Trabalhador prioriza salário alto à jornada reduzida e home office, aponta CNI 

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Trabalhador prioriza salário alto à jornada reduzida e home office, aponta CNI – Foto: Reprodução

Pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira” revela que os modelos tradicionais do emprego formal ainda superam as novas tendências de flexibilidade no mercado nacional.


As transformações nos modelos de trabalho trazidas pela virada da década parecem não ter superado o desejo do brasileiro por segurança financeira e corporativa. É o que mostra o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta sexta-feira (5.jun).

Receber um salário alto, ter estabilidade e contar com perspectivas reais de crescimento continuam sendo as prioridades absolutas do trabalhador brasileiro para os próximos cinco anos, mostra o levantamento, intitulado “Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional”.

Fatores tradicionais de contratação superam de forma expressiva as tendências modernas de mercado, como o regime de home office e os debates acerca da redução da jornada semanal de trabalho. Veja abaixo as prioridades listadas pelos trabalhadores: 

  • Salário alto: principal diferencial para 28,7% dos entrevistados;
  • Estabilidade no emprego: citada por 22,4%;
  • Plano de carreira e crescimento: apontado por 20,1%;
  • Trabalho remoto (home office): prioridade para 15,9%;
  • Jornada reduzida: ponto menos citado, escolhido por apenas 9,8%.

A pesquisa foi conduzida pela Nexus e ouviu 2.008 cidadãos acima de 16 anos em todas as unidades federativas e no Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais. 

A força do emprego formal (CLT) e o medo do futuro 

Para a equipe técnica da CNI, os dados reforçam que o trabalhador brasileiro enxerga o regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como a base mais sólida para o planejamento de médio e longo prazo.

O emprego com carteira assinada desponta como o modelo mais atrativo para 36,3% da população geral. O ápice de interesse (41,4%) está entre os jovens adultos na faixa etária de 25 a 34 anos.

“Essa estrutura de trabalho continua sendo a primeira opção do trabalhador, e é isso que faz com que ele continue mirando essa relação de trabalho formal no médio e no longo prazo”, analisa Cláudia Perdigão, especialista da CNI. 

Embora o índice de satisfação com o emprego atual atinja 95% dos profissionais, o horizonte profissional a longo prazo é encarado com um forte sentimento de cautela e desconfiança. Cerca de 42,7% dos entrevistados admitiram não saber em qual ocupação ou cargo estarão inseridos daqui a cinco anos. 

Essa lacuna de incerteza é ainda mais proeminente entre os colaboradores com maior idade e encontra-se diretamente atrelada ao avanço veloz da tecnologia corporativa. 

A pesquisa identificou que menos da metade da população brasileira domina habilidades digitais complexas, como o manejo de inteligência artificial ou a elaboração de planilhas de nível avançado. 

A deficiência técnica cria um efeito de ansiedade, em que o trabalhador se sente confortável no posto atual, mas teme perder espaço no mercado por não conseguir acompanhar as exigências de qualificação do amanhã. 

Quais são os maiores entraves para o crescimento? 

Para a fatia de trabalhadores que já possui um objetivo de carreira bem delimitado, o estudo mapeou os principais fatores externos que bloqueiam o sucesso profissional no país: 

  • Falta de vagas com boas condições: 22%
  • Falta de experiência prática exigida: 17,6%
  • Ausência de cursos de formação na região: 16,9%
  • Necessidade de cuidar de familiares: 16,1%

Paralelamente ao desejo de ascensão no emprego tradicional, o espírito empreendedor segue vivo no país: 13,9% dos brasileiros nutrem o plano de se tornarem seus próprios patrões. 

O foco desse grupo, contudo, permanece concentrado no empreendedorismo de sobrevivência e em ramos tradicionais da economia, como a abertura de comércios varejistas, restaurantes e salões de beleza.

*Com informações da Exame