Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, é alvo de operação da PF sobre caso Master

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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Jaques Wagner (PT-BA) – Foto: Carlos Moura/Agência Senado/Reprodução

Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-controlador do extinto Banco Master, também foi alvo.


A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18.jun), a 9ª da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes ligados ao Caso Master, contra o sistema financeiro.

Um dos alvos de busca e apreensão da operação foi o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado. Wagner é pré-candidato à reeleição na Bahia e lidera as pesquisas.

Além de Wagner, empresas e residências de Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-controlador do extinto Banco Master, também foram alvos.

Segundo a PF, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Ao todo, os agentes da PF cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.

Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.

Fases da operação Compliance Zero

  • 1ª fase (18.nov.2025): Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração da operação. Segundo a PF, ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro.
  • 2ª fase (14.jan.2026): A Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os bloqueios e sequestros determinados pela Justiça superaram R$ 5,7 bilhões. A apuração trata do suposto uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Banco Master.
  • 3ª fase (4.mar.2026): Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, ele integrava um grupo responsável por intimidar adversários e pagar propina a dois funcionários do Banco Central. No mesmo dia, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou se matar sob custódia da PF. Ele morreu em 6 de março.
  • 4ª fase (16.abr.2026): Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi preso pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de operações sem lastro envolvendo o Banco Master. Segundo a PF, Costa recebeu imóveis de luxo como propina.
  • 5ª fase (7.mai.2026): O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo da operação. A PF aponta pagamentos de propina feitos por Vorcaro ao congressista, que nega as acusações. O ministro André Mendonça afirmou que a relação entre os dois “extrapola a amizade”. Houve bloqueio de R$ 18,85 milhões.
  • 6ª fase (14.mai.2026): A PF cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O pai de Vorcaro foi preso. Segundo os investigadores, ele era responsável por articular o grupo de intimidação e espionagem ligado ao ex-banqueiro.
  • 7ª fase (19.mai.2026): A Polícia Federal deflagrou uma etapa voltada à apuração do vazamento de informações sigilosas relacionadas ao Banco Master. André Mendonça determinou o afastamento de um perito da corporação.
  • 8ª fase (26.mai.2026): O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi alvo de mandados de busca e apreensão. A investigação trata de suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e o Rioprevidência. Segundo a PF, as operações analisadas somam R$ 3 bilhões.

*Com informações da Exame