
Mostra na Casa de Cultura Dinorath do Valle reúne trabalhos do arquiteto, artista plástico e escritor, com curadoria de Luciane d’Alessandro e Patrícia Buzzini e expografia de Carlos Bachi; visitação é gratuita até 30 de setembro.
@caroline_leidiane
A geometria, a cor e a memória de uma cidade atravessam a vida e obra de José Villanova, cuja atuação se entrelaça ao cenário cultural de São José do Rio Preto. Arquiteto, artista plástico e escritor, Villanova é tema de exposição na Casa de Cultura Dinorath do Valle, onde, até 30 de setembro, o público pode conhecer diferentes aspectos de sua produção e percurso artístico. A mostra tem curadoria de Luciane d’Alessandro e Patrícia Buzzini e expografia de Carlos Bachi.
Nascido em 28 de junho de 1937, Villanova construiu, ao longo de décadas, uma trajetória que integra arquitetura, artes visuais e literatura. Sua produção artística se desenvolveu paralelamente à atuação como arquiteto, explorando diferentes relações entre palavra e imagem. Na poesia, é autor de “Hai Kai Aquarelado”, livro que reúne haicais acompanhados de ilustrações da artista Maria Helena Coelho Curti.
A ligação do artista com Rio Preto começou ainda na infância. Quando menino, acompanhou as transformações da região central e o surgimento do Mercado Municipal, inaugurado em 1944, nas proximidades da casa onde vivia. O espaço se tornou uma referência afetiva em sua história e, posteriormente, também integrou sua carreira profissional e a convivência com diferentes gerações de moradores da cidade.
Em 1999, Villanova esteve entre os fundadores da Confraria do Mercadão, grupo que reuniu intelectuais, jornalistas, músicos, artistas e outras personalidades rio-pretenses. A iniciativa contribuiu para consolidar o Mercado Municipal como espaço de encontro, convivência e circulação de ideias.
O vínculo com a história da cidade aparece ainda no interesse pela preservação do patrimônio histórico e afetivo de Rio Preto. Ao longo dos anos, Villanova acompanhou e registrou acontecimentos relacionados à transformação urbana e participou de iniciativas voltadas à preservação da memória local, entre elas ações relacionadas ao antigo Estádio Mário Alves Mendonça, do América Futebol Clube.

Projetando, registrando e recriando a cidade
Segundo Luciane d’Alessandro, a produção de Villanova, entretanto, desenvolve caminhos próprios a partir da influência do Modernismo, da escola alemã de arte Bauhaus e de artistas como Piet Mondrian e Wassily Kandinsky.
O rigor geométrico, as linhas e o uso das cores aparecem em suas obras, enquanto a combinação de tonalidades secundárias e terciárias e de ritmos horizontais e verticais conduz as composições a uma dimensão mais orgânica. O equilíbrio, presente em construções simétricas e assimétricas, centralizadas ou descentralizadas, permanece como um dos elementos estilísticos de sua linguagem visual.
A exposição, portanto, recupera parte da história cultural de São José do Rio Preto a partir do percurso de um personagem que acompanhou as transformações do município e participou da vida artística e intelectual rio-pretense.
Exposição José Villanova
- Data: até 30 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
- Local: Casa de Cultura Dinorath do Valle, Rua Roberto Simonsen, 120 – Chácara Municipal – São José do Rio Preto
- Entrada gratuita




