
Dois colombianos e uma colombiana foram capturados na capital paulista durante operação deflagrada pela Polícia Civil. R.P.C., 46 anos, S.L.R.B., de 33, e Y.T.B., de 53, são investigados por furtos de produtos farmacêuticos de alto valor em vários estados e uso de identidades falsas.
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Votuporanga/SP deflagrou, nesta quarta-feira (28.out), a Operação Mil Faces e prendeu três integrantes de uma associação criminosa especializada em furtos de produtos farmacêuticos de alto valor em grandes redes de farmácias. Os investigados, dois colombianos e uma colombiana, foram localizados nos bairros da Sé, Vila Mariana e Bela Vista, na capital paulista, onde foram cumpridos os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela Justiça.
Nas buscas, foram apreendidos documentos e passaportes falsos, produtos dos crimes, dinheiro em espécie e os aparelhos celulares dos investigados. O material vai subsidiar o prosseguimento das investigações.
Os presos foram identificados como R.P.C., 46 anos, S.L.R.B., 33 anos, e Y.T.B., 53 anos. Segundo a Polícia Civil, o grupo é suspeito de integrar uma associação criminosa itinerante voltada à prática de furtos em estabelecimentos farmacêuticos em diversos estados do país.
A investigação teve início após o furto ocorrido em uma farmácia de Votuporanga, quando diversos produtos de alto valor comercial, principalmente dermocosméticos e vitaminas, foram subtraídos das prateleiras durante o horário de funcionamento da loja.
De acordo com as apurações, o grupo atuava mediante divisão de tarefas previamente estabelecida. Enquanto o homem permanecia circulando pelos corredores da farmácia, simulando comportamento de cliente e observando a movimentação de funcionários, as mulheres retiravam os produtos das gôndolas e os escondiam em bolsas de grande porte. Após a subtração dos itens, o trio deixava o estabelecimento sem efetuar qualquer pagamento. A dinâmica foi integralmente registrada pelas câmeras de monitoramento da farmácia.
Segundo os investigadores, as bolsas utilizadas para o cometimento dos furtos geralmente são revestidas com uma espécie de papel laminado para inibir a ação dos alarmes antifurto dos estabelecimentos, conforme apurado em outra investigação da DIG de Votuporanga, em caso semelhante, quando cinco venezuelanos foram presos pela especializada.
As investigações revelaram ainda que a associação criminosa utilizava veículos locados para realizar deslocamentos interestaduais, hospedava-se em hotéis por curtos períodos e frequentemente fornecia dados pessoais falsos, dificultando a identificação dos integrantes e a atuação dos órgãos de segurança pública. Em uma hospedagem realizada no interior paulista, os suspeitos teriam utilizado nomes falsos para efetuar o cadastro no estabelecimento.
Segundo a DIG, o grupo apresentava elevado grau de mobilidade, percorrendo diversas cidades brasileiras em busca de alvos. Os investigadores identificaram que, após o furto em Votuporanga, os suspeitos seguiram para outras regiões do país utilizando um veículo alugado, prática que, segundo a polícia, fazia parte do método empregado para reduzir a possibilidade de rastreamento.
O trabalho de inteligência policial também apontou um extenso histórico criminal dos envolvidos. As investigações demonstraram que os suspeitos já haviam sido investigados, presos ou indiciados anteriormente por furtos semelhantes praticados em farmácias de grandes redes varejistas. Em alguns casos, os procedimentos policiais registraram o mesmo modo de execução utilizado no crime investigado em Votuporanga.
O homem, inclusive, já cumpriu pena nos Estados Unidos e atualmente constava na lista de difusão azul da Polícia Federal, com dois mandados de expulsão do país.
As investigadas também utilizavam identidades distintas em abordagens e registros policiais, sendo constatada a existência de múltiplas qualificações vinculadas às mesmas pessoas. A prática teria sido empregada para dificultar o rastreamento da atividade criminosa e evitar o reconhecimento de antecedentes e reincidências. O nome da operação faz referência justamente às múltiplas identidades utilizadas pelos investigados para ocultar antecedentes e dificultar a ação policial.
Com as prisões preventivas cumpridas e a análise do material apreendido, a DIG de Votuporanga prossegue com as investigações para identificar outros crimes eventualmente praticados pela associação criminosa, assim como possíveis conexões com furtos registrados em outras regiões do Brasil.




