Delegado em Votuporanga é investigado por prevaricação 

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O caso foi registrado na Rua Toraguma Abé, no bairro Vila Paes — Foto: Reprodução

Ministério Público alega que Marco Aurélio Tirapelli se limitou a relatar precipitadamente um inquérito policial sem se atentar para a filmagem do assassinato de Milton de Oliveira Bolleis, de 70 anos, em 25 de agosto de 2025, que deveria ser mais bem apurado e desvendado. O delegado do 1º Distrito Policial afirmou que provará sua condução isenta e técnica.


A Corregedoria da Polícia Civil do Estado de São Paulo instaurou inquérito para investigar suspeita de prevaricação, caracterizada quando o agente público deixa de cumprir seu dever por interesses pessoais, do delegado do 1º Distrito Policial de Votuporanga/SP, Marco Aurélio Tirapelli, na condução de uma investigação sobre as circunstâncias de um homicídio que vitimou Milton de Oliveira Bolleis, de 70 anos, na noite do dia 25 de agosto de 2025, no bairro Vila Paes, em Votuporanga/SP.

A reportagem apurou que a portaria de instauração do procedimento foi publicada no dia 29 de dezembro, a pedido do promotor José Vieira da Costa Neto, que ficou descontente com o inquérito encaminhado ao Ministério Público.

Em vez de devolver o relatório com pedido de novas diligências, como é praxe, o promotor solicitou a troca de delegado e, com a sentença de pronúncia que determinou o julgamento do réu pelo Tribunal do Júri, oficiou a Delegacia Geral de Polícia e Delegacia Seccional de Votuporanga para que fosse instaurada a investigação, não só a nível administrativo, mas criminal, contra o delegado Marco Aurélio Tirapelli, pela que classificou como “falta administrativa gravíssima”.

O caso

O caso em questão, conforme noticiado pelo Diário à época, é a morte brutal do aposentado Milton de Oliveira Bolleis, que segundo apurado pelo inquérito policial foi agredido com uma voadora e teve o tórax atingido por um pedaço de concreto que com peso de 5,1 kg pelo servidor público municipal Fernando Rodrigo Guerche, de 46 anos, durante uma briga de bar. A confusão teria iniciado após o suspeito ter provocado à vítima com os dizeres: “Mirtão pai, caminhoneiro veado.”

A investigação conseguiu imagens de câmeras de monitoramento que mostram que Fernando Guerche, dá uma voadora no idoso e, em seguida, joga uma pedra de concreto no peito da vítima, que sofreu múltiplas fraturas de arcos costais e hemorragia interna. 

Fernando Guerche fugiu do local conduzindo um GM/Onix, com sua capacidade psicomotora alterada em decorrência do consumo de álcool, conforme exame de embriaguez. No entanto, foi preso em flagrante e, nestas circunstâncias, o Código de Processo Penal estabelece que o inquérito deve ser concluído em 10 dias, podendo ser prorrogado em alguns casos, mediante justificativa fundamentada.

De acordo com o Ministério Público, o delegado Marco Aurélio Tirapelli, se limitou a “relatar precipitadamente o inquérito policial, sem se atentar para a filmagem do crime, cujos detalhes, nítidos nas imagens, deveriam ser mais bem apurados e desvendados. Sem contar as inverdades narradas por elementos que estavam no bar”.

Outro ponto destacado pelo promotor é a suposta negativa do delegado em apreender a peça de concreto utilizada pelo agressor e apresentada pela filha da vítima na delegacia.

Segundo a jovem, o delegado teria dito que já tinha encerrado a investigação e que jogaria a pedra fora.

A informação consta na sentença de pronúncia, assinada pelo juiz Vinicius Castrequini Bufulin, que entendeu a recusa do delegado como “ilícita”, embora não tenha alterado a situação do processo. 

O caso foi assumido pelo delegado Tiago Madlum, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Votuporanga.

O resultado foi que, além de a Justiça levar Fernando Guerche a Júri Popular, ainda determinou a instauração de inquérito contra duas pessoas por falso testemunho e contra o dono do bar por fraude processual.

O promotor Costa Neto escreveu no ofício que “…se trata de fatos gravíssimos, passível, ao meu ver, de afastamento imediato de quem os realizou.”

O outro lado 

O delegado seccional Marcos Alberto Negrelli afirmou que aguarda a apuração dos fatos pela Corregedoria para tomar as medidas administrativas necessárias. Contudo, consignou que Marco Aurélio Tirapelli é um delegado experiente, com mais de 30 anos de serviços prestados à Polícia Civil.

Já o delegado Tirapelli respondeu ao Diário que conduziu o inquérito de forma técnica: “Fui retirado da investigação logo no início. Estão fazendo imputações que eu não admito e vou comprovar que a minha condução foi isenta e foi técnica.”

*Com informações do Diário da Região