Benefício vence um dia após o segundo turno das eleições; governo ainda pode prorrogar a medida, enquanto alta do petróleo pressiona os preços e preocupa transportadores e produtores rurais
O preço do óleo diesel poderá sofrer nova pressão de alta a partir desta segunda-feira (26), em todo o Brasil, com o vencimento do subsídio federal de R$ 2,12 por litro concedido a produtores e importadores. A medida, adotada pelo governo para conter os efeitos da valorização internacional do petróleo, chega ao fim de seu atual período de vigência justamente um dia após o segundo turno das eleições presidenciais.
Até este domingo (25), não havia confirmação de uma nova prorrogação do benefício. O governo federal poderá renovar a subvenção por mais 30 dias, alterar seu valor ou permitir seu encerramento, decisão que terá reflexos sobre o mercado de combustíveis.
A possibilidade de aumento preocupa especialmente caminhoneiros, transportadoras, empresas de ônibus, produtores rurais e setores econômicos que dependem diretamente do transporte rodoviário.
Petróleo em alta aumenta pressão sobre a Petrobras
O cenário internacional também contribui para a preocupação. A cotação do petróleo voltou a subir diante das tensões no Oriente Médio e dos riscos de interrupção no fornecimento mundial.
Na sexta-feira (23), o barril do petróleo atingiu US$ 116,93, ampliando a diferença entre os preços internacionais e os valores praticados no mercado brasileiro.
Segundo levantamentos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), essa defasagem chegou a aproximadamente R$ 3,53 por litro nas refinarias da Petrobras.
A diferença pressiona o setor e aumenta as expectativas em relação às próximas decisões comerciais da estatal.
Aumento de R$ 2,12 não é automático
Embora o subsídio atual seja de R$ 2,12 por litro, seu eventual encerramento não significa que os postos aplicarão automaticamente um reajuste desse valor.
O benefício atua na comercialização do diesel por produtores e importadores. O preço final pago pelo consumidor depende também dos custos de distribuição, da mistura obrigatória de biodiesel, da tributação e das margens de revenda.
Por isso, ainda não é possível determinar qual seria o aumento efetivo nas bombas caso o governo decida não renovar a medida.
Votuporanga e região podem sentir os efeitos
Em Votuporanga e nos municípios da região noroeste paulista, uma eventual elevação do diesel poderá afetar diferentes setores da economia.
A região possui forte movimentação de veículos de carga, atividades agrícolas, pecuárias e empresas que dependem do transporte rodoviário para o recebimento de matérias-primas e o escoamento da produção.
O aumento dos custos de frete pode acabar sendo transferido, gradualmente, aos preços dos alimentos, materiais de construção, produtos industrializados e outros itens comercializados na região.
No campo, o combustível representa uma parcela importante das despesas com máquinas agrícolas, tratores e transporte da produção.
Decisão do governo será determinante
A subvenção de R$ 2,12 por litro foi mantida pela Portaria nº 2.946 do Ministério da Fazenda, publicada em setembro, com vigência de 30 dias a partir de 27 daquele mês e possibilidade de prorrogação.
Além desse mecanismo, o governo anunciou em outubro um benefício adicional de R$ 1,40 por litro para importadores de diesel, com prazo próprio, buscando preservar o abastecimento nacional.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também deverá divulgar nesta segunda-feira (26) um novo levantamento semanal dos preços praticados nos postos brasileiros.
O mercado de combustíveis inicia, portanto, uma semana decisiva. A continuidade dos subsídios e as próximas definições sobre os preços do diesel serão fundamentais para determinar o impacto sobre o transporte, o agronegócio e o custo de vida da população





