
Projeto do Bolsa Cultura 2026 conduz 13 jovens por uma imersão em dança, cultura coreana e produção audiovisual; percurso será encerrado neste sábado (19), com exibição do MV ‘Lovers’, bate-papo e apresentação ao vivo.
@caroline_leidiane
A dança foi o primeiro passo de uma experiência que, desde o início, já tinha destino definido: a produção de um videoclipe e uma apresentação ao vivo. Ao longo de 12 encontros, 13 jovens de Votuporanga participaram de atividades que envolveram coreografias, musicalidade, expressão corporal, direção de arte, figurino, produção audiovisual, cultura e trabalho coletivo. O resultado será apresentado neste sábado, 19 de setembro, a partir das 15h30, no encerramento do projeto “A Energia do K-pop em Cena”.
Contemplado pelo Programa Bolsa Cultura 2026, da Prefeitura de Votuporanga, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, a iniciativa é da artista e produtora cultural Sarah Tinel. A programação começa no Cinema Cultural, com a exibição do music vídeo (MV) “Lovers”, seguida de bate-papo. Depois, as participantes apresentam o trabalho no Quintal Cultural.
A turma inicialmente contava com 15 vagas, mas duas alunas não puderam concluir o percurso. Segundo Sarah, cerca de 90% das participantes não tinham experiência com dança.
“O projeto foi sendo construído ao longo de 12 encontros, destinados à criação de uma coreografia e de um tema, além de uma oficina de figurino com Tyler Bertrand, que contribuiu para fundamentar ainda mais essa experiência e a imersão de ‘ser’ um idol por alguns dias. Foi um intensivo de coreografias, aprendizagens sobre musicalidade, coordenação motora, trabalho em grupo, cultura e autogestão”, relata.
O processo evolutivo das alunas produziu mudanças para além da técnica, vencendo bloqueios internos.
“Algumas chegaram ali tímidas, com dificuldades até mesmo para conversar e reproduzir as coreografias, e saíram muito mais autoconfiantes, comunicativas e com um rendimento espetacular nas questões artísticas, como dança, expressão corporal, entre outras”, conta Sarah.
De acordo com ela, o envolvimento do grupo foi determinante para o desabrochar dos talentos. “Estou muito feliz com o resultado que alcançamos juntos nessa caminhada. Foi uma turma extremamente participativa, criativa e comprometida com o processo.”
Da coreografia ao videoclipe
O planejamento do projeto também considerou a preparação das participantes para cada fase da experiência. Segundo Sarah, essa condução foi importante para o andamento das atividades:
“Todas foram informadas sobre as etapas desde a inscrição e tiveram tempo para se preparar e pensar em como gostariam de aproveitar as aulas. Acredito que essa comunicação prévia fez toda a diferença para uma construção mais organizada, limpa e produtiva.”
Além da dança, a iniciativa promoveu diálogo acerca da cultura coreana e de diferentes linguagens da produção artística. Conforme a produtora, essa abordagem favoreceu processos de amadurecimento pessoal.
“O contato com a cultura coreana também as trouxe para um lugar de autodescoberta e conhecimento, tornando-as mais aptas para a afirmação e a construção de suas próprias identidades. Rubem Alves fala sobre a importância de transformar a escola em asas para os alunos, e a ideia central do projeto é exatamente essa: não apenas aprender uma coreografia, mas também conhecer uma cultura e estabelecer conexões reais com o mundo”, reflete.
Conforme Sarah, a proposta alcançou uma dimensão formativa que articula o contato com outra cultura à construção de valores relacionados à convivência, ao respeito às diferenças e à percepção autoral sobre o mundo.
“Dessa forma, o projeto contribui para a formação de cidadãs mais conscientes e respeitosas com a diversidade, além de estimular o pensamento crítico e reflexivo e desenvolver a criatividade, que é essencial no mercado de trabalho atualmente e que a área das artes possui enorme capacidade de estimular”, pontua.
K-pop e pertencimento
Sarah explica que a expansão internacional do K-pop está relacionada à própria história do gênero e ajuda a compreender a forte identificação que ele estabelece com o público jovem. A produtora considera ainda que conhecer as circunstâncias que contribuíram para o surgimento desse fenômeno permite compreender a cultura pop sul-coreana transcendendo música e coreografias.
“O K-pop veio como uma forma da Coreia do Sul se reerguer depois de se tornar independente, tendo sua origem ligada a jovens que dançavam e rimavam baseado no estilo hip-hop. Por conta dessa trajetória, a maioria dos fãs está na juventude.”
No município, o K-pop vem encontrando espaço em atividades que aproximam o público dessa vertente da cultura sul-coreana e de suas diferentes formas de expressão. Sarah comenta que esse movimento revela a capacidade da linguagem de estabelecer vínculos com a juventude local.
“Em Votuporanga, mostras, competições, workshops e cursos de K-pop, além de combater a xenofobia, fortalecendo o intercâmbio cultural, também oferecem aos jovens espaços de protagonismo e lazer. Além disso, o acesso a essa cultura proporciona a esses jovens um ambiente de pertencimento, onde podem desenvolver seus talentos e encontrar na arte uma alternativa positiva para ocupar seu tempo longe das telas e construir novas perspectivas”, contextualiza.
Após semanas de ensaios e vivências, o encerramento transforma o resultado das oficinas em experiência pública. A exibição do MV K-Cover “Lovers” apresenta a produção audiovisual construída durante o projeto, enquanto o bate-papo abre espaço para que o público conheça o caminho percorrido pela turma. No Quintal Cultural, a dança volta a ocupar o centro da cena com a apresentação ao vivo.
Sarah, entretanto, destaca que o principal resultado não está apenas no que será visto no palco ou na tela, mas na trajetória das jovens que participaram da iniciativa.
“O desempenho e a força das jovens envolvidas no projeto mostram que temos, em toda Votuporanga, talentos que precisam ser mostrados e apoiados. Se olharmos mais ao nosso redor, iremos perceber que muitos só precisam de um incentivo para fazer coisas extraordinárias.”
A fala da produtora sintetiza a proposta de “A Energia do K-pop em Cena”: transformar o aprendizado de uma linguagem artística em oportunidade para experimentar, criar, conviver e ocupar palcos.
A Energia do K-pop em Cena
- Data: sábado, 19 de setembro, a partir das 15h30
- Local: Cinema Cultural e Quintal Cultural, no Parque da Cultura
- Entrada gratuita




