Tricolor perde para o Palmeiras e continua ameaçado pelo rebaixamento no Paulistão; treinador defende elenco: “Estamos falando de pessoas que há meses não ganham salário.”
Preocupado com a situação do São Paulo no Campeonato Paulista e com a realidade do clube no Brasileirão, mas confiante também com o desempenho da equipe. Foi assim que Hernán Crespo avaliou a derrota tricolor por 3 a 1 contra o Palmeiras, neste sábado, na Arena Barueri, em jogo válido pela quinta rodada do torneio estadual.
O resultado manteve a equipe são-paulina como a primeira fora da zona de rebaixamento para a Série A2 do Paulistão, restando agora apenas três partidas para o término da primeira fase.
“Estamos preocupados, mas temos três rodadas, com Santos, Primavera e Ponte Preta, pode acontecer de tudo. Temos que jogar o jogo. Eu acho que ninguém gosta da derrota, mas acho que tem jeito de derrotas e derrotas. Com Portuguesa foi realmente preocupante. Hoje, não. Faz mal, sim, claro, ninguém quer perder. Mas eu acho que o time está crescendo.”
“Calendário com Palmeiras, Flamengo, Santos e Santos, não ajuda no momento que está o clube. Estou confiante. Eu acho que em breve as coisas começarão a melhorar, chegarão reforços e os meninos depois da Copinha. Temos futuro. Mas o futuro, como eu falei, o Brasileirão, 45 pontos. Esse é o futuro. Podemos perder, mas a diferença primordial (do clássico) foi que eles finalizaram e a gente não. Atitude de criar ocasiões, este é o caminho, é por aqui. Com dois ou três reforços e os moleques de Cotia, dá para acreditar. Vai ser uma temporada difícil, mas dará certo”, afirmou.
O São Paulo fez um bom primeiro tempo contra o Palmeiras e desperdiçou chances de virar o marcador, mas sofreu o segundo gol do Verdão pouco antes do intervalo. Na segunda etapa, o adversário marcou o terceiro no início e administrou o jogo.
“Flaco Lopez jogou, fez gol. E a gente não fez. Não é fácil administrar o jogo, colocar o Palmeiras no seu lado do campo. Nós criamos ocasiões. Faltou ser mais concreto. O que me dá confiança é a atitude. Atitude contra Portuguesa eu não gostei nada, eu estava preocupado. Este São Paulo, com pequenos detalhes… Vai ser uma temporada difícil, de luta, de briga, mas estou confiando.”
Questionado se a crise política e as mudanças na direção podem ameaçar o futuro dele no clube, Crespo admitiu as dificuldades que tem enfrentado, falou sobre salários atrasados para o elenco “há vários meses” e citou que o Tricolor conquistou apenas dois títulos nos últimos dez anos, o que, segundo o argentino, mostra a realidade são-paulina.
“Tem que ficar claro o que está acontecendo… Não pode pensar que o que está acontecendo fora não tem impacto dentro do time. Estamos falando de pessoas que há meses não ganham salário, trocou presidente, não tem CEO. Não tocaram no grupo, nos jogadores. Eles estão fazendo o melhor possível. Grupo bom, boas pessoas, que estão fazendo o máximo, que tranquilamente poderiam falar que, já que você não está me pagando há meses, vou embora. O grupo está fechado e sabe que o São Paulo está passando pelo pior momento da sua história.”
“No clube tem muita gente boa e honesta. Está difícil, muito difícil. Avaliar a situação do time e do resultado não é justo. É difícil, claro, estamos acostumado a outra coisa, mas, ao mesmo tempo, esta é uma consequência do passado, mas uma coisa do presente. Vamos fazer um pouco de contas? Temporada: quantas competições têm? Normalmente quatro. Nos últimos dez anos, quantas competições? Quarenta. De 40 competições nos últimos dez anos, o São Paulo ganhou duas. Dois, de quarenta, um Paulista e a Copa do Brasil. Ganhar nestes dez anos é uma regra ou exceção? Infelizmente uma exceção? Neste momento, é ainda pior. 45 pontos.”
Por mais de uma vez, o treinador afirmou que o objetivo do clube no Brasileirão, que será iniciado na próxima quarta-feira, é “chegar aos 45 pontos”, o que indica uma briga contra o rebaixamento.
“Acho que avaliações têm que ser objetivas e justa. Estamos nas melhores condições de pretender ganhar coisas e muitos jogos? O clube está nas condições de querer isso? Foram dadas essas condições para fazer o melhor trabalho ou o momento é difícil? Então… Calma. Se São Paulo acredita que eu não sou a pessoa que posso ajudar, faz parte da vida. Não estou falando que não sou culpado. Mas é difícil. É difícil demais. É realmente difícil demais.”
“Estamos nas condições melhores para fazer o melhor trabalho? Não. Estamos nas condições justas para fazer os 45 pontos, que vamos alcançar. Eu acho que, com esta atitude e mentalidade, vamos sofrer e fazer os 45 pontos. Depois, se começar a penar que temos de ganhar coisas.”
O resultado no Choque-Rei no clássico manteve o São Paulo com apenas quatro pontos, na 14ª posição e atrás somente de Noroeste, que também tem quatro pontos, mas ainda não venceu no torneio, e da Ponte Preta, que é lanterna com apenas um ponto.
Na próxima rodada, o São Paulo enfrenta o Santos no Morumbis, no sábado, dia 31, às 20h30. Antes, porém, o Tricolor estreia no Campeonato Brasileiro na quarta-feira, dia 28, contra o Flamengo, também no Morumbis.
“Prioridade é Brasileirão e lutar até dezembro. No meio, temos a possibilidade de ir para as quartas de Paulistão, Sul-Americana, prioridades são 45 pontos. No meio, podem acontecer coisas. Vamos saber, se os moleques que vêm terão boa adaptação, se temos reforços. O foco está nos 45 pontos. Quando vamos alcançar? Temos toda a temporada. Eu acho que, jogando assim, focados assim, vamos chegar. E vamos fazer ainda mais pontos.”
*Com informações do ge





