Sessão da Câmara tem aprovação de crédito de R$ 4,2 milhões para a Saev Ambiental e B.O. por injúria 

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Sessão da Câmara tem aprovação de crédito de R$ 4,2 milhões para a Saev Ambiental e B.O. por injúria - Foto: Reprodução

Após a 4ª sessão ordinária, o vereador e líder do Governo Jorge Seba/Luiz Torrinha, Sargento Marcos Moreno (PL), acionou a PM para o registro de boletim de ocorrência por injúria após ter sido, segundo ele, chamado de “ladrão” pelo grupo que protestava nas galerias contra o aumento nas faturas de água.


Jorge Honorio
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O grupo de manifestantes que protesta contra o aumento nas faturas de água em Votuporanga/SP voltou à Câmara Municipal durante a 4ª sessão ordinária desta quarta-feira (18.fev). Com menor adesão, mas muita energia, os integrantes voltaram a pedir providências sobre o caso que persiste como pauta desde a 1ª sessão de 2026 do Poder Legislativo local, em 26 de janeiro.

Entre os projetos aprovados, se destacou a abertura de crédito adicional especial no valor de R$ 4.295.000,00, destinado à Saev Ambiental. O uso, ou pelo menos parte dele, já havia sido votado e aprovado no exercício anterior, no ano passado, e a nova autorização da Casa de Leis passou sem grandes resistências, exceto pelos manifestantes que pediam a recusa do projeto até que fosse solucionado a questão do aumento nas faturas de água.  

A irritação ficou maior quando os manifestantes descobriram que o montante, ou quase todo o recurso é fruto de superávit financeiro da Autarquia apurado em balanço patrimonial do exercício anterior. 

Entre os objetivos de emprego para os R$ 4,2 milhões, segundo o Poder Executivo, autor do projeto, aparecem: aquisição de instalação de hidrômetros; aquisição e instalação de micromedidores; substituição de interceptor de esgotos às margens do Córrego Boa Vista; implantação de sistema de compostagem, adequação de viveiro de mudas, e implantação de percurso sensorial no Horto Florestal; e Gestão Ambiental.

Durante as votações dos pareceres, os manifestantes subiram o tom dos protestos e passaram a discutir o projeto com os vereadores, dentre Emerson Pereira (PSD), que acabou imbuído de convencer os colegas e o público da necessidade de aprovação do projeto. Por fim, a iniciativa passou por 9 votos a 5, tendo votado favoráveis: Carlim Despachante (Republicanos), Mehde Meidão (PSD), Ricardo Bozo (Republicanos), Gaspar (MDB), Marcão Braz (PP), Sargento Marcos Moreno (PL), Serginho da Farmácia (PP) e Vilmar da Farmácia (PSD).

Já Cabo Renato Abdala (PRD), Osmair Ferrari (PL), Natielle Gama (Podemos), Wartão (União Brasil) e Débora Romani (PL) votaram contra.

A discussão central se deu, justamente, devido a um dos itens apontados no projeto, à substituição de interceptor de esgotos às margens do Córrego Boa Vista, um problema que vem se arrastando no último ano.

Uma série de vazamentos de esgoto em córregos de Votuporanga tem sido denunciado por vereadores como Wartão (União Brasil), Cabo Renato Abdala (PRD) e Débora Romani (PL). A questão ambiental já chegou as barras da Justiça, conforme noticiado pelo Diário, e deve retornar em breve, uma vez que os manifestantes coletam assinaturas para um novo protocolo no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Vereador afirma ter sido chamado de ‘ladrão’ e aciona a Polícia Militar; dois manifestantes foram identificados

Após a aprovação do projeto de liberação do recurso para a Saev Ambiental, parte do grupo de manifestantes deixou o Plenário “Dr. Octavio Viscardi” e o ritmo da sessão arrefeceu. Contudo, uma movimentação atípica de policiais militares chamou a atenção, tratava-se de um chamado do vereador e líder do Governo Jorge Seba/Luiz Torrinha, Sargento Marcos Moreno (PL), que acionou a corporação para o registro de uma ocorrência por injúria, onde afirmou ter sido chamado de “ladrão”.

Ao Diário, nesta quinta-feira (19), o parlamentar confirmou ter efetuado o registro da ocorrência e explicou: “Registrei sim, porque nos ofenderam, chamando de ladrão.”

O vereador contou ainda ter identificado duas pessoas que foram arroladas no boletim de ocorrência, além de um vídeo comprovando a ofensa ou conduta injuriosa: “Acredito que eles possam fazer a manifestação, é louvável, mas tem que permitir o nosso uso da tribuna. Acho que não estamos conseguindo falar, conseguindo expor, falar sobre o nosso trabalho e além de tudo isso ainda levar nome de ladrão? Eu abomino ladrão, abomino mesmo, então não vou ser um nunca”, completou o Sargento Marcos Moreno.

Na prática, esse não é o primeiro embate entre o parlamentar e os manifestantes. Conforme noticiado pelo Diário, durante a 2ª sessão ordinária da Câmara, no dia 2 de fevereiro, o vereador chegou a ameaçar o uso da repressão estatal, caso não tivesse seu tempo de fala garantido. Em resposta, um grupo de manifestantes, em sua maioria mulheres, se levantaram e ficaram de costas para a tribuna. Apesar das rusgas, não houve intervenção da Polícia Militar e o ato transcorreu sem incidentes.