Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes por calor no Brasil 

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Estudo internacional projeta 13,3 mil mortes relacionadas ao calor do Super El Niño no Brasil e aponta maior vulnerabilidade em regiões do Sul Global – Foto: Reprodução

Estudo projeta 451 mil mortes relacionadas ao calor no mundo durante os primeiros nove meses do fenômeno; Brasil está entre os países com maior impacto estimado.


O calor associado ao atual Super El Niño poderá provocar 13,3 mil mortes no Brasil, segundo projeção divulgada pelo Climate Impact Lab. O número representa mortes relacionadas às temperaturas elevadas provocadas pelo fenômeno em comparação com as condições esperadas em um período normal.

No cenário global, os pesquisadores estimam 451 mil mortes relacionadas ao calor durante os primeiros nove meses do El Niño, entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, números calculados em comparação a um ano considerado normal.

O fenômeno começou em junho e, segundo o relatório, deverá fazer com que as temperaturas globais em áreas terrestres fiquem cerca de 1,2 °C acima do normal nos próximos meses. Os pesquisadores projetam também um aumento de 44% no número de dias extremamente quentes.

Brasil entre os mais afetados

Na América do Sul, o Brasil aparece com a maior projeção de mortes associadas ao calor, chegando a 13,3 mil. O levantamento também aponta impactos expressivos em outras partes do Sul Global.

Entre os países destacados pelo estudo, a Nigéria poderá registrar 31,4 mil mortes adicionais, enquanto a Indonésia aparece com 19,3 mil, o Sudão com 17,5 mil e a Índia com 15,8 mil.

No Brasil, as projeções mais elevadas se concentram no Norte e Nordeste. O Pará aparece com estimativa de 2,3 mil mortes, seguido pelo Maranhão, com 1,3 mil, e por Amazonas e Bahia, com 1,2 mil cada. O período considerado mais crítico deverá ocorrer entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Medidas podem reduzir impacto

Os pesquisadores ressaltam que a projeção não significa que todas essas mortes necessariamente ocorrerão. O estudo busca justamente identificar as regiões mais vulneráveis para permitir a adoção antecipada de medidas capazes de reduzir os impactos do calor extremo.

Entre as estratégias apontadas estão sistemas de alerta para temperaturas extremas, centros de resfriamento e medidas de proteção para trabalhadores expostos ao calor. Segundo o Climate Impact Lab, uma resposta direcionada às áreas consideradas prioritárias pode evitar dezenas de milhares de mortes.

O relatório alerta ainda que os números poderão crescer caso o El Niño permaneça por mais tempo, já que as previsões consideradas pelos pesquisadores indicam a continuidade do fenômeno em 2027.