SOBRIEDADE JÁ – NO MEIO DO MILAGRE HAVIA UMA PEDRA

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    Você acredita em milagres?

    Me lembro numa reunião com familiares dos acolhidos aqui do Novo Sinai, eu disse a eles que para que pessoa que eles vieram visitar saísse das drogas, seria somente por um milagre…

    Daí, imagine a perplexidade de todos, afinal de contas eles vieram esperando ouvir algo pelo menos um pouco mais otimista. E eu vendo ali até um certo ar de decepção, percebi o quanto que as pessoas tem uma ideia, às vezes equivocada sobre milagre. Porque com um pouco mais de atenção vamos perceber que milagres acontecem com muito mais frequência do que a gente imagina.

    Uma definição minha de milagre, seria algo que acontece, independente da condição humana em fazer acontecer. Talvez a definição de um dicionário pode variar um pouco, mas a ideia aqui não é somente uma definição fria de um dicionário, porque o sol nascer, a chuva, uma semente que brota, até o crescimento da unha do meu dedo, do meu cabelo, é um milagre. Eu não consigo decidir pra que isso aconteça ou não; e acontece!

    Você se atreveria a ordenar, por exemplo, que a partir de hoje sua unha não crescesse mais? Ou que o sol não nascesse? Percebe que são coisas corriqueiras que se repetem, acontecem toda hora, mas dentro dessa visão, são milagres, porque humanamente eu não posso fazer.

    Então olhando por esse prisma, podemos chegar à conclusão de que milagres acontecem toda hora.

    O próprio dicionário define milagre como algo sobrenatural, é um prodígio, etc., mas mesmo um dicionário feito por um ateu, nunca iria dizer que milagre é algo impossível.

    Quem sabe esse simples argumento pode mudar sua resposta em relação à pergunta que eu fiz no começo: você acredita ou não em milagre?

    A ideia aqui é criar uma convicção de que milagre não é algo impossível.

    Então, convicto de que milagre existe, quero passar um detalhe que coopera decididamente para que o milagre aconteça: é a participação humana no milagre:

    Primeiro é o desejo; o segundo é a convicção, que você pode até chamar de fé; e o terceiro é a ação, o mover-se em direção ao milagre.

    Então já que o assunto é milagre, claro que tenho que citar aqui o maior especialista em milagres que já existiu: JESUS!

    Vou me basear em uma passagem conhecida de um dos milagres de Jesus: aquele que Ele ressuscita Lázaro, que há quatro dias havia morrido e como suas irmãs afirmavam, já cheirava mal.

    Aliás, imagino até trazer alguém à vida seja um dos maiores milagres; já que a vida é o maior dom, então devolver este dom a alguém, é um milagre sem igual, o maior.

    E na cena deste milagre que eu quero chamar sua atenção, é justamente onde fica clara a participação humana. Veja bem: Jesus chega diante do túmulo de Lázaro e diz para as pessoas que estavam ali em volta: “Tirem a pedra.” E depois Ele diz: “Lázaro, saia para fora.” E Lázaro saiu. Eu imagino a perplexidade de todos ali. Jesus fazer um homem sair do túmulo depois de quatro dias sepultado.

    Poderíamos estar então contando a história a partir daí: do resultado do milagre. E se não houver um pouco de atenção, um pouco de sensibilidade, realmente passa despercebido que antes de Jesus dizer, “Lázaro, saia daí”, Ele disse: “Tirem a pedra.” Aí que está! Imagine se aquele Deus feito Homem, ou se esse Homem feito Deus, que tinha o poder para ressuscitar um homem depois de quatro dias de morto, Ele não poderia dizer também para a pedra: “Pedra, saia daí. Não atrapalhe eu ressuscitar meu amigo.”

    Seria até plasticamente mais bonito, mais mirabolante. Imagine uma pedra de toneladas como vemos nos filmes, flutuando sobre as pessoas e acomodando-se do lado…  Seria também um milagre remover a pedra, já preparando para o milagre principal… o primeiro milagre seria a pedra se mover sozinha dali.

    Acontece que dizer para um morto “levanta e viva”, é impossível para nós, humanos, agora, tirar a pedra por mais pesada que ela seja, a gente se junta, se esforça e consegue tirar.

    Pode ser essa então a causa de que muitos milagres não acontecem. A gente não tira a pedra. Eu quero que Deus faça o impossível, e quero também que Ele faça o possível.

    Tirar a pedra não é milagre, é sim condição para que o milagre aconteça.

    Imagine se aqueles homens questionassem Jesus e não tirassem a pedra da frente do túmulo. Não sei, Lázaro poderia continuar morto.

    Tirar a pedra é uma questão de fé, mas é também questão de atitude, dar ação a decisão humana.

    Qual pedra pode estar sendo um obstáculo para que o milagre aconteça na sua vida, ou na vida de alguém da sua família?

    A pedra inibe o nosso olhar em direção ao milagre. Ela impede que olhemos bem no fundo dos nossos túmulos, e acaba impedindo que a vida renasça de lá de dentro. A pedra fecha nossos ouvidos e não ouvimos a voz divina chamando “vem pra fora!”. Nossa indiferença ou nossa pouca vontade em retirar a pedra, faz apodrecer nossas vidas que ainda existe lá dentro para ser vivida.

    Retirar pedras pode fazer milagres se transformarem mais em rotina na sua vida do que em exceção.

    Tire a pedra! E faça da sua vida não um mistério a ser desvendado, mas sim um milagre a ser vivido!

    Vou repetir:

    A vida somente será plena quando você deixar de vê-la como um mistério a ser desvendado e contemplá-la como um milagre a ser vivido!

    Se no meio do seu milagre tem uma pedra, tire-a e deixe o milagre acontecer!

    Por Carlinhos Marques

    Presidente Fundador da Comunidade Terapêutica Novo Sinai, que acolhe dependentes químicos desde 2005 de forma voluntária e gratuita, idealizador do projeto “Sobriedade Já”


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