
Com 30 artistas, exposição ‘Para onde escorrem as horas que não vivemos?’ ocupa o Rio Preto Shopping de 1º a 12 de outubro e propõe reflexões sobre memória, existência e a experiência atual do tempo.
@caroline_leidiane
Há um tipo de tempo que não aparece nos relógios. É aquele feito de encontros adiados, conversas interrompidas, paisagens que deixaram de ser contempladas, desejos postergados e experiências que ficaram pelo caminho. É justamente sobre entre o tempo vivido e aquele que escapou sem ser experimentado que o Movimento SerTão constrói sua nova exposição, “Para onde escorrem as horas que não vivemos?”.
A mostra será realizada de 1º a 12 de outubro, no Rio Preto Shopping, em São José do Rio Preto, reunindo 30 artistas em torno de uma pergunta que não busca necessariamente uma resposta, mas abre espaço para diferentes interpretações sobre a passagem do tempo, memórias e vivências.

Com curadoria de Oscar D’Ambrosio, expografia de Josiani Sabino e coordenação de Luciane d’Alessandro e Patrícia Reis Buzzini, a exposição apresenta 27 pinturas em telas e três esculturas.
A proposta parte de uma experiência cotidiana por vezes ansiada pela velocidade: agendas preenchidas, compromissos sucessivos, metas, notificações e a sensação permanente de que é preciso estar sempre adiante do instante presente.
Nesse cenário, a exposição desloca essa lógica frenética do tempo e propõe ao visitante um olhar crítico sobre os cronogramas diários.
As horas que ficam pelo caminho
No texto curatorial, Oscar D’Ambrosio observa a maneira como a sociedade atual transforma o tempo em uma espécie de mercadoria abstrata. Entre a expectativa pelo futuro e as urgências do presente, a experiência do agora é invadida por automatismo e produtividade.
“As horas não vividas acumulam-se no silêncio das escolhas que deixamos de fazer ontem”, escreve o curador. A partir dessa provocação, a exposição convida o público a refletir sobre a finitude, a memória e a necessidade de estabelecer uma relação mais consciente e sensível com o próprio tempo.
Trinta olhares sobre o tempo
Participam da mostra Aicro Júnior, Antonio Cury, Araguaí Garcia, Ary Salles, Beth Sales, Carlos Bachi, Cibeli Felippe, Daniel Firmino, Eliara Bevilaqua, Eloisa Mattos, Elton Marangoni, Guilherme Bethlem, Jair Lemos, Jaasiel Valzacchi, Jocelino Soares, Josiani Sabino, Luciane d’Alessandro, Luis Antônio Cossi, Marcos Machado, Marcos Ponte Antolini, Maria Helena Curti, Patrícia Buzzini, Regina Garbellini, Rodrigo Silva, Telma Parizi, Terezinha Bilia, Thomaz Vitta Neto, Valdecir Gerotto, Valdenir do Bonfim e Wesley S. Estácio.
A diversidade de linguagens, técnicas e repertórios amplia as possibilidades de interpretação do tema. Sem pretensão alguma de resposta para a pergunta que dá nome à exposição, os 30 artistas apresentam trabalhos com perspectivas singulares, que reverberam questões como memória, identidade, passagem dos anos, cotidiano, natureza e relações humanas.
“Os artistas, de diferentes maneiras, percebem esse movimento e transformam aquilo que os toca em imagem. Usam ponteiros, relógios, linhas, fios, círculos, vazios, cores e memórias. Cada elemento nasce de uma experiência vivida, de algo que atravessou aquele artista e encontrou na arte uma forma de existir”, explana Luciane d’Alessandro.
A experiência do público também ultrapassa a observação das obras. Por meio de QR Codes, os visitantes poderão acessar vídeos com depoimentos dos artistas, produzidos por Wesley S. Estácio. O recurso permite conhecer, além do resultado visual, parte das ideias, referências e processos que deram origem aos trabalhos.
“E, quando olhamos para uma obra, ela também nos atravessa. Cada pessoa sente uma coisa diferente, porque a arte não termina no artista. Ela continua em quem observa. A imagem pode falar com a alma, despertar uma memória, provocar uma sensação ou nos fazer sentir, por um instante, que pertencemos àquela obra”, complementa d’Alessandro.

Memória de quem construiu a cidade
A abertura da exposição também será marcada por uma homenagem ao arquiteto e artista plástico José Villanova cuja trajetória está relacionada à produção artística, arquitetônica e cultural de São José do Rio Preto.
Nesta quinta-feira, 1º de outubro, às 20h, Patrícia Buzzini e Luciane d’Alessandro conduzem uma palestra dedicada ao artista. A homenagem estabelece uma ponte entre a temática da exposição e a própria ideia de memória: olhar para o presente significa reconhecer personalidades que participaram da construção cultural de uma comunidade.
Programação paralela
A programação paralela foi pensada para fazer com que a exposição não se restrinja às telas e esculturas. Ao longo dos 12 dias de visitação, diferentes linguagens serão incorporadas ao espaço expositivo.
Em 9 de outubro, às 19h, Jocelino Soares apresenta “Causos e poesias caipiras”, aproximando oralidade, poesia, memória e cultura popular.
No dia 10, às 19h, Marcos Antolini conduz “Eco Arte Sustentável”, com oficina de reciclagem e bate-papo sobre reaproveitamento de materiais, arte e consciência ambiental.
Já no dia 11, às 17h, Aicro Jr. realiza uma sessão de pintura ao vivo. No mesmo horário, Luciane d’Alessandro, Rodrigo Silva e Terezinha Bilia promovem a atividade “Pintando com os artistas”, criando uma oportunidade de aproximação entre público e processo criativo.
Quanto tempo tem o tempo
Ao propor diferentes olhares sobre a passagem do tempo, a exposição evidencia sua dimensão subjetiva: cada artista e cada espectador atribuem sentidos próprios àquilo que vivenciam e ao compasso pelo qual são afetados. Afinal, como observa Luciane d’Alessandro, o tempo transita pela criação, pela obra e por quem a contempla, sem se deixar apreender por completo.
É nesse território entre o que pode ser compreendido e aquilo que permanece como vivência que a mostra encontra seu desfecho.
“Porque tudo acontece dentro do tempo. Até o silêncio, até o vazio, até o vácuo”, finaliza Luciane.
Exposição “Para onde escorrem as horas que não vivemos?”
- Vernissage: 1º de outubro, às 19h
- Período: de 1º a 12 de outubro de 2026
- Local: Rio Preto Shopping
- Entrada gratuita




