Venezuela pede intervenção da ONU no Brasil para conter Covid-19

419

Em carta, chanceler pede que governo Bolsonaro reconheça gravidade da pandemia e coordene ações com países vizinhos.


A Venezuela pediu na quarta-feira (10) que a Organização das Nações Unidas (ONU) intervenha no Brasil para controlar a crise pela expansão dos casos de Covid-19, que o governo de Nicolás Maduro classificou como uma “tragédia”.

“O Brasil registrou hoje um novo número recorde de mortes por dia pela covid-19. Há quatro dias ratificamos ao secretário-geral da ONU, António Guterres, o que alertamos há nove meses: a ONU deve intervir para que o governo brasileiro assuma e controle a tragédia, e assim proteja toda a América do Sul”, disse o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreza, no Twitter. 

Arreaza postou também uma carta datada de 6 de março e dirigida a Guterres na qual o governo de Maduro solicita “urgentes gestões e bons ofícios” junto às autoridades do Brasil, especialmente o presidente Jair Bolsonaro, para que reconheça a gravidade da pandemia e coordene com os países vizinhos ações contra a Covid-19. 

O governo venezuelano também disse na carta que a “alarmante dinâmica epidemiológica” no país vizinho é “uma consequência da reiterada negligência criminosa” de Bolsonaro, a quem acusou de ser o “principal obstáculo” para salvar vidas no “pior momento da pandemia”. 

“O presidente Jair Bolsonaro e seu governo se tornaram o pior inimigo dos esforços nacionais, regionais e internacionais, incluindo aqueles em níveis bilateral e multilateral, para mitigar os efeitos devastadores da pandemia da covid-19 na região de América Latina e Caribe”, afirma o texto. 

Devido a isso, “o Brasil está sendo levado a uma verdadeira catástrofe humanitária que põe em perigo (…) a estabilidade de nossa região”. 

O Brasil vive seu pior momento da pandemia, com o sistema de saúde à beira do colapso, vacinação a conta-gotas devido à falta de doses e um novo registro diário de 2.286 mortes por covid. 

*Com informações da Agência EFE