Das raízes ao futuro

29
Identidade visual dos 90 anos de Votuporanga, criada por Maria Elisa Grandizoli Rebouças, foi inspirada no primeiro brasão do município e reúne símbolos ligados à história, à cultura e à formação da cidade – Imagem: Reprodução/Projeto original de Maria Elisa Grandizoli Rebouças

Maria Elisa Grandizoli Rebouças, estudante de Publicidade e Propaganda da Unifev, venceu concurso com 46 inscrições e criou a identidade dos 90 anos de Votuporanga; em entrevista, ela conta como foi o processo criativo, revela as inspirações para a marca e explica os elementos que compõem a criação.


@caroline_leidiane

A identidade visual que acompanhará Votuporanga na celebração dos 90 anos nasceu de uma investigação sobre as origens do município. A proposta desenvolvida por Maria Elisa Grandizoli Rebouças, estudante do penúltimo ano de Publicidade e Propaganda da Unifev – Centro Universitário de Votuporanga, foi escolhida entre 46 inscrições e conquistou o primeiro lugar no concurso promovido pela Prefeitura.

O anúncio ocorreu no último domingo, 16 de agosto, durante o encerramento da 16ª edição do Festival Literário de Votuporanga (Fliv), no Espaço @PrefVotuporanga. Maria Elisa estava em Lisboa e foi representada pelos pais na cerimônia. Jéssica Frausto Moreira ficou em segundo lugar, enquanto Aline Moreira Bençal conquistou a terceira colocação. A vencedora receberá R$ 3 mil, e sua criação será empregada em materiais institucionais, campanhas, eventos, redes sociais e demais iniciativas relacionadas às comemorações ao longo de 2027.

A seleção das propostas integrou uma iniciativa das Secretarias de Governo e de Cultura e Turismo destinada a envolver a população na concepção de um símbolo para a celebração. A data oficial dos 90 anos de Votuporanga será comemorada em 8 de agosto de 2027.

Durante pesquisa para a construção da identidade visual do município, Maria Elisa encontrou o primeiro Brasão de Armas de Votuporanga, oficializado em 1957, e identificou nele diferentes aspectos relacionados à formação local. O símbolo condensava elementos, como território, fundação, agricultura, indústria, comércio, educação, cultura e trabalho.

Maria Elisa Grandizoli Rebouças, estudante do penúltimo ano de Publicidade e Propaganda da Unifev, conquistou o primeiro lugar do concurso promovido pela Prefeitura para a escolha da identidade visual dos 90 anos do município – Foto: arquivo pessoal

Uma história contada dentro do número 90

A investigação chegou em registros históricos encontrados por Maria Elisa no Flickr, plataforma de compartilhamento de fotografias, do município. Essas imagens documentais foram substanciais para compor o repertório semântico utilizado pela estudante, incluindo retratos da primeira missa, da primeira escola e da vegetação que caracterizava as antigas estradas entre Tanabi e Votuporanga.

No projeto, esses componentes foram sintetizados e reorganizados dentro do número 90, criando uma composição que articula memória e atualidade.

A escolha dos símbolos foi escopo para condensar diferentes capítulos da formação da cidade em uma única representação gráfica.

“A mata representa as características originais do território; a cruz, a presença e importância dos ritos religiosos; o café, o algodão, o agricultor e as indústrias, representam a produção agrícola e atividades econômicas da época; o livro e a pena, retratam a educação, a cultura e o conhecimento. Queria que fosse uma identidade que despertasse pertencimento e reconhecimento. Por isso, o conceito que resume o projeto é ‘Votuporanga, 90 anos: das raízes ao futuro’. Para mim, a marca representa justamente esse encontro entre aquilo que a cidade foi, aquilo que ela construiu e aquilo que ainda pode se tornar”, explica Maria Elisa.

A relação da autora com a cidade também atravessou o desenvolvimento do trabalho. Ao vasculhar documentos, imagens e referências antigas, ela recorreu a familiares que vivem há muitos anos em Votuporanga.

“Acredito que minha pesquisa foi muito além do ambiente digital e acabou me proporcionando muitas conversas com pessoas mais velhas da minha família, que compartilharam comigo suas memórias e conhecimentos sobre a cidade. Descobrimos até que o criador do primeiro brasão já foi nosso vizinho de bairro! Votuporanga faz parte da minha trajetória, desde muito antes de mim. É uma cidade onde meus avós cresceram, meus pais nasceram e, hoje, estou me formando e construindo meu caminho na arte”, reflete a estudante.

A formação acadêmica entrou no projeto não apenas pelo domínio das ferramentas de criação, mas pela elaboração de uma estratégia capaz de converter uma trajetória histórica em uma linguagem visual sintética, embasando o passado e o futuro, no entanto, embalando-o em design para chegar à composição final.

“Minha formação em Publicidade e Propaganda contribuiu principalmente para que eu enxergasse o projeto para além da criação de um símbolo. Durante o curso, aprendemos a pensar em comunicação, conceito, significado e na maneira como uma identidade pode transmitir uma mensagem. Isso foi muito importante nesse projeto porque eu precisava transformar uma história bastante extensa em uma linguagem visual que pudesse ser compreendida de maneira simples. O processo envolveu pesquisa, seleção de referências, construção de conceito e depois a tradução dessas ideias para o design”, pontua.

A notícia da vitória, por sua vez, chegou enquanto Maria Elisa estava fora do país. A distância transformou a cerimônia em uma experiência mediada por uma chamada de vídeo, com os pais assumindo o papel de representantes da filha no momento da premiação.

“Estava em Lisboa, quem me representou pessoalmente e com muito orgulho foram meus pais. Tenho muita sorte de tê-los comigo durante toda a minha jornada nesta área e fico muito feliz em vê-los colhendo frutos de todo o apoio que sempre me ofereceram. No momento da premiação, me ligaram por chamada de vídeo! Fiquei muito feliz, principalmente porque o projeto nasceu de uma pesquisa e de uma vontade genuína de homenagear a cidade. Saber que essa ideia conseguiu se conectar com outras pessoas foi muito significativo para mim”, celebra.

Agora, a criação deixará o campo acadêmico e passará a integrar a comunicação oficial de uma celebração municipal que se estenderá por 2027. Para Maria Elisa, a escolha representa uma experiência inaugural de grande dimensão, justamente no momento em que se prepara para concluir a graduação.

“É uma sensação muito especial e também uma grande responsabilidade. Como estudante, ter uma criação escolhida para representar uma comemoração tão importante é uma oportunidade que eu provavelmente vou levar comigo durante toda a minha trajetória profissional. E com certeza sempre será minha referência de maior orgulho”, afirma.