Lula recebeu avaliações favoráveis de parte dos analistas, enquanto Flávio Bolsonaro mostrou competitividade; pesquisas indicam eleição apertada e eleitores ainda sujeitos a mudar de voto podem ser decisivos neste domingo
Da Redação — Diário de Votuporanga
Sábado, 24 de outubro de 2026
O último debate presidencial antes do segundo turno, realizado na noite desta sexta-feira (23), pela TV Globo, terminou sem um vencedor incontestável. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um confronto marcado pela apresentação de propostas, críticas às respectivas trajetórias políticas e acusações pessoais. As avaliações sobre o desempenho dos candidatos ficaram divididas, refletindo o equilíbrio de uma disputa que será decidida nas urnas neste domingo (25).
Enquanto parte dos comentaristas políticos apontou vantagem para Lula, outros destacaram o desempenho de Flávio Bolsonaro, especialmente sua capacidade de apresentar propostas e sustentar o confronto com o atual presidente. O resultado foi um debate que mobilizou as bases eleitorais dos dois candidatos, mas deixou dúvidas sobre sua capacidade de alterar significativamente a intenção de voto dos indecisos.
Lula e Flávio tiveram momentos de destaque
O confronto começou com discussões sobre propostas de governo e temas de interesse nacional. Ao longo dos primeiros blocos, os candidatos procuraram apresentar suas posições sobre questões econômicas, sociais e administrativas.
Lula explorou sua experiência à frente do governo federal e procurou estabelecer diferenças entre seu projeto político e o defendido pelo adversário. Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentrou parte de suas intervenções em críticas à atual administração e na defesa de mudanças na condução do país.
O tom tornou-se mais agressivo na etapa final, quando acusações relacionadas a investigações, denúncias e episódios envolvendo pessoas próximas aos candidatos passaram a ocupar espaço relevante no debate.
Entre os assuntos mencionados estiveram o caso do Banco Master e investigações envolvendo pessoas ligadas aos dois campos políticos. A troca de acusações acabou reduzindo o espaço destinado à discussão de propostas.
Avaliação de desempenho não significa conquista de votos
Um dos principais aspectos da análise do debate é a diferença entre a impressão causada pelos candidatos e sua capacidade efetiva de conquistar novos eleitores.
A avaliação de comentaristas políticos pode indicar qual participante apresentou argumentos mais consistentes, respondeu melhor aos questionamentos ou demonstrou maior domínio dos assuntos discutidos. Entretanto, essas percepções não significam necessariamente transferência de votos.
O comportamento dos eleitores independentes merece atenção especial. Diferentemente dos apoiadores mais identificados com Lula ou Flávio Bolsonaro, esse grupo pode avaliar os candidatos com menor influência da identificação partidária.
Também é necessário distinguir eleitores independentes de indecisos. Uma pessoa pode não ter preferência partidária e, ainda assim, já ter escolhido definitivamente seu candidato.
Por isso, mesmo quando um dos participantes recebe avaliações mais favoráveis, não é possível concluir automaticamente que tenha conquistado novos votos.
Pesquisas mostram disputa extremamente apertada
Os levantamentos eleitorais divulgados na reta final da campanha confirmam um cenário de equilíbrio, embora alguns institutos apresentem vantagem numérica para Flávio Bolsonaro.
Na pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (23), os dois candidatos aparecem com 50% dos votos válidos. Considerando os votos totais, Flávio Bolsonaro registra 47%, contra 46% de Lula.
O levantamento ouviu 2.520 eleitores entre os dias 20 e 22 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A Quaest, divulgada no dia 21, apresentou Flávio Bolsonaro com 50,56% dos votos válidos, diante de 49,44% de Lula. A diferença está dentro da margem de erro.
Já o PoderData apontou 51% para Flávio e 49% para Lula, enquanto o RealTime Big Data registrou 52% para o senador e 48% para o presidente, também considerando os votos válidos.
Os resultados indicam uma eleição competitiva. As diferenças entre os levantamentos devem ser analisadas levando em consideração as metodologias, os períodos de coleta e as respectivas margens de erro.
Eleitores que ainda podem mudar de voto serão decisivos
Outro dado relevante foi identificado pelo Datafolha. Segundo o instituto, 94% dos eleitores afirmaram estar totalmente decididos sobre seu voto no segundo turno.
Isso significa que a parcela disponível para mudanças de última hora é relativamente pequena.
Entre os eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno, entretanto, 23% declararam que ainda poderiam mudar de opinião.
Esse segmento representa uma das principais oportunidades para os dois concorrentes ampliarem suas votações na reta final.
O desafio de Lula e Flávio Bolsonaro não se limita, portanto, à conquista dos eleitores formalmente indecisos. Também envolve convencer aqueles que já manifestaram uma preferência, mas admitem reconsiderar sua escolha.
Abstenção pode ter peso importante
Além da disputa pelos votos ainda não consolidados, a capacidade de mobilização do eleitorado poderá influenciar o resultado.
Em uma eleição com diferenças tão pequenas nas pesquisas, o comparecimento às urnas ganha importância estratégica.
As campanhas chegam à votação com a necessidade de estimular seus apoiadores a participar do processo eleitoral, especialmente nas regiões onde cada candidato apresenta maior potencial de votação.
O peso da abstenção poderá ser tão relevante quanto eventuais mudanças de preferência provocadas pelo último debate.
Quem venceu o debate?
Do ponto de vista jornalístico, não há elementos suficientes para apontar uma vitória incontestável de qualquer um dos candidatos.
Lula apresentou argumentos apoiados em sua experiência administrativa e procurou reforçar sua imagem de governante experiente. Flávio Bolsonaro buscou consolidar sua posição como alternativa política, explorando críticas ao governo e defendendo propostas próprias.
As avaliações divergentes dos comentaristas mostram que o desempenho de cada candidato pode ser interpretado de maneiras diferentes.
Também não existem evidências suficientes, apenas com base nas avaliações do debate, para afirmar que um deles tenha conquistado decisivamente os eleitores indecisos.
A análise do confronto precisa ser separada das pesquisas de intenção de voto, que foram realizadas antes de sua transmissão e, portanto, não medem diretamente seus possíveis efeitos.
Decisão ficará para as urnas
A menos de 48 horas da votação, Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao momento decisivo de uma campanha marcada pela polarização política e pelo equilíbrio nas pesquisas.
O debate da Globo representou a última grande oportunidade de confronto direto entre os presidenciáveis, mas não produziu uma definição clara sobre quem poderá vencer a eleição.
Se, por um lado, Lula recebeu avaliações positivas por sua experiência e capacidade de argumentação, Flávio Bolsonaro manteve a competitividade e aparece numericamente à frente em parte dos levantamentos mais recentes.
O cenário aponta para uma disputa em que pequenas mudanças na preferência do eleitorado e diferenças no comparecimento às urnas poderão ter consequências importantes.
Mais do que identificar quem venceu o debate, a questão central agora é saber qual dos candidatos conseguirá transformar sua estratégia de campanha em votos. A resposta definitiva será conhecida neste domingo, quando os brasileiros escolherão o próximo presidente da República.





