SOBRIEDADE JÁ

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

RESOLVA TODOS OS SEUS PROBLEMAS

Um rapaz entrou numa livraria à procura de um livro de autoajuda, encontrou um título tentador: “Resolva todos os seus problemas”.

Perguntou ao vendedor:

— Seja sincero: com esse livro, resolvo mesmo todos meus problemas?

— Todos eu não garanto, mas metade, tenho certeza!

O rapaz não pensou duas vezes:

— Então vou levar dois!

A piada revela algo humano: a pressa por soluções fáceis para problemas complexos. Não faltam publicações prometendo transformar a vida com fórmulas prontas, disciplina e força de vontade. A motivação é boa; o problema começa quando acreditamos que somos capazes de tudo sozinhos.

A motivação pode virar soberba, a autoconfiança pode se transformar em arrogância e a vontade de vencer nos faz esquecer uma verdade simples: somos humanos, não super-heróis. Há batalhas que exigem tempo e humildade. Pedir apoio não é fraqueza, às vezes, é a decisão mais corajosa.

Crescer também é reconhecer os próprios limites, aceitar a mão de alguém e confiar em Deus. Nem todo problema tem solução imediata, nem cabe num manual. Talvez a mudança comece quando deixamos de fingir que damos conta de tudo e admitimos sem vergonha: há coisas que não consigo resolver sozinho.

“Levai os fardos uns dos outros.” (Gálatas 6,2)

PAIS SÓ DE CORPO PRESENTE

Filhos de pais inteligentes tendem a apresentar bons resultados intelectuais. E filhos adotivos criados por esses mesmos pais também podem se beneficiar desse ambiente. Isso ensina: Nem toda herança vem dos genes, algumas vêm da convivência e valem mais que traços físicos.

A criança aprende antes de falar, aprende no colo que protege, no diálogo, nas conversas à mesa

e no exemplo que observa. Pais ensinam a pensar, enfrentar dificuldades e olhar o mundo. Educar é também ensinar pelo modo como vivemos.

Mas essa presença também pode ferir. Pais agressivos, indiferentes ou que educam pela humilhação deixam marcas que não aparecem nos exames. E a ausência também educa, só que pelo vazio. Quando os adultos não ocupam seu lugar, outras vozes podem preencher esse espaço, e nem sempre as melhores.

Filhos não precisam de pais perfeitos, essa espécie ainda não foi encontrada. Precisam de adultos disponíveis, capazes de escutar, corrigir sem destruir e amar sem sufocar. Podem receber referências, segurança e caminhos, mais valiosos que uma herança material. A pergunta é: que parte de nós nossos filhos levarão para a vida?

“Ensina o menino o caminho que deve seguir.” (Provérbios 22,6)

PROCURA-SE A MULHER PERFEITA

Um rapaz decidiu procurar a mulher perfeita e avisou aos amigos que só voltaria quando a encontrasse. Depois de muito tempo, apareceu de volta. Os amigos perguntaram:

— Encontrou?

— Encontrei!

— E aí, cadê ela?

Ele respirou fundo:

— Ela também estava procurando o homem perfeito!

A história revela uma contradição; queremos alguém paciente, compreensivo e generoso, mas nem sempre nos esforçamos para desenvolver essas qualidades. Exigimos uma pessoa sem defeitos, embora convivamos com os nossos. Buscamos a outra metade da laranja sem notar que talvez sejamos um limão!

Relacionamentos, sejam amizades ou vida a dois, não se sustentam pela perfeição, mas pela disposição de crescer juntos. Isso não significa aceitar desrespeito ou violência, significa reconhecer limites, conversar com honestidade, respeitar diferenças e aprender a reparar os erros.

Talvez o par ideal seja quem nos ajude a atravessar desacordos sem transformar tudo em guerra. Não precisamos de alguém moldado aos nossos sonhos, mas de disposição para construir algo real.

No fim, talvez a felicidade não esteja em encontrar a outra metade da laranja, mas em reconhecer nossas diferenças e aprender, juntos, a fazer uma boa limonada.

“O amor é paciente, o amor é bondoso.” (1 Coríntios 13,4)

A VIDA É JUSTA?

“A vida não é justa.” Será mesmo? Se ela não é justa para ninguém, isso a torna justa? Alguns nascem com oportunidades, outros começam carregando pedras que não escolheram. Não podemos ignorar essas diferenças nem dizer a quem sofre que basta pensar positivo.

A vida é desigual, reconhecer isso nos torna mais humanos. O privilégio aparente pode esconder lutas, uma dificuldade também pode ser apenas parte da história. Comparar caminhos diferentes só aumenta a sensação de injustiça.

Há injustiças que precisam ser denunciadas e situações que exigem mudança. Mas, além de perguntar por que recebemos determinadas cartas, vale perguntar o que podemos fazer com elas. Não escolhemos todas as cartas, mas podemos escolher como jogar essas cartas e ajudar quem recebeu cartas piores.

Talvez a pergunta não seja apenas “Por que a vida não é justa comigo”? Mas “O que posso fazer com a vida que recebi para torná-la melhor e mais justa para alguém?”. Nem sempre recebemos o que esperamos, mas podemos oferecer algo bom. E fica a provocação: E você, tem sido justo com a vida que recebeu?

“A quem muito foi dado, muito será exigido.” (Lucas 12,48)

DEUS CONTINUA SENDO AMOR, E AMOR CONTINUA SENDO AMOR…

A Bíblia define Deus de modo profundo: Deus é amor. Mas a ideia de amor anda distorcida. Às

vezes, confundimos amar com gostar, desejar, concordar ou precisar de alguém, como se amar fosse garantir que tudo aconteça do nosso jeito.

São João aponta para algo maior: o amor verdadeiro acolhe, mas também orienta; consola,

mas também corrige; respeita, mas não chama o erro de acerto só para evitar desconforto. Amar não é controlar nem humilhar, é desejar o bem do outro, inclusive quando esse bem exige uma mudança difícil.

Caricaturamos Deus quando pensamos que, por ser amor, Ele precisa aprovar todas as escolhas. Também reduzimos o amor a uma sensação agradável, sem compromisso ou verdade. Amor não é licença para fazer qualquer coisa, nem desculpa para tratar alguém de qualquer jeito.

Não se trata de justificar crueldades nem de atribuir a Deus nossos impulsos de vingança. Significa compreender que o amor divino não é capricho, é cuidado que chama à vida e à conversão. Deus continua sendo amor, sempre. Estamos dispostos a aprender o que essa palavra significa, mesmo quando contraria nossa vontade?

“Deus é amor.” (1 João 4,8)

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”

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