Endividadas e inadimplentes: famílias brasileiras batem dois recordes ao mesmo tempo 

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No caso das pessoas físicas, a inadimplência permaneceu em 6% em setembro, o maior patamar da série histórica — Foto: Reprodução

Inadimplência das pessoas físicas chegou ao maior nível da série histórica, enquanto as dívidas já consomem mais da metade da renda anual das famílias.


A inadimplência das famílias brasileiras voltou a atingir um patamar recorde. Dados divulgados nesta quinta-feira (29.out) pelo Banco Central mostram que 6% das operações de crédito contratadas por pessoas físicas estavam com atraso superior a 90 dias em setembro, o maior índice desde o início da série histórica, em 2011.

O resultado evidencia a dificuldade crescente dos consumidores para manter o pagamento de financiamentos, empréstimos e outras modalidades de crédito em dia. 

Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias também alcançou um novo recorde. Segundo o Banco Central, as dívidas passaram a representar 50,1% da renda anual das famílias brasileiras em agosto, a primeira vez que o indicador supera a marca de 50%.

O avanço da inadimplência ocorre mesmo após o lançamento de programas federais de renegociação de débitos, como o Novo Desenrola Brasil. Na última semana, o governo anunciou uma nova etapa da iniciativa, com previsão de renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas de cartão de crédito e crédito pessoal.

O Banco Central avalia que os juros elevados continuam pressionando o orçamento das famílias e contribuindo para o aumento da inadimplência. Segundo a instituição, o peso crescente das linhas de crédito mais caras preocupa e tem motivado a adoção de medidas para reduzir riscos no sistema financeiro.

Entre elas está a nova regulamentação que exigirá autorização prévia dos clientes para o recebimento de ofertas de empréstimos por meio do ambiente Pix, medida que passa a valer em março de 2027.

Apesar dos esforços para renegociar dívidas e ampliar o controle sobre a oferta de crédito, os números mostram que a situação financeira das famílias brasileiras segue pressionada, com mais consumidores enfrentando dificuldades para honrar seus compromissos.