
Paralisação começou às 22h desta quinta-feira (10) em todo o país, sem previsão para fim da greve.
Trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada em assembleias dos sindicatos estaduais na noite desta quinta-feira (10.set) após as negociações salariais com a estatal terminarem sem acordo.
Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), a greve começou às 22h após 35 sindicatos aprovarem a greve. No Acre, a votação acontece ainda nesta sexta-feira.
De acordo com a Findect, depois de “sucessivas rodadas de negociação”, incluindo tentativas de mediação pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), os Correios mantiveram a posição na negociação salarial, mas os trabalhadores decidiram rejeitar as propostas.
Em nota, os Correios afirmaram que acionaram o chamado Plano de Continuidade de Negócios para manter os serviços em todo o país e “reduzir eventuais impactos da paralisação”.
“A rede de atendimento permanece aberta ao público. Entre as medidas adotadas está a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico”, detalhou a estatal.
Outro impasse envolve o plano de saúde dos funcionários. Ainda segundo a federação, a direção dos Correios quer deixar de manter o plano, o que, na avaliação dos trabalhadores, pode transferir para os trabalhadores o custeio da cobertura e prejudicar a assistência médica.
“A Findect seguirá acompanhando o movimento, ao lado dos sindicatos filiados, e reafirma sua disposição para negociar uma saída que atenda às reivindicações dos trabalhadores”, diz comunicado da entidade sindical.
Estatal em crise
Em comunicado, os Correios afirmaram que “respeitam o direito de greve dos trabalhadores”, mas ressaltaram que a paralisação ocorre “em momento especialmente sensível”. A estatal destacou que está diante de “situação econômico-financeira desafiadora” e que “mantém o foco na redução de despesas, no aumento da eficiência, na modernização da operação e na geração de novas receitas”.
A empresa encerrou o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
No ano passado, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos para reestruturar a operação. Como contrapartida ao aval do Tesouro Nacional para a operação, a estatal deveria colocar em prática um plano de reestruturação que envolvia o fechamento de agências, a retirada de gratificação de R$ 500 para funcionários que exercem atendimento ao público e a adoção de um sistema para mapear os recursos necessários para realizar as entregas.
As medidas, porém, foram interrompidas em julho devido à ameaça de greve dos funcionários.
Como mostrou O GLOBO, neste início de setembro os Correios avançaram na negociação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões e enviaram a proposta para análise do Ministério da Fazenda sobre a capacidade de pagamento da empresa na semana passada. O governo federal deve ser avalista e dar a garantia para o financiamento.
*Com informações do O Globo




