
Circuito Loja do Futuro reuniu mais de 80 empresários em Votuporanga e apresentou recursos tecnológicos para planejamento, vendas, relacionamento com clientes e tomada de decisões.
@caroline_leidiane
A transformação digital já não se restringe às grandes empresas. No comércio de pequeno porte, ferramentas de Inteligência Artificial (IA) começam a ocupar funções que vão da organização de tarefas à criação de campanhas, passando pela análise do consumidor e pela elaboração de estratégias para expandir as vendas. Essas possibilidades foram apresentadas a empresários de Votuporanga e região durante o Circuito Loja do Futuro, realizado na noite de terça-feira, 29 de setembro, no Escritório Regional do Sebrae-SP.
Promovido pelo Sebrae-SP em parceria com o Sindicato do Comércio Varejista de Votuporanga (Sincomercio) e a Associação Comercial de Votuporanga (ACV), o encontro reuniu mais de 80 empresários.
A programação teve como foco uma questão que acompanha o varejo atual: como incorporar tecnologia sem perder de vista a experiência e as necessidades do consumidor?
A palestra foi conduzida por Renato Fonseca, assessor da Presidência do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae-SP. Ao abordar as transformações do mercado, ele destacou a permanência das lojas físicas. No entanto, chamou atenção para a necessidade de repensar esse modelo de atuação diante de consumidores por vezes mais conectados e de jornadas de compra que transitam por diferentes canais.
Nesse cenário, a Inteligência Artificial aparece como instrumento de apoio ao empreendedor. A tecnologia pode auxiliar tanto em atividades internas quanto na comunicação com o público, mas não substitui a análise e a decisão de quem conhece o próprio negócio.
“Inteligência Artificial é uma ferramenta poderosa para o alcance de empresas de todos os portes. Os pequenos negócios têm muito a aproveitar tanto para se organizar internamente quanto para fazer campanhas de vendas, mas a decisão final é sempre do empreendedor”, afirmou.
Um dos pontos abordados durante o encontro foi justamente a maneira de conversar com essas ferramentas. O resultado obtido por meio da IA está relacionado diretamente às informações e aos comandos fornecidos pelo usuário. Saber formular uma solicitação, portanto, passa a fazer parte do processo de utilização da tecnologia.
A temática também avançou para o espaço físico das lojas. Por meio do conceito de mapa sensorial, o palestrante apresentou uma atuação que considera os cinco sentidos na construção da experiência de compra. A proposta envolve pensar o ambiente comercial para criar diferentes estímulos e estabelecer meios de contato capazes de aproximar o consumidor da marca.
Entre os exemplos citados estiveram os QR Codes instalados em fachadas, que podem conduzir o público a canais digitais e informações sobre produtos e serviços. A ideia é integrar os ambientes físico e virtual e fazer com que a loja continue se relacionando com o consumidor mesmo fora do momento tradicional da compra.
Ferramentas ao alcance do empreendedor
A programação teve ainda um caráter prático. Em vez de se restringir aos conceitos relacionados à Inteligência Artificial, o encontro apresentou plataformas que podem ser utilizadas na gestão cotidiana.
A IdeaMap.ai foi demonstrada como recurso para estruturar e descrever processos, enquanto a Toki foi apresentada como ferramenta para auxiliar no gerenciamento do tempo com o suporte de recursos de IA. Também entrou em pauta a construção de um plano de divulgação 360 graus, estratégia que contempla diferentes canais de contato para ampliar a exposição da empresa.
Outra solução apresentada foi o Alvo Certo, plataforma do Sebrae-SP que concentra dados sobre perfil do público, potencial de consumo, concorrência e características territoriais. As informações podem servir de subsídio para decisões relacionadas à abertura, localização ou expansão de empreendimentos.
A gerente regional do Sebrae-SP, Iroá Arantes, avaliou que a participação do público e a possibilidade de conhecer ferramentas aplicáveis imediatamente contribuíram para aproximar o conteúdo da realidade dos empresários.
“Nós tivemos um público que interagiu muito com o palestrante. Essa ideia de já trazer as ferramentas prontas e uma pessoa já copiar para usar fez toda diferença. Tenho certeza que o pessoal já tem lição de casa para fazer”, comentou.
Inovação no comércio local
A aproximação entre tecnologia e varejo foi relacionada ao calendário comercial dos próximos meses. Para o presidente do Sincomercio, João Herrera, o período que antecede as principais datas de vendas do segundo semestre representa uma oportunidade para que os empresários coloquem em prática estratégias discutidas durante o encontro.
“São os empreendedores que fazem acontecer a nossa economia. 2026 ainda não acabou e temos pela frente Dia das Crianças, Black Friday, Natal e Ano Novo. É a oportunidade de saírem daqui animados para venderem muito”, disse.
Segundo a consultora de negócios do Sebrae-SP Evelise Galbe, a participação dos empresários demonstra o interesse do comércio regional em compreender as mudanças provocadas pela tecnologia e pelas características do novo consumo.
“O Loja do Futuro aproxima os empresários de ferramentas de marketing digital, inteligência artificial, mercado e comportamento do consumidor, transformando inovação em oportunidades concretas para vender mais, melhorar o atendimento e fortalecer a competitividade dos negócios”, apontou.
Entre telas, dados, comandos e estratégias, a mensagem central da palestra foi que a tecnologia pode integrar diferentes etapas da atividade comercial — da compreensão do território onde o negócio está inserido à maneira como uma marca conversa com seu público. Para o pequeno empreendedor, familiarizar-se com esses recursos passa a ser igualmente uma forma de acompanhar a velocidade com que o varejo vem redesenhando suas relações com o consumidor.




