
As afirmações ocorreram no bojo do processo anunciado pelo chefe do Executivo, após acusação de que o prefeito teria um suposto envolvimento com João Carlos Falbo Mansur, investigado no caso Master.
Jorge Honorio
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Após uma coletiva de imprensa convocada pelo prefeito de Votuporanga/SP, Jorge Seba (PSD), na tarde desta segunda-feira (2.fev), onde foi anunciado a abertura de um processo contra o vereador Cabo Renato Abdala (PRD), em reação ao discurso proferido pelo parlamentar durante a 1ª sessão da Câmara, na última segunda-feira (26), onde cita documentos que, supostamente, provam o envolvimento do chefe do Executivo local com João Carlos Fabo Mansur (um dos investigados na Operação Compliance Zero da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master), o assunto passou a ser o mais comentado nas rodas de política.
Horas após o anúncio, durante a 2ª sessão ordinária da Câmara, o vereador foi à tribuna onde voltou a falar sobre o tema, apresentando no telão imagens de atas de reuniões, que, segundo o vereador, comprovam sua tese.
Após a sessão legislativa, Cabo Renato Abdala falou ao Diário, onde reiterou as falas proferidas na tribuna: “Na última sessão, eu citei que o prefeito Jorge Seba fazia a composição da Via House Ltda, junto com o filho dele, transformou em Via House S.A., recebeu um aporte de R$ 5 milhões. Aí, na sequência, na próxima sessão, nessa segunda composição, aparece o João Carlos Falbo Mansur, que presidiu a sessão, colocando mais um aporte de R$ 10 milhões, atualizando o valor da empresa, do CNPJ, Via House. E aí, destituiu o prefeito Jorge Seba, que na época, então, era secretário, é por isso que eu toco nesse assunto, porque ele era secretário municipal. Então ele era servidor público e a gente tem, não é uma questão pessoal, a gente tem obrigação de estar investigando, de estar apurando isso aí. E aí, esse João Carlos Falbo Mansur é citado lá na CPI da Previ Palmas, que sumiu aproximadamente R$ 30 milhões da Previdência do Servidor Público lá de Palmas, em um período parecido com o que teve um aporte. Não estou acusando nada, estou falando que em um período parecido. E aí eu começo a citar sobre Via House. Em momento algum eu entrei nos pormenores do Azinheiras. No Azinheiras, que houve uma condenação por esse vereador por ter falado em 2020 que ele era dono, mas ele justificou com a declaração de Imposto de Renda dele, o juiz entendeu que era o suficiente a Declaração de Imposto de Renda, que ele não era mais dono, que ele tinha vendido as cotas dele. Então esquece o Azinheiras, eu não estou falando de Azinheiras. Eu estou falando que o prefeito Jorge Seba era dono da Via House e ele sentou na mesma mesa, estava constando na sessão, na ata da sessão da empresa, que ele estava lá, consta que todos estavam presentes”, explicou o vereador.
“E na sessão o João Carlos Falbo Mansur, que é investigado na Operação Carbono, na operação do Banco Master, responsável pelo grupo Reage Investimentos, ficou, depois que o Jorge Seba saiu, ele ainda fica no endereço da sala do Jorge Seba no endereço comercial do escritório do Jorge Seba”, emendou.
“Então tem alguma coisa acontecendo, em momento algum eu falei que o Jorge Seba é do PCC, eu falei que o cara, o cidadão, esse é o João Carlos está sendo investigado lá nas operações da Polícia Federal, Operação Carbono que envolve um monte de gente, inclusive pessoas do PCC, envolve políticos, e na Operação do Banco Master, o cara também está sendo investigado, até pulou fora do CNPJ. Não existe uma acusação do Cabo Renato Abdala falando que o prefeito é dono disso aí, eu disse que o prefeito era dono e apareceu a composição dele lá. O tempo do verbo é o que define aquilo que o vereador falou”, completou Renato Abdala.
O vereador negou qualquer ataque à família do prefeito de Votuporanga: “Vamos lá, para citar que existia uma empresa com CNPJ que estava no nome do Jorge, mais do filho dele, eu citei que fazia parte o Jorge, mais do filho dele. Em momento algum eu denegri a imagem do filho dele que, em memória, está falecido. Com todo o respeito pela morte, inclusive na época da campanha, quando teve lá o Júri Popular para julgar os criminosos, naquela semana não houve nenhum tipo de manifestação do nosso grupo político, que era a oposição. A gente respeitou, foi até ideia nossa.”
“Então não existiu isso daí, de eu denegrir a imagem. O prefeito romantizou isso aí hoje para criar uma narrativa para justificar a ação dele contra a minha pessoa. Fui surpreendido por um WhatsApp, que eu não tenho como saber se é verídico ou não, de um escritório que representa o Jorge Seba, um escritório lá da Brigadeiro Faria Lima, bem próximo do endereço do senhor João Carlos Falbo Mansur, também na Faria Lima, de acordo com os documentos da Jucesp. Então tem alguma coisa de muito estranho nisso tudo aí”, concluiu Abdala.
Questionado sobre uma possível reação na Câmara, principalmente referente aos vereadores da base, até mesmo uma possível abertura de processo de cassação, o vereador foi categórico: “Não temo. Sabe por que que eu não temo? Imagine o seguinte, um processo de cassação é aberto uma hora para o acusado lá poder falar, uma hora televisionada, podendo colocar toda a documentação que eu tenho, até a documentação que está aí flutuando e que ninguém sabe que gente tem. Imagina que meu suplente é tão assíduo e fiscalizador quanto eu. E já falei para ele, se eu for cassado, coloco meu tempo à disposição para te ajudar no gabinete, de graça.”
“A gente tem o direito de fiscalizar, de investigar. Só fiz a exposição de documentos, mais nada. Não entrei no mérito, não falei que é ou que deixa de ser, cabe a Justiça, a Polícia Federal”, concluiu.



