O que transforma a indústria

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Aldina Clarete D’Amico é diretora titular do Ciesp Noroeste Paulista - Foto: Reprodução

Em um momento em que o Brasil busca caminhos para crescer de forma sustentável, é importante lembrar uma verdade simples: nenhuma sociedade prospera sem trabalho, produção e investimento. O desenvolvimento econômico não nasce por decreto. Ele surge da capacidade das pessoas de empreender, inovar, produzir riqueza e gerar oportunidades.

No Noroeste Paulista, essa realidade pode ser observada diariamente. Nossa regional do CIESP reúne 102 municípios, cerca de 4,5 mil indústrias e uma população superior a 1,5 milhão de habitantes.

A indústria responde por 23,1% dos mais de 434 mil empregos formais da região e segue como a principal base de sustentação econômica. Falar de indústria é falar de empregos, de famílias, de arrecadação e de desenvolvimento.

Mas é preciso pontuar que quando falamos em indústria, não estamos falando apenas de máquinas e linhas de produção. Por isso, defender a indústria significa defender o desenvolvimento regional.

O setor industrial paulista segue demonstrando sua capacidade de reação mesmo diante de um ambiente econômico desafiador. Dados recentes mostram recuperação das vendas e crescimento dos salários reais dos trabalhadores da indústria.

Esses resultados comprovam que, quando há segurança jurídica e condições adequadas para investir, o setor produtivo responde positivamente.

Ao mesmo tempo, não podemos ignorar os obstáculos que continuam limitando a competitividade brasileira. A elevada carga tributária, os juros altos, a burocracia excessiva e a insegurança regulatória representam custos que reduzem investimentos, dificultam a expansão dos negócios e comprometem a geração de empregos.

O Brasil precisa discutir seriamente formas de estimular quem produz. O crescimento sustentável não será alcançado pela criação constante de novos tributos ou pelo aumento das despesas públicas sem responsabilidade fiscal. O caminho passa pelo incentivo à atividade produtiva, pela simplificação das regras e pelo fortalecimento do ambiente de negócios.

Outro tema fundamental é a sustentabilidade. Muitas vezes esse debate é tratado de forma ideológica, quando deveria ser encarado de maneira prática. Para a indústria, sustentabilidade significa eficiência. Significa reduzir desperdícios, economizar energia, utilizar melhor os recursos disponíveis e tornar os processos mais competitivos.

É exatamente por isso que a indústria paulista tem investido cada vez mais em transição energética, economia circular, logística reversa, reaproveitamento de materiais e geração de energia limpa. Essas iniciativas preservam o meio ambiente, mas também fortalecem a competitividade das empresas e ampliam sua capacidade de competir nos mercados nacional e internacional.

A inovação também ocupa papel central nesse processo. Ferramentas de Inteligência Artificial, automação, digitalização e Indústria 4.0 não representam ameaça ao trabalhador. Pelo contrário. Elas ampliam a produtividade, aumentam a qualidade dos produtos e criam condições para que as empresas brasileiras enfrentem a concorrência global em igualdade de condições.

No CIESP Noroeste Paulista, temos trabalhado para aproximar essas oportunidades das empresas da nossa região. Por meio de plantões de atendimentos gratuitos aos associados, de parcerias com o Sesi, Senai, universidades e instituições de fomento, buscamos levar conhecimento, capacitação e soluções concretas para quem empreende.

O futuro será construído por aqueles que valorizam o trabalho, investem em inovação e acreditam na livre iniciativa como motor do desenvolvimento.

Nossa região tem vocação produtiva, talento empreendedor e capacidade para continuar crescendo.

Defender a indústria é defender empregos, renda e oportunidades. Acima de tudo, é defender um Brasil que cresce pelo mérito, pela produção e pela força de quem trabalha.

*Aldina Clarete D’Amico é diretora titular do Ciesp Noroeste Paulista