Professores dão ultimato ao governo de SP e convocam assembleia para votar indicativo de greve 

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Professores dão ultimato ao governo de SP e convocam assembleia para votar indicativo de greve – Foto: Reprodução

Categoria protesta contra demissões em massa, apagão na atribuição de aulas e avanço da privatização na gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).


O Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo/SP, será palco nesta sexta-feira (6.mar), às 16h, de uma decisiva Assembleia Estadual da Apeoesp. O principal item da pauta é a votação de um indicativo de greve das professoras e professores da rede estadual, uma resposta da entidade à falta de avanços nas negociações com o governo paulista em relação às reivindicações da categoria.

“A categoria e todos os usuários da escola pública vivem um dos piores quadros na condução das políticas educacionais e por isso os professores irão até as últimas consequências na luta em defesa dos direitos e da garantia de ensino de qualidade. Se não houver atendimento às reivindicações, será decretada greve”, diz informe da entidade.

Antes do ato na Paulista, pela manhã, o Conselho Estadual de Representantes do sindicato se reúne para mapear a adesão nas regiões e consolidar as propostas encaminhadas pelas subsedes, que guiarão as deliberações do período da tarde.

O início do ano letivo, de acordo com o sindicato, foi marcado por demissões em massa, um “apagão” na atribuição de aulas e um clima de total insegurança nas escolas. Para a deputada estadual Professora Bebel (PT), segunda presidenta da Apeoesp, o momento exige uma resposta firme da classe trabalhadora contra o desmonte.

“Temos professores que ainda enfrentam problemas na atribuição, escolas com instabilidade e uma política que vem tensionando a carreira. A assembleia é o espaço legítimo da categoria para avaliar esse cenário e decidir coletivamente os rumos do movimento”, afirma a parlamentar.

Reivindicações 

Durante a assembleia, a categoria vai deliberar sobre uma extensa pauta de enfrentamento aos projetos do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Entre os pontos nevrálgicos estão a defesa da escola pública contra as ameaças de privatização e militarização, além da exigência de retirada imediata do PL 1316/2025 (a chamada reforma administrativa da Educação) da Alesp. 

Os docentes também cobram o reajuste do piso nacional no salário-base e na carreira, o fim do abono complementar, a reabertura de classes fechadas e a devolução do tempo de serviço congelado durante a pandemia (2020-2021). 

A pauta conta ainda com a busca por garantia de educação especial para estudantes atípicos e com deficiência, e a exigência básica de que nenhum professor permaneça sem aula atribuída e nenhum estudante fique sem professor. Para a deputada Bebel, “não é possível falar em qualidade na educação com instabilidade na carreira e fechamento de classes. A valorização do magistério é condição para fortalecer a escola pública”. 

Após as deliberações no Masp, a mobilização da categoria segue nas ruas do centro da capital. Os professores sairão em caminhada até a Praça da República, onde se somarão a outros setores do funcionalismo e movimentos sociais para um grande ato unificado. O local vai receber, a partir das 18h30, uma apresentação musical gratuita do cantor Chico César.