Flávio diz ao NYT que saiu do Brasil sem ajuda e levará detalhes “para o túmulo” 

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Senador Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida – Foto: Reuters/Eva Marie Uzcategui

Segundo o senador, toda a logística da viagem foi organizada por ele e pela esposa, Fernanda Bolsonaro. “Fui eu quem fez tudo. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, nem de qualquer governo”, declarou.


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter recebido ajuda de qualquer governo para deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais.

Em entrevista publicada nesta quinta-feira (5.nov) pelo jornal norte-americano The New York Times, o parlamentar afirmou que toda a logística da viagem foi organizada por ele e por sua esposa, Fernanda Bolsonaro: “Fui eu quem fez tudo. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, declarou.

Questionado sobre os detalhes da operação que permitiu sua saída do país, Flávio evitou fornecer explicações. Segundo ele, a forma como conseguiu chegar aos Estados Unidos permanecerá em sigilo: “Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo”, afirmou.

Medo de prisão

Na entrevista, o senador disse que decidiu deixar o Brasil por acreditar que seria preso caso permanecesse no país: “Eu já sei que o desfecho final será a minha prisão”, declarou. 

Flávio também criticou decisões do Judiciário brasileiro e afirmou considerar que medidas adotadas contra ele e contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, possuem motivação política. 

Ao comentar sua situação, afirmou: “Sei que isso não vai levar a nada. Perdi para o sistema.” 

Conversa com Jair Bolsonaro

O senador relatou ainda um encontro com o pai logo após a derrota eleitoral. Segundo ele, autoridades o abordaram na manhã seguinte ao resultado e estabeleceram um prazo para a entrega de seus passaportes. 

De acordo com Flávio, antes da despedida, Jair Bolsonaro teria feito um alerta ao filho: “Ele olhou nos meus olhos e disse: ‘Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?’” 

Flávio afirmou que respondeu estar preparado para o cenário que poderia enfrentar, mas garantiu que os dois não discutiram qualquer plano para deixar o Brasil. 

Suspeitas sobre a saída do país 

As declarações surgem após reportagens da imprensa internacional apontarem supostos contatos de pessoas ligadas aos governos dos Estados Unidos e da Argentina com o senador durante sua saída do Brasil. 

Segundo o The New York Times, um assessor próximo do presidente argentino Javier Milei teria se encontrado com Flávio em um aeroporto na Argentina antes de sua chegada aos Estados Unidos. Já uma reportagem do The Wall Street Journal mencionou que pessoas ligadas ao governo norte-americano teriam auxiliado na logística da viagem. 

Flávio, porém, negou qualquer participação direta de governos estrangeiros e sustentou que a decisão e a execução da viagem foram conduzidas exclusivamente por ele e sua família.