SOBRIEDADE JÁ

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

E VERDADE ABSOLUTA, EXISTE?

Algumas linhas filosóficas afirmam: “Não existe verdade absoluta.” Parece uma frase moderna, elegante e até democrática. O problema é que ela tropeça na própria calçada: se for absolutamente verdadeira, então existe pelo menos uma verdade absoluta. É quase como dizer: “Tenho certeza de que ninguém pode ter certeza de nada.”

Mas a questão vai além de uma brincadeira lógica.

Para nós, cristãos, a Verdade absoluta não é apenas uma ideia, uma teoria ou uma conclusão filosófica. A Verdade tem rosto, nome e história. Tem uma pessoa.

Jesus não disse: “Eu conheço a verdade.” Ele disse: “Eu sou a verdade.” Cristo não veio simplesmente apresentar uma verdade para ser estudada. Ele veio ser a Verdade para ser encontrada, seguida e vivida.

Por isso, a verdade não depende da nossa opinião, da moda, da época ou da quantidade de pessoas que acreditam nela. Podemos discutir muitas coisas, mudar de ideia e reconhecer que estávamos errados. Isso faz parte da condição humana.

Mas existe uma Verdade que não muda porque o mundo mudou. Uma Verdade que não precisa de votação para continuar sendo verdadeira.

E essa Verdade, para nós, não é uma teoria abstrata. É Cristo.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (Jo 14,6)

IMPOSSÍVEL: FATO OU SUA OPINIÃO

A gente chama de impossível aquilo que ainda não viu acontecer. Mas será que o impossível é realmente um fato ou apenas a opinião de quem está olhando para o problema com os próprios olhos?

Quando o Mar Vermelho apareceu diante de Moisés, a lógica provavelmente disse: “Acabou!”. Só que Deus não costuma respeitar à lógica humana. O mar, que não obedecia aos homens, obedeceu ao seu Criador. E onde parecia existir apenas um fim, Deus abriu um caminho.

Talvez o seu problema hoje seja grande. Mas, convenhamos, ele ainda é menor do que dividir um mar, ressuscitar um morto ou transformar água em vinho, concorda? Deus já fez tudo isso. E não está cansado.

Por isso, antes de decretar que alguma coisa é impossível, faça uma pergunta simples: impossível para quem?

Porque aquilo que para nós parece um ponto final pode ser apenas uma vírgula nas mãos de Deus. O impossível não é necessariamente um fato. Muitas vezes, é apenas uma opinião humana diante de um Deus que ainda não terminou de agir.

“Para Deus nada é impossível.” (Lc 1,37)

VOCÊ VAI SE ARREPENDER

Em algum momento da vida, você vai se arrepender. Talvez de ter se casado, mas também de ter ficado solteiro. De ter trabalhado naquela empresa e não naquela outra. De ter feito determinado curso, escolhido aquela cidade ou tomado uma decisão que, anos depois, parece ter sido errada.

Mas talvez o problema não esteja na escolha. Está em viver a realidade dela. Toda escolha traz problemas, renúncias e decepções. Já aquilo que não escolhemos permanece apenas na imaginação. E existe uma curiosa injustiça nisso: comparamos uma realidade cheia de defeitos com uma possibilidade que nunca precisou enfrentar nenhum deles.

Por isso, a vida que não vivemos quase sempre parece melhor.

Então, antes de perguntar: “E se eu tivesse escolhido diferente?”, talvez seja melhor perguntar: “Eu fiz essa escolha tentando caminhar na vontade de Deus para minha vida?”

Nem toda escolha será perfeita, mas podemos confiar que Deus também trabalha dentro das nossas limitações, erros e recomeços. Há uma frase do Pai-Nosso que pode nos livrar de muitos arrependimentos: “Seja feita a vossa vontade”.

Afinal, mais importante do que escolher o caminho perfeito é permitir que Deus caminhe conosco no caminho escolhido por Ele.

“Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.” (Mt 6,10)

VOCÊ TEM CARGA HORÁRIA?

Esses dias, numa entrevista de emprego, um rapaz me perguntou: “Qual vai ser a carga horária?” Pergunta absolutamente normal. Mas, naquela hora, uma palavra me chamou atenção: carga.

Carga horária. Como se algumas horas do nosso dia fossem um peso que precisamos carregar até chegar a hora de largá-lo.

É claro que trabalho exige esforço, compromisso e responsabilidade. Mas talvez devêssemos tomar cuidado para não transformar toda a vida em uma lista de cargas a suportar. São quarenta horas semanais de trabalho, oito horas de sono, trânsito, compromissos, contas, problemas… E, quando percebemos, estamos vivendo como quem espera a vida acabar para finalmente começar a viver.

Cada hora é um presente. Inclusive aquela que parece comum, cansativa ou repetitiva.

Talvez o segredo não seja apenas trabalhar para ganhar a vida, mas aprender a viver enquanto trabalhamos, sem adiar a alegria.

Porque há algo que o relógio nunca oferece: hora extra.

A vida não devolve o minuto desperdiçado, nem permite que amanhã você complete a felicidade que deixou para depois.

Então, cuide das suas horas. Elas não são carga. São oportunidade.

“Ensinai-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos a sabedoria do coração.” (Sl 89,12)

QUANTO MAIOR A ARMADURA, MAIS FRACO O SOLDADO

Quanto maior a armadura, mais fraco pode estar o soldado que a usa. Na vida, algumas pessoas também se revestem de armaduras. Não de ferro, mas de desconfiança, frieza, orgulho e distância.

São mecanismos criados para evitar que alguém se aproxime demais, toque nas feridas e descubra as fragilidades por trás da aparência de força.

A pessoa acredita que está protegida, mas está apenas escondida. Desenvolve resistência a um abraço, medo de confiar e habilidade para manter os outros sempre a uma distância segura. Parece força. Mas nem sempre é.

O forte não é aquele que nunca deixa ninguém chegar. É aquele que consegue baixar a guarda sem perder a dignidade. É quem admite que precisa do outro, que pode ser ferido e que nem todo mundo que se aproxima veio para machucar.

A armadura pode impedir flechas, mas também impede abraços. Pode proteger das decepções, mas também impedir encontros que mudariam a vida.

Talvez a maior coragem não seja aprender a lutar melhor, mas descobrir quando já não é preciso lutar.

Porque ninguém consegue abraçar alguém que passa a vida inteira vestido para a guerra.

“No amor não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor.” (1Jo 4,18) 

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”

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