SOBRIEDADE JÁ

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

ESPERE O MELHOR, MAS ESTEJA PREPARADO PARA O PIOR

Espere o melhor. Torça pelo melhor. Reze pelo melhor. Mas esteja preparado para o pior.

A esperança e a fé não foram dadas para nos deixar distraídos da realidade. Elas nos ajudam a encará-la com mais lucidez.

Noé construiu uma arca quando ainda não havia sinal de chuva. José armazenou alimentos quando os celeiros estavam cheios. Ambos acreditavam em dias bons, mas não ignoraram a possibilidade dos dias difíceis.

Afinal, ninguém faz seguro porque espera um acidente. Ninguém leva um colete salva-vidas porque tem certeza de que vai afundar. Fazemos isso por prudência. E prudência não é pessimismo; é sabedoria.

Muita gente confunde fé com a expectativa de que tudo dará certo. Mas a verdadeira fé não é acreditar que não haverá tempestades. É acreditar que, quando elas chegarem, haverá uma arca, um celeiro ou uma força interior capaz de sustentá-lo.

Esperar o melhor alimenta a esperança. Estar preparado para o pior fortalece a coragem. E quando esperança e coragem caminham juntas, o futuro deixa de ser uma possível ameaça.

“O homem prudente vê o mal e procura refúgio; os imprudentes passam adiante e sofrem as consequências.” (Provérbios 22,3)

DEUS NÃO TEM UM “PLANO B”

Por prudência, quase todos nós temos um plano B. Uma alternativa, uma carta na manga, uma saída de emergência caso as coisas não aconteçam como imaginamos.

Mas Deus não nos criou como um projeto provisório. Não somos um rascunho celestial esperando correções futuras. Deus não olha para nós e pensa: “Se isso não funcionar, tento outra coisa.”

O plano d’Ele sempre foi um só: amor, felicidade e santidade.

O problema é que nós insistimos em inventar nossos próprios atalhos. Criamos os planos B, C, … e, muitas vezes, nos afastamos justamente daquilo que Deus havia sonhado para nós.

Talvez o melhor seja termos apenas um plano D: o D de Deus.

Confiar que Ele enxerga o que nós não enxergamos. Aceitar que a verdadeira felicidade não está em fazer tudo do nosso jeito, mas em permitir que aquele que nos conhece melhor do que nós mesmos conduza nossos passos.

Nossos planos podem falhar. Mas o Plano D foi escrito pelo mesmo Amor que nos trouxe à existência. E quando nos entregamos a esse Amor, descobrimos que Deus nunca improvisou nossa história.

“Porque eu conheço os desígnios que tenho a vosso respeito, diz o Senhor.” (Jeremias 29,11)

A VAIDADE ENTRA, A VERDADE SAI

Muita gente trata diálogo e discussão como se fossem a mesma coisa. Mas não são.

Na discussão, geralmente duas pessoas tentam provar que estão certas. No diálogo, duas pessoas tentam descobrir o que é certo.

Por isso, nas discussões, o volume da voz sobe na mesma velocidade que a capacidade de ouvir diminui. E quando a vaidade entra, a verdade costuma sair.

O problema é que, muitas vezes, não estamos defendendo uma ideia. Estamos defendendo nosso orgulho. E aí qualquer argumento contrário parece um ataque pessoal.

Dialogar exige humildade. Exige admitir que talvez eu não tenha todas as respostas. Exige ouvir não para preparar uma resposta rápida, mas para compreender.

Uma discussão normalmente termina quando alguém vence. Um diálogo termina quando todos aprendem.

E um dos maiores sinais de maturidade é este: abandonar uma opinião quando encontramos algo mais verdadeiro. Porque crescer não é ter sempre razão. Crescer é amar a verdade mais do que o próprio ego.

“O insensato não gosta da prudência; ele só quer mostrar o que pensa.” (Provérbios 18,2)

A INDIFERENÇA É UM SILÊNCIO BARULHENTO

Dias atrás, fiquei refletindo sobre uma frase atribuída a Santa Faustina: muitas pessoas não se perderão por ódio a Deus, mas pela indiferença.

E pensando bem, eu não me lembro de encontrar alguém dizendo: “Eu odeio Deus.” Pelo contrário. O que mais ouvimos é: “Deus te abençoe”, “Fica com Deus”, “Se Deus quiser”, “Deus te pague”. Até quem não acredita muito, às vezes, deixa uma dessas escapar.

O problema nem sempre é a rejeição. Muitas vezes é o adiamento.

É saber o que é certo, e deixar para depois. É ouvir o chamado de Deus e colocá-lo na sala de espera. É deixar para amanhã aquilo que deveria transformar hoje.

A indiferença é perigosa porque não faz barulho. Ela não bate portas. Ela apenas vai esfriando o coração aos poucos.

E isso não vale apenas para Deus. Vale para nossos relacionamentos também.

Talvez você não odeie ninguém. Mas a pergunta não é: “Quem eu odeio?” Mas sim: “Por quem me tornei indiferente?”

Cada vez mais, me convenço de que o contrário do amor não é o ódio. É a indiferença, o ódio ainda olha, já a indiferença simplesmente deixa de enxergar.

E o que não recebe atenção acaba morrendo de abandono.

“Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!” (Apocalipse 3,15)

FÉ É COISA DE HUMANO, NÃO SÓ DE CRENTE

Às vezes pensamos que fé é apenas acreditar em Deus. Mas fé é acreditar. E cada pessoa escolhe em quem ou no que vai depositar essa confiança.

Mesmo quem afirma não ter fé, na verdade acredita em alguma coisa. Porque o ser humano foi feito para confiar.

Se não acredita em Deus, acreditará na ciência, no acaso, na sorte, no dinheiro, numa ideologia ou até em si mesmo. O espaço da fé nunca fica vazio. Ele apenas muda de endereço.

Por isso, a questão não é se você tem fé. A questão é onde você a colocou.

Todos nós fazemos planos para amanhã sem saber se estaremos aqui. Todos nós confiamos em pessoas sem poder prever completamente suas atitudes. Todos nós damos passos sem enxergar o caminho inteiro.

A vida inteira é atravessada por atos de fé.

É verdade que a fé ultrapassa a razão. Mas ela não precisa contrariá-la. Ela é uma decisão livre e consciente de confiança.

Logo, a pergunta mais importante não é: “Você tem fé?” Mas sim: “Em quem você decidiu confiar?”

Porque cedo ou tarde nos tornamos parecidos com aquilo em que colocamos nossa esperança.

“Bendito o homem que deposita sua confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor.” (Jeremias 17,7) 

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”

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