Tecnologia, inclusão e futuro marcam 2º Torneio de Robótica em Votuporanga

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Representantes da Searvo, do Crea-SP e da Associação de Pais e Amigos da Robótica (Apar) durante o 2º Torneio de Robótica, realizado em Votuporanga; parceria fortalece projeto gratuito que atende crianças e adolescentes da região - Foto: Leidiane Caroline

Iniciativa reúne jovens de diferentes cidades em desafios de programação e inovação, enquanto projeto social amplia acesso ao ensino tecnológico na região.


@caroline_leidiane

A sede da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos da Região de Votuporanga (Searvo) recebeu, no último sábado, dia 16 de maio, o 2º Torneio de Robótica, organizado pela Associação de Pais e Amigos da Robótica (Apar) em parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP).

O evento reuniu equipes de Votuporanga, Mirassol e Fernandópolis em uma disputa marcada por tecnologia, raciocínio lógico, programação e trabalho em equipe.

A presidente da Apar, Alessandra Gonçalves Caporalini, e o presidente da Searvo, Osmair Rossini de Caires, durante a assinatura do termo de fomento e parceria que oficializou a atuação regularizada da associação, agora com documentação e CNPJ próprios – Foto: Leidiane Caroline

Ao todo, participaram 12 equipes de Votuporanga, Mirassol e Fernandópolis, distribuídas entre os níveis 1 e 2 da competição, em um torneio que também funcionou como treinamento para a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).

No nível 1, o primeiro lugar ficou com a equipe Sesi Troopbotics, seguida por Sesi Votu e Star Bots Kids. Já no nível 2, o Sesi Votu conquistou a primeira colocação, seguido por Rebellion Falcon e Star Bots.

Participantes da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) – Foto: Andreia Oliver

Além disso, o encontro atua como espaço de troca de experiências e desenvolvimento técnico entre os participantes. Durante o evento, crianças e adolescentes passaram o dia ajustando robôs, testando sensores e compartilhando conhecimentos em programação, engenharia e trabalho em equipe.

A estudante Mariana, de 13 anos, integra a equipe Starbots Kids do projeto de robótica da Searvo e destaca o impacto da tecnologia no aprendizado e no trabalho em grupo – Foto: Leidiane Caroline

Presidente da Searvo, Osmair Rossini de Caires destacou que o projeto nasceu a partir de uma parceria com o Crea-SP e hoje mantém atividades praticamente todos os dias da semana. Segundo ele, a proposta vai além do ensino tecnológico.

“As crianças não estão enfurnadas no quarto mexendo no celular. Elas estão exercitando a cabeça, montando projetos, aprendendo programação e convivendo em equipe”, afirmou.

Atualmente, o projeto atende interessados a partir dos 8 anos, de forma totalmente gratuita. As aulas acontecem na sede da Searvo e a procura cresceu nos últimos meses, formando uma fila de espera para novas vagas. A inscrição pode ser feita diretamente na associação ou Apar.

João Sérgio Cordeiro e a esposa, Maria Lúcia, apoiadores do projeto de robótica da Searvo, ao lado do filho João Antonio, participante do torneio – Foto: Leidiane Caroline

Durante a cerimônia de abertura do torneio, a Searvo também oficializou a parceria com a Apar, que agora passa a atuar de forma regularizada, com documentação e CNPJ próprios. No momento da formalização, Osmair assinou um termo de fomento e parceria válido por cinco anos, com possibilidade de renovação por mais cinco, consolidando o projeto de robótica dentro da associação e fortalecendo o vínculo com o Crea-SP.

Ele ressaltou ainda que o projeto sobrevive com apoio de empresas parceiras e doações da comunidade.

“Muitas vezes os custos com campeonatos e os materiais acabam saindo do bolso das famílias”, disse.

O conselheiro suplente do Crea-SP pela Searvo, Luiz Salerno Pinto, afirmou que iniciativas como essa ajudam a descentralizar o acesso à tecnologia no interior paulista.

“Geralmente esses movimentos ficam concentrados nos grandes polos, mas essa parceria consegue trazer projetos inéditos para uma região até então carente desse tipo de iniciativa”, pontuou.

Mesa com kits educativos utilizados na oficina de robótica chamou a atenção das crianças durante o evento; os materiais incluem projetos movidos a energia solar e motores, desenvolvidos para estimular a curiosidade e o interesse pela tecnologia – Foto: Leidiane Caroline

Apoiado pela iniciativa privada, o torneio conta com incentivo da Allevant Engenharia. Representando a empresa, João Sérgio Cordeiro explicou que o investimento busca aproximar as crianças da computação e da engenharia ainda na infância.

“Quando você conhece tecnologia mais cedo, o potencial no futuro é muito maior. Nosso apoio é para que essas crianças tenham oportunidades melhores de carreira”, declarou.

Projeto busca ampliar estrutura e apoio

Atualmente, o grupo atende 19 participantes, mas a capacidade limitada do espaço impede novas entradas imediatas, o que já resultou em fila de espera. Segundo a presidente da Apar, Alessandra Gonçalves Caporalini, a associação foi criada justamente para garantir a continuidade e o fortalecimento do projeto de robótica, que existe há mais de uma década.

“Nós queríamos que ele continuasse crescendo e que os recursos arrecadados fossem investidos exclusivamente na robótica. Então, as mães se uniram porque nossos filhos amam isso e entendemos que a melhor forma de arrecadar recursos e garantir que o dinheiro fosse destinado apenas ao projeto era criar uma associação sem fins lucrativos”, salientou.

Durante o torneio, os robôs precisaram cumprir diferentes funções e desafios programados pelas equipes, exigindo precisão, raciocínio lógico e domínio técnico dos participantes – Foto: Leidiane Caroline

Alessandra elucidou que o trabalho é mantido de forma voluntária pelos pais e depende de doações e parcerias com empresas que acreditam no futuro da tecnologia e da engenharia.

“O nosso espaço é pequeno e precisamos ampliar para atender mais crianças”, completou.

De acordo com ela, os torneios funcionam como ferramenta de inclusão digital e desenvolvimento humano. Além da programação dos robôs, os alunos aprendem a lidar com frustração, disciplina e cooperação. Ela também ressaltou a importância do apoio público e privado para fortalecer a iniciativa no município.

Equipes participantes do 2º Torneio de Robótica, que reuniu crianças e adolescentes em desafios voltados à programação, inovação e trabalho em grupo – Foto: Andreia Oliver

O policial militar aposentado Odair Caporalini, que acompanha o projeto, frisou a necessidade de maior incentivo institucional.

“É importante que iniciativas privadas, Prefeitura e órgãos estaduais fomentem esse tipo de projeto. Às vezes falta muito pouco para essas crianças chegarem ainda mais longe”, disse, ao lembrar que equipes da região já participaram da etapa nacional em Brasília e quase alcançaram uma vaga internacional.

Equipes participantes do 2º Torneio de Robótica, que reuniu crianças e adolescentes em desafios voltados à programação, inovação e trabalho em grupo – Foto: Andreia Oliver

Entre os participantes, a estudante Mariana, de 13 anos, resume o impacto da robótica na vida dos alunos. Integrante do projeto há quatro anos, ela aponta que a experiência transformou sua forma de lidar com desafios.

“A robótica me ensinou muito sobre trabalho em equipe e frustração. Às vezes o robô funciona em um dia e no outro não faz nada, então você precisa voltar, corrigir e tentar de novo”, contou.

Equipes participantes do 2º Torneio de Robótica, que reuniu crianças e adolescentes em desafios voltados à programação, inovação e trabalho em grupo – Foto: Andreia Oliver

A jovem também já desenvolveu projetos voltados à preservação ambiental, como um sistema para auxiliar no monitoramento de tubarões em Fernando de Noronha, além de diferentes modelos de robôs utilizados nas competições da OBR.

“Quando entrei, achava que nunca conseguiria construir um robô. Hoje vejo que consigo”, concluiu entusiasmada.