Um trecho da denúncia oferecida pelo Ministério Público relata que Cabo Borges, atualmente no Presídio Militar Romão Gomes, teria afirmado que faria parte de um grupo especializado em monitorar autoridades, sendo uma delas o prefeito de Votuporanga.
Jorge Honorio
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O ex-vereador e policial militar aposentado André Luís Machado Borges, denunciado pelo Ministério Público de Votuporanga/SP pelo crime de extorsão com emprego de arma de fogo contra o prefeito de Cardoso/SP, Luís Paulo Bednarski Pedrassolli (Mobiliza), também teria monitorado o prefeito de Votuporanga, Jorge Seba (PSD). Preso em flagrante no começo do mês, cabo Borges, como é conhecido, foi levado para o Presídio Militar Romão Gomes, localizado em São Paulo/SP. Ele nega o crime.
Segundo a denúncia do promotor José Vieira da Costa Neto, ele teria exigido R$ 5 mil e um cargo para não divulgar imagens que, supostamente, comprovariam uma traição conjugal. O prefeito Luís Paulo denunciou o caso à polícia e Borges foi preso no dia 2 de março, quando saía do prédio da Prefeitura de Cardoso com o dinheiro. Com ele havia também uma pistola calibre 9 milímetros municiada e registrada em seu nome.
A caminhonete do ex-vereador, estacionada em frente ao prédio, também foi vistoriada. No veículo, os policiais apreenderam mais dois celulares e um simulacro de arma de fogo. Questionado sobre a extorsão, o ex-vereador negou as acusações e afirmou que o dinheiro seria um adiantamento por um serviço que prestaria à prefeitura. Após ser preso em flagrante, ele teve a prisão preventiva decretada em audiência de custódia.
Dinâmica do crime
De acordo com o Ministério Público, o caso teve início no dia 22 de fevereiro, quando o denunciado encontrou-se pessoalmente com o prefeito na Praça da Matriz da cidade e pediu para falar em particular. Sem saber do que se tratava, Luís Paulo concordou em receber o cabo Borges em sua casa.
No endereço, o ex-PM teria dado indicativos de que estava monitorando os passos e ações do prefeito, dizendo detalhes de uma viagem que ele fez a Rio Preto, em compromisso político, e que não estava sozinho: “Cabo Borges tinha os horários, locais, deslocamentos e acompanhantes da vítima, acrescentando à vítima que o espionava há 60 dias, circunstância que assustou e amedrontou a vítima. Como se não bastasse, Cabo Borges afirmou que fazia parte de um grupo especializado em monitorar autoridades, sendo uma delas o prefeito municipal de Votuporanga”, consta em trecho da denúncia.
Em determinado momento da conversa, segundo relato de Luis Paulo, o ex-vereador teria exibido imagem que tinha no celular mostrando a vítima saindo de um hotel em Rio Preto, acompanhado de um assessor e uma moradora de Cardoso, dizendo a suposta prova indicaria relacionamento extraconjugal, o que poderia prejudicá-lo politicamente, além de trazer problemas para o casamento.
No dia 27 de fevereiro, a Promotoria de Justiça de Cardoso, após receber a representação criminal da vítima, oficiou à Delegacia Seccional de Polícia de Votuporanga para a instauração de investigação sobre os fatos.
No dia 1° de março, cabo Borges teria telefonado para o prefeito exigindo R$ 5 mil para pagar dívidas de uma caminhonete. “A vítima, amedrontada, cedeu, ficando certo de que, no dia seguinte, o denunciado deveria dirigir-se à Prefeitura Municipal”, consta na denúncia.
A Polícia Militar foi acionada assim que o homem deixou o gabinete.
Em nota, a defesa de André Luis Machado Borges afirma que ele é inocente da acusação de extorsão que fundamentou sua prisão: “Os fatos serão esclarecidos no processo, inclusive diante das circunstâncias em que ocorreu o flagrante. A defesa já está adotando as medidas judiciais cabíveis para o restabelecimento da liberdade do acusado”, informaram os advogados Augusto Cunha Junior e Luciano Macri Neto.
A reportagem apurou que a defesa já ingressou com pedido de revogação imediata da prisão preventiva.
“O Acusado é primário, de bons antecedentes, possui residência fixa e profissão definida. Em caso de uma remotíssima condenação, a pena-base seria fixada no mínimo legal, o que jamais resultaria em regime inicial fechado”, consta em trecho da Petição.
O pedido, bem como a denúncia do MP, ainda serão analisados pela Justiça de Votuporanga.
O Diário procurou a assessoria do prefeito de Votuporanga, Jorge Seba, para esclarecer se chegou ou não a ser procurado por Cabo Borges, contudo, até o fechamento desta reportagem não havia resposta.





