Levantamento da Secretaria Municipal de Direitos Humanos evidencia redução de 48%, quando comparado a 2025. Em todo o Brasil, mais de 365 mil pessoas vivem em situação de rua.
Jorge Honorio
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A Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Votuporanga concluiu o Censo 2026 da População em Situação de Rua, realizado entre os dias 13 de março e 11 de maio. O levantamento identificou e cadastrou 39 pessoas em situação de rua no município, número que representa uma redução de 48% em comparação ao Censo 2025, quando foram registradas 75 pessoas.
De acordo com a Prefeitura, o resultado evidencia os avanços alcançados por meio de uma atuação permanente, integrada e humanizada, construída pela atual gestão municipal em conjunto com toda a rede de proteção social, saúde e sociedade civil organizada.
“Mais do que uma redução numérica, os dados refletem histórias de acolhimento, reconstrução de vínculos, acesso a direitos e novas oportunidades de vida. O trabalho semanal desenvolvido pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos, aliado à implantação do Consultório na Rua, à aquisição de vagas em comunidades terapêuticas e à articulação contínua com a Secretaria de Assistência Social, por meio do Cras (Centro de Referência de Assistência Social), Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e demais serviços da rede assistencial, vem fortalecendo uma política pública pautada no cuidado, na escuta e na dignidade humana”, afirmou a administração municipal.
“Outro importante destaque é a implantação do grupo “Vidas Visíveis”, iniciativa criada pela atual gestão e voltada ao acompanhamento psicossocial e fortalecimento emocional das pessoas em situação de rua. O projeto conta com o apoio da Central de Atenção à Pessoa Egressa e Família (CAEF) e do curso de Psicologia da UNIFEV, promovendo encontros, escuta qualificada e construção de vínculos por meio de um trabalho humanizado e transformador”, emendou.
A Secretaria também contou com o apoio emergencial de comunidades terapêuticas particulares, que disponibilizaram vagas sociais para acolhimento provisório de pessoas em situação de vulnerabilidade até a efetivação das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“O trabalho integrado também contou com o apoio indispensável do Fundo Social de Solidariedade, que promoveu ações voltadas à dignidade humana, auxiliando no atendimento às necessidades básicas das pessoas acolhidas e fortalecendo a rede de proteção social do município. A mobilização conjunta ainda reúne importantes parceiros da sociedade civil, que exercem papel essencial no acolhimento e fortalecimento da rede de cuidado. Entre eles estão a Paróquia Senhor Bom Jesus das Paineiras, Casa Abrigo e por meio do projeto “Pão da Vida” da Igreja Assembleia de Deus”, ressaltou à Prefeitura de Votuporanga.
Para o secretário da Pasta, Nilton Santiago, os resultados demonstram que políticas públicas construídas com responsabilidade, sensibilidade e união são capazes de transformar realidades: “Quando o poder público, a rede de atendimento e a sociedade civil caminham juntos, vidas são transformadas. A redução identificada no censo representa mais do que números: representa pessoas sendo acolhidas, acompanhadas e tendo a oportunidade de reconstruir suas histórias com dignidade. Nosso compromisso é continuar fortalecendo políticas humanizadas, olhando para cada cidadão com respeito, empatia e responsabilidade social”, destacou.
Em todo o Brasil, um estudo apresentado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), divulgado em janeiro, aponta que o número de pessoas que vivem em situação de rua continua crescendo no país. Em dezembro de 2024 havia 327.925 pessoas vivendo nas ruas do Brasil. No final do ano passado esse número chegava a 365.822 pessoas.
A maioria dessa população que vive nas ruas se encontra na Região Sudeste do país, somando 222.311 de pessoas, o que representa 61% do total no país. Em seguida aparece a Região Nordeste, com uma população de 54.801 pessoas em situação de rua.
Só no Estado de São Paulo estão concentradas 150.958 pessoas em situação de rua, seguida pelos estados do Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). O Amapá é o estado com o menor número de pessoas nessa condição, somando 292.





