
Iniciativa reúne jovens de diferentes cidades em desafios de programação e inovação, enquanto projeto social amplia acesso ao ensino tecnológico na região.
@caroline_leidiane
A sede da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos da Região de Votuporanga (Searvo) recebeu, no último sábado, dia 16 de maio, o 2º Torneio de Robótica, organizado pela Associação de Pais e Amigos da Robótica (Apar) em parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP).
O evento reuniu equipes de Votuporanga, Mirassol e Fernandópolis em uma disputa marcada por tecnologia, raciocínio lógico, programação e trabalho em equipe.

Ao todo, participaram 12 equipes de Votuporanga, Mirassol e Fernandópolis, distribuídas entre os níveis 1 e 2 da competição, em um torneio que também funcionou como treinamento para a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).
No nível 1, o primeiro lugar ficou com a equipe Sesi Troopbotics, seguida por Sesi Votu e Star Bots Kids. Já no nível 2, o Sesi Votu conquistou a primeira colocação, seguido por Rebellion Falcon e Star Bots.

Além disso, o encontro atua como espaço de troca de experiências e desenvolvimento técnico entre os participantes. Durante o evento, crianças e adolescentes passaram o dia ajustando robôs, testando sensores e compartilhando conhecimentos em programação, engenharia e trabalho em equipe.

Presidente da Searvo, Osmair Rossini de Caires destacou que o projeto nasceu a partir de uma parceria com o Crea-SP e hoje mantém atividades praticamente todos os dias da semana. Segundo ele, a proposta vai além do ensino tecnológico.
“As crianças não estão enfurnadas no quarto mexendo no celular. Elas estão exercitando a cabeça, montando projetos, aprendendo programação e convivendo em equipe”, afirmou.
Atualmente, o projeto atende interessados a partir dos 8 anos, de forma totalmente gratuita. As aulas acontecem na sede da Searvo e a procura cresceu nos últimos meses, formando uma fila de espera para novas vagas. A inscrição pode ser feita diretamente na associação ou Apar.

Durante a cerimônia de abertura do torneio, a Searvo também oficializou a parceria com a Apar, que agora passa a atuar de forma regularizada, com documentação e CNPJ próprios. No momento da formalização, Osmair assinou um termo de fomento e parceria válido por cinco anos, com possibilidade de renovação por mais cinco, consolidando o projeto de robótica dentro da associação e fortalecendo o vínculo com o Crea-SP.
Ele ressaltou ainda que o projeto sobrevive com apoio de empresas parceiras e doações da comunidade.
“Muitas vezes os custos com campeonatos e os materiais acabam saindo do bolso das famílias”, disse.
O conselheiro suplente do Crea-SP pela Searvo, Luiz Salerno Pinto, afirmou que iniciativas como essa ajudam a descentralizar o acesso à tecnologia no interior paulista.
“Geralmente esses movimentos ficam concentrados nos grandes polos, mas essa parceria consegue trazer projetos inéditos para uma região até então carente desse tipo de iniciativa”, pontuou.

Apoiado pela iniciativa privada, o torneio conta com incentivo da Allevant Engenharia. Representando a empresa, João Sérgio Cordeiro explicou que o investimento busca aproximar as crianças da computação e da engenharia ainda na infância.
“Quando você conhece tecnologia mais cedo, o potencial no futuro é muito maior. Nosso apoio é para que essas crianças tenham oportunidades melhores de carreira”, declarou.
Projeto busca ampliar estrutura e apoio
Atualmente, o grupo atende 19 participantes, mas a capacidade limitada do espaço impede novas entradas imediatas, o que já resultou em fila de espera. Segundo a presidente da Apar, Alessandra Gonçalves Caporalini, a associação foi criada justamente para garantir a continuidade e o fortalecimento do projeto de robótica, que existe há mais de uma década.
“Nós queríamos que ele continuasse crescendo e que os recursos arrecadados fossem investidos exclusivamente na robótica. Então, as mães se uniram porque nossos filhos amam isso e entendemos que a melhor forma de arrecadar recursos e garantir que o dinheiro fosse destinado apenas ao projeto era criar uma associação sem fins lucrativos”, salientou.

Alessandra elucidou que o trabalho é mantido de forma voluntária pelos pais e depende de doações e parcerias com empresas que acreditam no futuro da tecnologia e da engenharia.
“O nosso espaço é pequeno e precisamos ampliar para atender mais crianças”, completou.
De acordo com ela, os torneios funcionam como ferramenta de inclusão digital e desenvolvimento humano. Além da programação dos robôs, os alunos aprendem a lidar com frustração, disciplina e cooperação. Ela também ressaltou a importância do apoio público e privado para fortalecer a iniciativa no município.

O policial militar aposentado Odair Caporalini, que acompanha o projeto, frisou a necessidade de maior incentivo institucional.
“É importante que iniciativas privadas, Prefeitura e órgãos estaduais fomentem esse tipo de projeto. Às vezes falta muito pouco para essas crianças chegarem ainda mais longe”, disse, ao lembrar que equipes da região já participaram da etapa nacional em Brasília e quase alcançaram uma vaga internacional.

Entre os participantes, a estudante Mariana, de 13 anos, resume o impacto da robótica na vida dos alunos. Integrante do projeto há quatro anos, ela aponta que a experiência transformou sua forma de lidar com desafios.
“A robótica me ensinou muito sobre trabalho em equipe e frustração. Às vezes o robô funciona em um dia e no outro não faz nada, então você precisa voltar, corrigir e tentar de novo”, contou.

A jovem também já desenvolveu projetos voltados à preservação ambiental, como um sistema para auxiliar no monitoramento de tubarões em Fernando de Noronha, além de diferentes modelos de robôs utilizados nas competições da OBR.
“Quando entrei, achava que nunca conseguiria construir um robô. Hoje vejo que consigo”, concluiu entusiasmada.




