Tarcísio rebate Haddad após crítica à política fiscal de SP: ‘Quebrou o Brasil’ 

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Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) - Foto: Paulo Guereta/Governo de São Paulo

Governador de São Paulo acusa ex-ministro da Fazenda de ser responsável por endividamento e alta de juros, em meio a disputa política.


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reagiu nesta terça-feira (5.mai), às críticas do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) sobre a política fiscal do estado. Tarcísio acusou Haddad de ter “quebrado o Brasil” e de ser responsável pelo alto endividamento e juros elevados.

Em coletiva de imprensa, Tarcísio afirmou que o petista “não trabalhou durante três anos” e deixou como legado o endividamento da população e a alta taxa de juros: “Era só o que faltava o Haddad vir falar de política fiscal do Estado de São Paulo. Está de brincadeira. O cara que quebrou o Brasil vai falar do Estado de São Paulo? Eu teria vergonha”, afirmou Tarcísio, acrescentando que o “legado” de Haddad no governo federal inclui alto endividamento da população e a elevada taxa de juros.

Antes, em discurso, Tarcísio já havia feito críticas indiretas a Haddad e ao governo federal. “Está na hora de dar cartão vermelho para essa turma, que eles não vão voltar mais”, disse, em evento de balanço anual de seu programa de infraestrutura, o “São Paulo Pra Toda Obra”.

São Paulo sem caixa?

Recentemente, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) fez críticas à saúde financeira de São Paulo e chegou a afirmar que a gestão Tarcísio é a pior desde o governador Luiz Antônio Fleury, eleito em 1990.

“Se não fosse a renegociação da dívida que eu conduzi junto com o Rodrigo Pacheco, que era presidente do Congresso, São Paulo acho que não fechava o mandado dele [Tarcísio]. São Paulo está sem caixa. Ele recebeu do governo anterior um volume de recursos em caixa. E ele não tem dinheiro hoje. E vendendo a Sabesp, aumentando a conta de água, renegociando a dívida. Se não fosse isso, São Paulo estaria ainda pior”, afirmou o petista em entrevista ao portal Metrópoles.

Tarcísio disse ainda que “quem questiona a saúde financeira de São Paulo” deixou um aumento de sete pontos na relação dívida/PIB. Ele acrescentou que foi deixado como legado uma massa de inadimplentes, um recorde de recuperações judiciais, a maior carga tributária e a segunda maior taxa de juros reais do mundo.

“Tem gente que precisa ser aposentada. E posso falar? Serão aposentados este ano”, continuou o governador, que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Críticas à gestão federal

Na coletiva, ao ser questionado sobre a declaração de Haddad de que seria submisso a Donald Trump e de que o tarifaço teria prejudicado mais o Estado de São Paulo do que outras unidades da federação, Tarcísio respondeu: “O que tem a ver o Estado de São Paulo com o Trump? A gente não faz política externa aqui. Não trabalhou durante três anos e agora quer ficar falando besteira.”

O evento, que reuniu dezenas de prefeitos na sede do governo paulista, também contou com outras falas críticas ao PT. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por exemplo, mencionou o gasto trilionário com juros da dívida pública e o fato de o Brasil continuar com a segunda maior taxa de juros reais do mundo.

Em nota, Fernando Haddad rebateu as declarações de Tarcísio e acusou o governador de São Paulo de “destruir as finanças do estado”. “O Governo Lula recebeu das mãos do governo Bolsonaro uma peça orçamentária fictícia com déficit primário em 2023 de 63 bilhões de reais registrados na PLOA. Somando isso aos calotes nos precatórios, nos governadores e no bolsa família, o déficit entregue por Bolsonaro a Lula foi de mais de R$ 200 bilhões. Situação muito diferente do orçamento que será encaminhado ao Congresso na PLOA 2027”, disse Haddad.

“O que o governador Tarcísio de Freitas está fazendo em São Paulo é o que seu padrinho fez no plano federal. O governador insiste que o estado tem R$ 23 bilhões de caixa bruto em 2025, mas não conta o detalhe que esse “caixa bruto” após descontadas as obrigações já contratadas e restos a pagar deixa um saldo líquido de caixa de apenas R$ 5,4 bi, além de ter tido o pior resultado orçamentário da história de SP e no acumulado dos 3 primeiros anos ter piorado muito o resultado primário do Estado. Em resumo: estão destruindo as finanças do Estado e a situação só não está pior por causa da ajuda do governo Lula ao estado e da venda de patrimônio público em certames duvidosos”, concluiu o ex-ministro da Fazenda.

*Com informações da IstoÉ