SOBRIEDADE JÁ

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Carlinhos Marques - Presidente Fundador do INSTITUTO NOVO SINAI - Foto: Reprodução

RESPEITE O DESINTERESSE DO OUTRO

Algumas relações não terminam com uma despedida. Terminam com respostas curtas, silêncios longos e ausências cada vez mais frequentes. O entusiasmo esfria sem aviso, e muitos insistem em permanecer, como quem tenta acender uma lâmpada que já queimou.

É difícil aceitar quando alguém muda de lugar em nossa vida. Dói perceber que o carinho continua de um lado, mas já não encontra abrigo do outro. Ainda assim, maturidade é compreender que nem toda distância precisa ser explicada.

Às vezes insistimos porque confundimos amor com permanência. Achamos que se tentarmos mais um pouco, se enviarmos mais uma mensagem ou demonstrarmos mais carinho, tudo voltará a ser como antes. Mas nem sempre. Há pessoas que passam pela nossa vida para ensinar uma lição, não para permanecer nela para sempre. Algumas despedidas acontecem sem palavras e aceitá-las também é uma forma de amor.

Até Jesus respeitou a liberdade das pessoas. Chamou, acolheu, ensinou e amou, mas nunca obrigou ninguém a ficar. Alguns partiram, outros o abandonaram, e Ele não correu atrás tentando convencer quem já havia decidido partir.

Quem quer estar perto encontra motivos para permanecer. Quem não quer, encontra razões para se afastar.

Amar também é saber soltar. E a dignidade, às vezes, se parece muito com a coragem de seguir adiante sem carregar quem não deseja caminhar ao seu lado.

“Há amigos mais unidos que um irmão.” (Pr 18,24)

QUANDO O AMOR NÃO SABE NADAR

Vivemos ouvindo que querer é poder, mas a vida ensina que querer sozinho não resolve tudo. Entre o desejo e a realização existe um caminho chamado aprendizado.

Imagine uma mãe vendo o filho se afogar, ela certamente quer salvá-lo. O amor lhe dá coragem, mas coragem não substitui preparo. Se não souber nadar, o risco é grande dos dois afogarem.

Essa cena se repete diariamente em outras formas. Pais querem acertar, mas nunca aprenderam a educar. Casais querem permanecer juntos, mas não aprenderam a dialogar. Pessoas querem ajudar, mas não buscaram conhecimento para isso.

Boa intenção é valiosa mas não basta, o amor precisa de sabedoria para não causar feridas tentando produzir cura.

Muitas dores não nascem da maldade, mas da falta de preparo. Quantas vezes alguém tenta aconselhar e acaba confundindo? Quantas vezes tenta proteger e acaba sufocando? O coração pode estar cheio de amor, mas isso não elimina a necessidade de aprender, crescer e amadurecer.

Por isso, antes de assumir grandes responsabilidades, prepare-se. Antes de ensinar, aprenda. Antes de conduzir alguém, descubra o caminho.

O querer acende a chama. O saber impede que ela vire incêndio.

“O coração do homem planeja o seu caminho, mas é o Senhor quem dirige seus passos.” (Pr 16,9)

VOCÊ ESTÁ VIVENDO OU APENAS SOBREVIVENDO?

Estamos nos tornando especialistas em sobreviver e iniciantes em viver. A correria virou símbolo de importância. A agenda lotada parece convencer o ego de que somos indispensáveis.

Mas viver nunca foi apenas cumprir tarefas.

Enquanto tentamos dar conta de tudo, as crianças crescem, os pais envelhecem e os dias passam sem pedir licença. Vamos adiando a felicidade como quem guarda uma roupa nova para uma ocasião especial que nunca chega.

E existe uma ironia nisso tudo: trabalhamos tanto para construir uma vida melhor que, muitas vezes, deixamos de viver a própria vida que estamos tentando construir. Corremos atrás do futuro enquanto o presente passa pela janela sem que percebamos.

Viver é mais do que respirar, é ouvir uma música até o fim, é rir sem culpa, é rezar sem olhar o relógio, é perceber a beleza escondida nas coisas simples.

Uma das tristezas mais silenciosas da vida é descobrir tarde demais que, tentando ganhar a vida, perdemos boa parte dela pelo caminho.

Você não nasceu apenas para existir, nasceu para experimentar plenamente a vida.

“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo 10,10)

EXPULSE OS VENDILHÕES DO TEMPLO, DO TEMPLO QUE É VOCÊ

Quando Jesus expulsou os vendedores do templo não estava apenas defendendo um prédio sagrado, estava ensinando algo que continua atual.

Nós também somos templo, e às vezes, permitimos que muitos vendilhões se instalem dentro de nós.

Eles aparecem como orgulho, egoísmo, ressentimento, indiferença ou hábitos que roubam nossa paz. Entram discretamente, fazem morada e passam a ocupar espaços que pertencem a Deus.

O curioso é que muitas vezes não os expulsamos porque eles oferecem algum lucro aparente. O orgulho alimenta o ego, o ressentimento dá uma falsa sensação de justiça e a acomodação evita mudanças.

Mas aquilo que parece vantagem hoje pode ser a causa da nossa prisão amanhã.

Nem todo ladrão leva dinheiro. Alguns roubam a paz, outros roubam a fé.        Há também aqueles que roubam a alegria de viver e a capacidade de enxergar. E o mais perigoso é que muitos deles entram pela porta da justificativa e permanecem escondidos atrás das desculpas.

Olhe para dentro. Examine seu coração. E tenha coragem de retirar tudo o que profana o templo que Deus escolheu habitar, você.

“Não sabeis que sois templo de Deus?” (1Cor 3,16)

PARE DE PENHORAR SUA FELICIDADE

Grande parte do que fazemos tem um objetivo escondido, ser feliz. O problema é que costumamos colocar condições para isso.

Dizemos: “Serei feliz quando conseguir aquele emprego,” “serei feliz quando ganhar mais dinheiro,” “serei feliz quando encontrar a pessoa certa.”

Sem perceber, penhoramos nossa felicidade ao futuro.

É como se assinássemos um contrato com a vida dizendo: “Recuso-me a ser feliz até conquistar isso.”

E os dias passam.

Sonhar é importante, mas a felicidade não pode depender exclusivamente da próxima conquista. Caso contrário, ela estará sempre alguns passos à frente e nunca ao nosso alcance.

A verdadeira paz nasce quando aprendemos a agradecer pelo que já temos sem abandonar aquilo que ainda buscamos.

A gratidão não impede os sonhos; ela impede que a alma passe fome enquanto os sonhos não chegam. Quem aprende a agradecer pelo pão de hoje atravessa com mais serenidade o caminho até o pão de amanhã.

Porque quem condiciona a felicidade a tudo o que falta, acaba não desfrutando nada do que possui.

“Aprendi a contentar-me com o que tenho.” (Fl 4,11)

Por: Carlinhos Marques

Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”

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