Multiplicar em comunhão

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A programação reúne nomes da cena local, como Vinicius Hulk, DJ Juanzito e Naldo Ezo, em uma noite dedicada à produção artística independente e à ocupação cultural da Zona Norte – Imagem: Divulgação

Terceira edição do Festival SOMA reúne artistas da cena local e comunidade neste sábado (22), a partir das 18h, na Praça do Tobogã, na Zona Norte, em uma programação que transforma o espaço público em território de arte, música e encontro.


@caroline_leidiane

A Praça “Martinho Nunes Pereira”, conhecida como Praça do Tobogã, volta a receber uma programação cultural neste sábado, 22 de agosto, a partir das 18h. O espaço, localizado na região do Pozzobon, será palco da terceira edição do Festival SOMA, projeto idealizado pelo artista, produtor e agente cultural Kelvin Arruda.

Criado a partir da escuta de artistas da cena independente, o festival nasceu como uma iniciativa voltada à valorização da produção autoral e à ocupação cultural de espaços públicos.

Ao escolher novamente a Praça do Tobogã, o SOMA também coloca em evidência uma questão que acompanha sua trajetória: a necessidade de descentralizar atividades culturais no município.

Para Kelvin, as experiências anteriores deixaram evidente que a procura por locais alternativos de apresentação continua crescendo.

“Os artistas amadores anseiam por mais espaços como estes para mostrar suas produções artísticas. A demanda só aumenta e isso é maravilhoso, porém precisa de mais espaços para mostrarem suas artes”, afirma.

O festival encontrou um território que dialoga diretamente com sua proposta, já que a praça está localizada na Zona Norte, uma região com escassez de eventos culturais. Além disso, reúne diferentes equipamentos de lazer e, para o organizador, possui características que favorecem a realização de atividades multiculturais.

“A Praça do Tobogã tem a cara e o formato para cultura e arte. Usar esse espaço como local para esse evento é algo já imaginado, mas poucas vezes realizado. O SOMA é uma realização”, explica Kelvin.

A escolha do endereço também carrega uma dimensão comunitária. Segundo o produtor, a região norte da cidade ainda é carente de eventos culturais, o que faz com que a realização do festival no bairro tenha sido recebida de maneira positiva pelos moradores.

Experiência orienta nova etapa

Depois de duas experiências, Kelvin reitera que um dos principais aprendizados foi perceber a necessidade de aperfeiçoar a estrutura do evento sem comprometer a qualidade das apresentações. Desta vez, o formato será mais enxuto, mas, de acordo com ele, a proposta artística permanecerá como de costume.

Outro aspecto pontuado pelo organizador foi a relevância dos apoios que surgiram durante o processo de preparação. Para Kelvin, a mobilização em torno do festival mostrou que o projeto desperta interesse e pode reunir pessoas dispostas a contribuir para sua realização.

“Você tem pessoas que apoiam o projeto como nunca imaginou. Não esperava que isso se desse no meio do processo de pré-produção”, relata.

Kelvin Arruda, artista, produtor e agente cultural, é o idealizador e organizador do Festival SOMA desde a primeira edição – Foto: Arquivo Pessoal

A programação reúne artistas locais ligados principalmente à cena independente e underground. Entre os nomes citados estão Vinicius Hulk, DJ Juanzito e Naldo Ezo, além de outros participantes.

A curadoria parte da qualidade do trabalho desenvolvido por cada um deles e está diretamente relacionada ao próprio conceito que deu nome ao festival.

“Esses artistas foram escolhidos pois são incríveis no que fazem, e no final o objetivo do SOMA é somar”, resume.

Embora tenha mantido a Praça do Tobogã como endereço nas três realizações, a intenção de ocupar outros territórios da cidade permanece nos planos do organizador.

“Ainda não conseguimos avançar no quesito local, pois precisamos estruturar mais ainda o SOMA, mas estamos a caminho. Temos desafios, mas, com o tempo, esforço e trabalho, manteremos o SOMA vivo e operante”, analisa.

A expectativa é que, depois de uma corporificação mais concreta e da validação do projeto, o festival possa inclusive integrar de maneira permanente o calendário cultural de Votuporanga.

Nesta edição, o SOMA conta com apoio do Ministério da Cultura, por meio do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), e do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), em razão da atuação de Kelvin como agente territorial de cultura.

O evento, contudo, chega ao novo encontro com menos parceiros institucionais e patrocinadores do que nas edições anteriores.

“Não por falta de contato ou aceitação do projeto, que tanto a Prefeitura como outros patrocinadores apoiaram e apoiam muito, porém a nossa equipe teve problema com datas e cronograma”, explica.

Contudo, a realização é encarada como parte de um processo de amadurecimento, para que, nas próximas edições, os alinhamentos e articulações tanto com o poder público quanto privado aconteçam previamente.

Festival SOMA 3ª edição

  • Data: 22 de agosto, às 18h
  • Local: Praça Martinho Nunes Pereira (Praça do Tobogã)
  • Entrada gratuita