SOBRIEDADE JÁ

11
Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

SANTO MESMO, AJUDA A SUBIR

Você já ouviu aquele ditado: “Pra descer, todo santo ajuda”? Pois é… descer é fácil. Basta soltar o freio e deixar a gravidade fazer o trabalho. Na vida também acontece assim. Para perder a esperança, desistir ou se afastar de Deus, basta uma dificuldade.

Mas vamos contrariar o ditado: santo, ajuda a subir!

São Francisco, Santa Teresa, São Padre Pio e tantos outros não escolheram o caminho mais fácil. Subiram contra a maré, contra o comodismo, contra o orgulho e, contra as próprias fraquezas.

Essa talvez seja uma das grandes diferenças entre simplesmente existir e decidir viver com propósito.

Quando olhar para um santo, não pense apenas numa imagem sobre o altar ou em alguém que já está no céu. Pense em alguém que encontrou um caminho para cima e teve coragem, fé e decisão para percorrê-lo.

As imagens dos santos não estão ali apenas para serem admiradas. Elas nos lembram de uma postura: pessoas comuns que escolheram buscar a vontade de Deus.

Porque, no fim, é isso que todos precisamos aprender: nascer nos coloca no caminho, mas é preciso coragem para continuar subindo.

“Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.” (Levítico 19,2)

NEM TODO LEÃO É MANSO

Esses dias, ouvi uma história sobre uma criança que foi atacada por um leão em um zoológico. Uma tragédia, e qual seria a melhor maneira de se evitar?

A resposta parece óbvia: manter distância.

Pois é. Com nossas “feras” interiores acontece algo parecido.

Todos temos tentações, situações e ambientes que sabemos que podem nos colocar em risco. E existe uma sabedoria simples: não precisamos provar nossa força diante de tudo que nos desafia.

No Pai-Nosso, pedimos: “Não nos deixeis cair em tentação”. E uma das melhores maneiras de não cair seja não ficar brincando de chegar perto do precipício.

Às vezes pensamos: “Eu consigo controlar. Não vai acontecer comigo.” Pode até ser. Mas por que testar?

Quem sabe que determinado caminho pode levá-lo à queda não precisa caminhar até a beira para provar que consegue voltar.

Tentação não se vence apenas dizendo “não”. Muitas vezes, vence-se antes, quando decidimos prudentemente não chegar perto.

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação.” (Mateus 26,41)

DEUS TEM CIÚMES DE NÓS

Você sabia que, na Bíblia, está escrito que Deus tem ciúmes de você? Você poderia me dizer: Mas ciúme não seria uma característica só humana? Acontece que o ciúme de Deus não é como o nosso, Ele não perde o controle, nem perde a razão.

E esse “ciúme divino” não é sem motivo não. É que Deus não quer te perder para outro “amor”. Ele te quer por perto.
Então quando São Tiago diz que Deus tem ciúmes de nós, ele faz uma comparação com o ciúme humano para mostrar que Deus nos basta.

E convenhamos: é bem diferente daquele ciúme doentio entre homens e mulheres.

O ciúme divino é um ciúme que protege, que lembra o nosso pertencimento. Se o Criador do universo tem ciúmes de mim e de você, é porque Ele provavelmente tem mais certeza do nosso valor do que nós mesmos.

Tiago 4,5: “Porventura julgais que a Escritura diga em vão: O Espírito que habita em nós ama-nos com ciúme?”

DOIS EXTREMOS: MÁGOA E GRATIDÃO

Gratidão é muito mais do que dizer “muito obrigado”. Às vezes, ela aparece num olhar, num gesto ou numa lembrança.

Você chega em casa e seu cachorro balança o rabo. Ele não precisa dizer nada. É como se dissesse: “Que bom que você voltou!”

Existe uma imagem muito bonita atribuída ao Papa Francisco: uma árvore que cai faz muito mais barulho do que uma floresta inteira crescendo. Talvez seja assim também dentro de nós.

Uma ofensa faz barulho. As coisas boas, muitas vezes, acontecem silenciosamente.

Por isso, podemos passar horas pensando em quem nos feriu e esquecer dezenas de pessoas que nos fizeram bem.

A mágoa prende nossa atenção no que faltou. A gratidão nos devolve o olhar para aquilo que recebemos.

E existe uma diferença importante: a vingança cria a ilusão de que estamos recuperando alguma coisa. A gratidão, ao contrário, reconhece que nossa história também foi construída por outras pessoas.

Agradecer não significa negar as feridas. Significa não permitir que elas sejam maiores do que tudo de bom que a vida também nos ofereceu.

A felicidade talvez não esteja em conquistar sempre mais, mas em aprender a perceber o valor daquilo que já temos.

“Em tudo daí graças.” (1 Tessalonicenses 5,18)

DEPOIS DA ELEIÇÃO, SÓ UM SANDUÍCHE ESTÁ BOM

Imagine que você encontra alguém passando fome na rua. Na correria, você entrega R$ 100 a uma pessoa de sua confiança e pede que compre uma boa refeição.

Você foi generoso. Mas imagine que essa pessoa pense: “Para que tudo isso? Um sanduíche já resolve.” Compra um sanduíche, gasta pouco e decide o destino do restante do dinheiro.

A comparação é simples, mas provoca uma reflexão sobre responsabilidade pública.

Quando elegemos alguém, confiamos a essa pessoa a administração de recursos que pertencem à coletividade. São recursos destinados a saúde, educação, segurança, infraestrutura e tantas outras necessidades.

Por isso, a relação entre cidadão e poder público não deveria terminar depois da eleição. Acompanhar, fiscalizar, cobrar transparência e conhecer como os recursos são utilizados também faz parte da cidadania.

Não se trata apenas de perguntar quanto foi gasto, mas se aquilo que foi planejado realmente atende às necessidades da população.

A democracia não é somente o momento de colocar um voto na urna. É também o compromisso permanente de acompanhar as decisões tomadas em nome da sociedade.

No fim, a pergunta talvez seja simples: quando confiamos recursos públicos a alguém, estamos atentos para saber se a “refeição” realmente chegou à mesa de quem precisava?

“A quem muito foi dado, muito será exigido.” (Lucas 12,48)

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”

@novosinai

@carlinhosmarques_novosinai

[email protected]

www.novosinai.org.br