
Evento reuniu 224 alunos de cinco instituições de ensino para apresentar estudos sobre aquaponia, sanidade animal, melhoramento genético e sistemas integrados de produção desenvolvidos pelo Instituto Agronômico, Instituto Biológico e Instituto de Pesca.
Leidiane Caroline
WhatsApp: @caroline_leidiane
Sugestões de pauta: [email protected]
A ciência aplicada ao campo esteve no centro das atividades do 5º APTA Portas Abertas, realizado na última sexta-feira, 23 de outubro, na Divisão de Seringueira e Sistemas Agroflorestais do Instituto Agronômico (IAC), em Votuporanga. A iniciativa recebeu 224 estudantes de cinco instituições de ensino, que conheceram pesquisas voltadas à produção agropecuária, à sustentabilidade e ao desenvolvimento de tecnologias para o setor.
Organizado pelo IAC, em parceria com o Instituto Biológico (IB) e o Instituto de Pesca (IP), o evento apresentou diferentes frentes de investigação científica conduzidas na unidade vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Durante as visitas às estações experimentais, os alunos tiveram contato com estudos sobre cultivo de plantas, criação de peixes, parasitologia animal, melhoramento genético e integração entre atividades agrícolas, pecuárias e florestais.

Participaram estudantes do Centro de Educação Municipal “Professora Clary Brandão Bertoncini”, de Votuporanga; da Escola Estadual Epaminondas José de Andrade, de Cardoso; da Escola Técnica Estadual “Frei Arnaldo Maria de Itaporanga”, de Votuporanga; da Escola Municipal de Ensino Fundamental “Professor Vicente Santoro”, de Valentim Gentil; e do Colégio Adventista de Votuporanga.
Segundo Erivaldo José Scaloppi Junior, diretor técnico de divisão do IAC, o encontro é promovido anualmente para aproximar a população dos trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores. A proposta inclui incentivar a continuidade dos estudos e apresentar oportunidades de formação acadêmica, como estágios e bolsas.
“Fazer um intercâmbio de informações com o público”, resumiu o diretor ao explicar a finalidade da iniciativa.
Aquaponia transforma resíduos em nutrientes para o cultivo
Entre as tecnologias apresentadas, a aquaponia demonstrou como a integração entre a piscicultura e o cultivo de plantas pode contribuir para o aproveitamento de recursos e a redução do desperdício.
Desenvolvido no contexto do Laboratório de Pesquisa em Sustentabilidade na Aquicultura e alinhado ao Programa de Integração Piscicultura-Agricultura-Pecuária (IPAP), o sistema de aquaponia integra a criação de peixes ao cultivo de plantas sem solo, como hortaliças e frutos.

A tecnologia aproveita os nutrientes presentes nos efluentes da piscicultura para fertilizar os vegetais, reduzindo drasticamente o desperdício de recursos hídricos — até 90% em comparação à agricultura tradicional — e eliminando a necessidade de fertilizantes químicos e agrotóxicos.
Na aquaponia, os resíduos produzidos pelos peixes liberam nutrientes na água, que são aproveitados pelas plantas. As raízes absorvem esses componentes para seu crescimento e, nesse processo, ajudam a filtrar a água, que retorna aos tanques de criação. Assim, a mesma água é reaproveitada no cultivo vegetal e na criação dos peixes, promovendo um ciclo integrado de produção.
Segundo a pesquisadora científica Fabiana Garcia Scaloppi, a tecnologia representa uma alternativa para reduzir os custos com fertilizantes químicos na produção rural, além de possibilitar o cultivo de alimentos sem o uso de defensivos agrícolas.
“É uma economia circular”, definiu ela ao explicar o aproveitamento dos recursos gerados pelas duas atividades.
As hortaliças cultivadas nesse sistema ficam prontas para o consumo em aproximadamente quatro semanas, período semelhante ao da hidroponia convencional, conforme explicou Fabiana. Ela destaca que, embora o método tenha características semelhantes às da produção orgânica, os vegetais não recebem essa classificação porque o cultivo ocorre na água, e não no solo.
A pesquisadora observa ainda que, na aquaponia, os nutrientes provenientes da criação de peixes substituem totalmente os fertilizantes químicos utilizados convencionalmente no cultivo hidropônico.
Além da aquaponia, os estudantes conheceram o Serviço Laboratorial Regional de Pesquisa em Parasitologia Animal de Votuporanga. A pesquisadora científica Giane Serafim da Silva apresentou estudos relacionados a parasitos que afetam principalmente aves, bovinos e ovinos.
“Hoje, estamos apresentando esses parasitos ao vivo. Trouxemos amostras para os alunos conhecerem de perto e explicamos a importância desses organismos para a agricultura em geral”, demostrou Giane.
A atividade incluiu observação do material biológico, orientações sobre a identificação dos parasitos, a prevenção e o impacto de tratamentos adequados. O trabalho contribuiu para a compreensão de questões sanitárias que interferem na saúde dos animais e na produtividade das criações.

Melhoramento genético e integração produtiva
Na estação do Instituto Agronômico, as pesquisas contemplaram a cultura da seringueira, o melhoramento de plantas anuais e os sistemas integrados de produção. Os estudos com o cultivo da borracha, por exemplo, buscam obter o aprimoramento das espécies capazes de produzir maior quantidade de látex em menos tempo, ampliando a produtividade e as possibilidades de renda dos produtores rurais.
Já as investigações com culturas anuais abrangem espécies como feijão, amendoim e milhos especiais. O trabalho envolve o desenvolvimento e a avaliação de variedades com características destinadas a diferentes demandas de produção e mercado.
“A gente chega a plantar aqui mais de mil variedades de feijão”, expõe o diretor técnico Scaloppi.
Outra frente apresentada foi a integração entre agricultura, pecuária e floresta, sistema que busca combinar atividades produtivas em uma mesma área. Desenvolvidas na unidade desde 2009, as pesquisas nesse âmbito investigam alternativas para agregar valor à produção e ampliar as possibilidades de renda no campo.

Além da apresentação das tecnologias, o evento proporcionou aos estudantes contato com profissionais e áreas de atuação relacionadas ao agronegócio. Marco Aurélio, aluno do segundo ano do curso de Agropecuária da Etec de Votuporanga, contou que participou da atividade por ter interesse em cursar Medicina Veterinária.
Entre os temas que despertaram sua atenção, ele destacou a apresentação sobre parasitos animais, que permitiu conhecer organismos e compreender a contribuição da prevenção e do tratamento adequado.
A experiência aproximou os alunos de pesquisas que fazem parte da rotina de instituições científicas e demonstrou como o conhecimento produzido nas unidades experimentais pode ser aplicado a desafios da produção agropecuária.




