SOBRIEDADE JÁ

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

SEJA REALISTA, ACREDITE MAIS EM MILAGRES

Via de regra, muita gente acha que acreditar demais é sinal de ingenuidade. Mas quem vive olhando só para o chão nunca consegue enxergar o céu.

Não confunda ser realista com perder a esperança. O verdadeiro realista entende que a vida é dura, mas também entende que Deus age justamente no meio da dureza.

Milagre não é negação da realidade. Pelo contrário: ele nasce dentro dela. Foi no deserto que apareceu água. Foi na fome que apareceu pão. Foi no caos que Deus sempre encontrou espaço para surpreender.

Só que as dores da vida fazem algumas pessoas tirarem diploma em pessimismo. Acordam já esperando o pior, como quem acha que sofrer antes evita sofrimento depois.

Mas milagre é acreditar que nenhuma realidade é maior que Deus. É não permitir que o pessimismo roube a capacidade de se surpreender. Porque, sinceramente, milagres acontecem todos os dias: quando o sol nasce, quando o coração continua batendo, quando a alma encontra força mesmo cansada.

Acreditar em milagres talvez seja uma das formas mais inteligentes de permanecer vivo, vivo por dentro.

“Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.” (Mateus 19,26)

ESPELHO, ESPELHO MEU, EXISTE ALGUÉM MELHOR QUE EU?

Existe uma frase conhecida que diz: uma árvore caindo faz mais barulho do que uma floresta inteira crescendo. E talvez isso explique muita coisa sobre nós.

Às vezes é difícil ver o outro prosperar. Mas basta alguém tropeçar para o assunto virar espetáculo.

Vivemos numa cultura de comparação constante, como se a vida fosse competição o tempo inteiro. Aprendemos a enxergar o sucesso do outro quase como ameaça pessoal.

E é aí que nascem a inveja e o ciúme. O medo de ficar para trás faz o sucesso alheio doer mais do que o próprio fracasso.

Mas a vida não é esse jogo em que a vitória de um exige a derrota do outro.

Lembrei da história da Branca de Neve. Se a madrasta tivesse aceitado a resposta do espelho, talvez o final fosse outro. Mas o ego raramente suporta perder o posto de “mais”.

O desafio da maturidade é olhar para o espelho e dizer:

“E se existir alguém melhor do que eu, que eu consiga comemorar.”

Porque o brilho do outro não diminui a nossa luz.

“Alegrai-vos com os que se alegram.” (Romanos 12,15)

APRENDENDO O QUE NÃO PASSA

Deus poderia ter criado o homem autossuficiente, sem precisar de ninguém. Mas preferiu que, na necessidade uns dos outros, aprendêssemos aquilo que nunca vai passar: o amor.

A gente passa a vida juntando coisas que passam. Corre atrás de dinheiro, status, reconhecimento, objetos, e esquece que o tempo ou a própria morte arrancam tudo aquilo que parecia indispensável.

E então chega à pergunta inevitável: “E agora, o que sobrou?”

No fim, sobra justamente aquilo que muitos deixaram por último: o amor.

Ninguém aprende amor sozinho. Aprende-se no cuidado, na paciência, no perdão, no peso dividido e nas pequenas renúncias que quase ninguém vê.

Talvez seja por isso que Deus nos permitiu precisar tanto uns dos outros. Porque a necessidade também educa o coração.

São Paulo já dizia que profecias, ciências e conhecimentos passarão, mas o amor não passará.

Jesus, ao deixar o mandamento do amor, estava ensinando justamente isso: a única coisa que continuará existindo quando tudo acabar é o quanto fomos capazes de amar.

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, porém a maior delas é a caridade.” (1 Coríntios 13,13)

O QUE A DOR REVELA DE VOCÊ?

Uma laranja, quando espremida, libera suco. O limão libera sua acidez. A fruta não inventa algo novo na pressão; ela apenas revela o que já estava dentro dela.

E a vida funciona assim com a gente.

Enquanto tudo está bem, é fácil parecer calmo, paciente e cheio de fé. O problema é quando a vida aperta. Quando chegam a crítica, o cansaço, a injustiça e a decepção. Aí não sai personagem, sai essência.

Tem gente que, quando é espremida, derrama agressividade. Outros liberam orgulho, arrogância ou amargura. Mas também existem aqueles que, mesmo feridos, ainda conseguem oferecer mansidão, esperança e bondade.

A pressão não cria nosso conteúdo. Ela revela.

E talvez o grande desafio da vida não seja evitar ser espremido, porque isso é impossível. O verdadeiro desafio é cuidar do que estamos colocando dentro do coração.

Porque mais cedo ou mais tarde a vida aperta. E, nessa hora, sai de nós exatamente aquilo que cultivamos em silêncio.

“A boca fala da abundância do coração.” (Lucas 6,45)

ESQUECI DE VIVER

Cada vez mais a gente aprende a sobreviver, e desaprende a viver.

A correria virou troféu. A agenda cheia parece dizer ao ego: “Viu como você é importante?”

Mas viver nunca foi apenas estar ocupado o tempo inteiro. Viver é perceber a vida acontecendo enquanto ela acontece.

Só que tentando dar conta de tudo, a gente não vê as crianças crescendo, nem percebe a mãe envelhecendo. Vai adiando a felicidade como quem guarda uma roupa nova para uma ocasião especial que nunca chega.

E viver é mais do que respirar. É sentir. É se emocionar. É ouvir uma música inteira e, se gostar, repetir mais três vezes. É rir sem culpa. É rezar sem pressa.

Uma das tristezas mais silenciosas da vida é perceber tarde demais que, tentando ganhar a vida, você perdeu boa parte dela pelo caminho.

Porque viver só de obrigações faz a alma secar por dentro.

Ninguém nasceu apenas para existir. Nós nascemos para viver.

“Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” (João 10,10)

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”

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