resultado pretendido é um show capaz de valorizar as canções sem sobrecarregá-las.

“Gosto de pensar que o ‘simples bem feito’ pode gerar mais resultado do que algo complexo e mal executado. Trabalhei de uma maneira relativamente simples, mas com muito cuidado na execução, justamente para manter o nível musical da apresentação e, ao mesmo tempo, fazer com que ela chegue ao público de uma maneira mais simples, próxima e intimista”, explica ele.

Música como produção cultural

Além da homenagem a Djavan, “Essência Djavan” integra uma política de incentivo à produção artística local. Contemplado pelo Programa Bolsa Cultura 2026, da Prefeitura de Votuporanga, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o projeto evidencia a supra relevância de mecanismos de fomento para que artistas possam transformar propostas autorais em produtos culturais acessíveis ao público.

Kelvin observa que a iniciativa tem papel expressivo não apenas na concretização de seu espetáculo, mas na própria profissionalização dos artistas da cidade. Ele defende que o conhecimento sobre captação de recursos faça parte da trajetória de quem pretende viver da produção cultural.

“É extremamente importante e muito necessário. Os artistas de Votuporanga precisam entender melhor como captar recursos para desenvolver seus projetos e produtos culturais, tanto como forma de subsistência quanto para fortalecer a própria produção artística. O ‘Essência Djavan’ é um sonho que precisava de um incentivo como o Bolsa Cultura para poder se concretizar”, afirma.

Show Essência Djavan com Kelvin Arruda

  • Data: hoje, 12 de setembro, às 14h
  • Local: Concha Acústica
  • Entrada gratuita