Jovem flagra sucuri na represa do Parque da Cultura

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Sucuri de aproximadamente 2 metros ‘habita’ na represa do Parque da Cultura

Ketlen Brito de 21 anos estava com o namorado Vinicius no último domingo (15) passeando pelo Parque da Cultura quando flagraram a cobra.  A jovem conta que ficou observando o réptil que ficou na beirada da represa de baixo, entre 21h até às 00h30. “Ela estava no lago na beira da pista de caminhada e percebemos que havia acabado de se alimentar, ou de um peixe, um pato ou até mesmo um filhote de capivara que existem muitos por lá. Estava com a barriga redonda e nem conseguia subir no gramado por, talvez se sentir muito pesada”, conta Ketlen. Outra jovem que estava próxima, conta Ketlen, disse que os patos do local estão desaparecendo. “Provavelmente deve ser ela se alimentando e deve ter outras sucuris naquele local”, indaga.

Ketlen conta que acionou a Polícia Ambiental, mas, segundo ela, foi informada que naquele momento não poderiam fazer nada já que não existia uma patrulha para ir lá e verificar a necessidade de retirar o animal daquele local. “Eles (Ambiental) me informaram que não costumam tirar cobras de dentro de represas porque é ó habitat natural delas. Insisti em dizer que ali é um local público, então depois de alguma insistência me disseram que iriam lá pra ver se existia a necessidade de retirar o animal”, explica Ketlen.

“Em minha opinião lá é um local frequentado por crianças, animais de estimação e, nem quero pensar no que poderia acontecer”, disse e continuou, “Ela não aparentava ser tão grande tinha uns 2 metros, eu acho, provavelmente ainda é filhote, mas como estava próxima do parquinho das crianças se ela subisse poderia acontecer algum acidente. Acredito que eles poderiam retirar ela de lá e levá-la a um local apropriado, seria seguro pra ela e pra quem frequenta aquele local, até porque muita gente de má fé poderia pegá-la só para matá-la”, finaliza.

Polícia Ambiental

A reportagem conversou com o Cabo Malavasi e ele disse que ficaram sabendo do ocorrido e que naquele momento não puderam atender a ocorrência por falta de contingente. “Nossa área de atuação tem uma cobertura que vai de Cosmorama até a divisa do município de Paulo de Faria. Acontece, não é sempre, de faltar pessoal para atender todas as ocorrências. Mas nesse caso especifico quando o animal estava exposto no barranco da represa, teriam que acionar o Corpo de Bombeiros que realiza a captura e traz aqui pra sede da Ambiental e nós destinamos um local apropriado para soltá-la. Esse tipo de animal tem hábitos noturnos, ele sai para se alimentar de noite e como a Ketlen disse, estava saciado. Agora que se encontra alimentada vai desparecer por uns 4 dias e deve retornar à tona nesta semana. Já acionamos alguns pescadores do local para nos avisar se a virem por lá, se ela estiver dentro da água teremos que usar barcos e redes, mas se estiver na borda da represa fica mais fácil de capturá-la”, promete o policial.

“Naquele local não se pode pescar ou nadar, existem placas, mas não uma Lei especifica que possamos atuar os infratores, então muitos pescadores frequentam o local. Um pescador me disse esses dias que viu uma sucuri comer um ganso e após se alimentar, ficou deitada no concreto onde corre água próxima a biblioteca. Segundo a foto da Ketlen da pra perceber que ela tem uns 2 metros e se ela, por acaso, pegar uma criança, com a força que tem pode facilmente quebrar seu braço, ou até mesmo acontecer um acidente pior. Estamos em alerta e provavelmente se ela não for embora rio abaixo (represa da Saev) vamos capturá-la nos próximos dias”, afirmou Malavasi.

SUCURI: A ficha do bicho

Eunectes murinus (Sucuri)

As sucuris, também conhecida como anacondas, arigboias, boiaçus, boiçus, boiguaçus, boioçus, boitiapoias, boiuçus, boiunas, sucurijus, sucurijubas, sucuriús, sucurujus, sucurujubas ou viborões, é um gênero de boinae encontradas na América do Sul. Eles são um grupo semiaquático de cobras e incluem uma das maiores cobras do mundo, Eunectes murinus, a sucuri-verde. O nome Eunectes é derivado da palavra grega Eυνήκτης, que significa “bom nadador”. Quatro espécies são reconhecidas atualmente.

Existem quatro espécies, das quais as três primeiras ocorrem no Brasil:

Eunectes notaeus, a sucuri-amarela, endêmica da zona do Pantanal; Eunectes murinus, a sucuri-verde, a maior e mais conhecida, ocorrendo em áreas alagadas da região do Cerrado e da Amazônia, sendo que, neste último bioma, os animais costumam alcançar tamanhos maiores; Eunectes deschauenseei, a sucuri-malhada, endêmica da Ilha de Marajó; e Eunectes beniensis, a sucuri-da-bolívia.

Alimentação

Todas as quatro espécies são cobras aquáticas que atacam outros animais aquáticos, incluindo peixes, aves aquáticas, jacarés e capivaras. Alguns relatos existem de anacondas que predam animais domésticos, como cabras e em algum momento até mesmo Jaguar, que se aventuram muito perto da água.

Relação com os seres humanos

Enquanto encontros entre pessoas e anacondas podem ser perigosos, eles não caçam regularmente humanos. No entanto, ameaça de anacondas é um tropo familiar em histórias em quadrinhos, filmes e histórias de aventura na selva amazônica. Anacondas também figuraram proeminentemente no folclore sul-americano, onde às vezes são descritas como criaturas míticas transformadas em formas chamadas de Encantados. As comunidades locais e alguns exploradores europeus deram conta de anacondas gigantes, cobras lendárias de muito maior proporção do que qualquer espécime confirmada.

Características

A sucuri-verde divide com a píton-reticulada (Python reticulatus), o título de maior serpente do mundo, alcançando 6 metros ou mais de comprimento, muito embora seus indivíduos adultos, em média, alcancem em torno de 3 ou 4 metros. Uma sucuri pode viver com tranquilidade por até 30 anos. As fêmeas são maiores que os machos, atingindo a maturidade sexual por volta dos seis anos de idade. Há muitas narrativas sobre ataques destas serpentes a seres humanos; no entanto, na sua maioria, os casos são fictícios, principalmente no que diz respeito ao tamanho real do animal. Por ter tamanho acentuado, a sucuri ou anaconda tem vértebras.

Mitologia indígena brasileira

Segundo o mito fundador Kaxinawá, houve um homem, Yube, que, ao se apaixonar por uma mulher-sucuri, transformou-se em sucuri também e passou a viver com ela no mundo profundo das águas. Nesse mundo, Yube descobriu uma bebida alucinógena com poderes curativos e de acesso ao conhecimento. Um dia, sem avisar a esposa-sucuri, Yube decide voltar à terra dos homens e retomar a sua antiga forma humana. O mito explica também a origem do cipó ou ayahuasca – bebida endógena (muitas vezes confundida como alucinógena) tomada ritualisticamente pelos Kaxinawá.

Em 1997, foi lançado o filme de terror Anaconda, sobre a serpente, o qual foi gravado no Brasil e no Peru.