
Lincoln Gakiya, integrante do Gaeco de Presidente Prudente e referência nacional no combate ao crime organizado, teve o nome ventilado para assumir uma eventual pasta da Segurança Pública no próximo governo Lula (PT).
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, está entre os nomes cotados para assumir um eventual Ministério da Segurança Pública no próximo governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A possibilidade ganhou força após um encontro realizado na semana passada na residência do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha petista em São Paulo. Durante a reunião, Gakiya foi consultado sobre os principais desafios da segurança pública e compartilhou sua experiência no enfrentamento ao crime organizado.
Procurado, o promotor afirmou que não recebeu convite oficial e, por isso, preferiu não comentar o assunto. Marco Aurélio de Carvalho também confirmou que não houve convite formal, ressaltando que Lula ainda não iniciou as definições para a composição do futuro ministério.
Referência no combate ao PCC
Com quase 30 anos de atuação no Ministério Público, Gakiya é considerado um dos principais especialistas do país no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Promotor em Presidente Prudente desde 1996, ele passou a atuar diretamente contra a facção após a transferência de integrantes da cúpula do grupo criminoso para unidades prisionais da região oeste paulista.
Ao longo da carreira, participou de investigações que atingiram a estrutura financeira e operacional da organização criminosa, além de ter sido autor do pedido que resultou, em 2019, na transferência de 22 líderes do PCC para presídios federais de segurança máxima, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Vida sob escolta
A atuação contra o PCC transformou a rotina do promotor. Há anos, Gakiya vive sob escolta armada permanente devido às ameaças atribuídas à facção.
Investigações recentes identificaram planos para atentados contra o promotor, incluindo o monitoramento de seus deslocamentos e de sua residência por integrantes ligados à organização criminosa.
Em entrevistas anteriores, Gakiya afirmou que convive com ameaças desde 2005 e que sua vida pessoal passou a ser profundamente impactada pelas medidas de segurança.
Definição depende do Congresso
A criação do Ministério da Segurança Pública ainda depende da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Congresso Nacional.
Caso a nova pasta seja criada, o presidente Lula deverá escolher entre um nome com perfil técnico, ligado às forças de segurança e ao Ministério Público, ou um nome de perfil político.
Além de Gakiya, o ex-ministro da Educação Camilo Santana também aparece entre os nomes mencionados nos bastidores para ocupar a futura estrutura.




