ALMA É AQUILO QUE PERGUNTA SE A ALMA EXISTE
Há dias encontrei uma frase sensacional, atribuída ao poeta Mário Quintana: “A alma é aquilo que nos pergunta se a alma existe.” E, quanto mais penso nela, mais sentido encontro.
Ninguém acorda perguntando se tem um coração ou um braço. Mas a alma insiste em perguntar por si mesma. Talvez essa seja justamente uma das maiores provas de que ela existe.
O corpo sente fome. A mente procura respostas. Mas a alma busca sentido. Busca paz. Busca eternidade.
É ela que nos inquieta quando, aparentemente, está tudo bem. É ela que nos faz perceber que nenhuma conquista, nenhum dinheiro, nenhum aplauso, consegue preencher completamente o coração humano.
Quando a alma faz perguntas, ela não está duvidando de si. Está tentando despertar a nossa consciência. Está perguntando se o caminho que escolhemos ainda conduz ao que realmente importa.
Porque a alma não nasceu para viver longe de Deus. Toda inquietação que ela provoca pode ser apenas um convite silencioso para voltarmos à Casa do Pai, onde ela finalmente encontra descanso.
“Fizeste-nos para Ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti.” (Santo Agostinho)
“Como a corça suspira pelas águas correntes, assim minha alma suspira por Vós, ó Deus.” (Sl 41,2)
A GRATIDÃO SEGURA, O EGO DEIXA IR
Tudo, coisas e pessoas chegam até nós por um propósito. Muitas permanecem por um tempo; outras partem por uma razão. Oportunidades aparecem como presentes, e quase nunca por acaso.
Mas por que algumas delas vão embora?
Nem sempre é o destino. Nem sempre é a vontade de Deus. Às vezes, a resposta está em nós.
Perdemos porque ainda não estávamos preparados para receber ou porque não soubemos cuidar. O pior acontece quando o desinteresse ocupa o lugar da gratidão. Quem não valoriza, perde. Quem não cultiva, deixa secar. Quem trata o extraordinário como algo comum só descobre seu verdadeiro valor quando ele já se foi.
A vida continuará trazendo pessoas, oportunidades e bênçãos. Mas elas costumam permanecer onde encontram cuidado, maturidade e compromisso. Talvez a grande pergunta não seja o que Deus ainda vai nos dar, mas o que precisa mudar em nós para conservarmos aquilo que Ele já colocou em nossas mãos.
“A quem tem, será dado ainda mais” (Mt 13,12)
O BOI RECONHECE O SEU DONO, E NÓS?
Aqui no Instituto convivemos diariamente com vários animais. É impressionante como eles reconhecem, de longe, quem cuida deles. Basta alguém se aproximar com alimento ou carinho, e eles imediatamente demonstram confiança.
Tenho certeza de que acontece o mesmo na sua casa. Seu cachorro, seu gato ou qualquer outro animal sabe, quem o alimenta e protege.
Esse comportamento tão simples acaba nos dando uma grande lição.
Nós, seres humanos, recebemos todos os dias o ar, a água, o alimento da mesa, a força para trabalhar, tantas outras bênçãos que já se tornaram comuns aos nossos olhos. O problema é que a gratidão costuma ter memória curta.
Talvez a primeira conta que deveríamos pagar, no carnê da existência, fosse justamente a gratidão.
Há mais de setecentos anos antes de Cristo, o profeta Isaías fez uma observação que continua assustadoramente atual: o boi conhece seu dono. Os animais reconhecem quem cuida deles. Mas o ser humano, desfruta diariamente do cuidado de Deus sem sequer perceber quem sustenta a sua vida.
Talvez o maior milagre não seja Deus continuar nos abençoando. O maior milagre seja Ele continuar esperando que finalmente O reconheçamos.
“O boi conhece o seu dono, e o jumento, a manjedoura do seu senhor; mas Israel não conhece, o meu povo não compreende.” (Is 1,3)
O MELHOR TEMPERO É SEMPRE A FOME
O melhor tempero da vida nunca foi o sal. Sempre foi a fome.
Até um pedaço de pão se transforma em banquete quando a fome é verdadeira. E isso vale para tudo. Quem tem fome de aprender cresce. Quem tem fome de vencer insiste. Quem tem fome de Deus fortalece a fé.
O problema é que muita gente perdeu a fome. Quer colher sem plantar, vencer sem lutar e até receber milagres sem alimentar a própria fé.
Quando o desejo morre, até as maiores vitórias perdem o sabor.
Quem já não sente fome dificilmente agradecerá por um banquete. A rotina pode anestesiar os sonhos, acomodar o coração e apagar o entusiasmo de viver.
Não permita que isso aconteça. Conserve a fome de recomeçar, de aprender, de amar, de servir e de buscar a Deus. Quem continua com fome nunca para no meio do caminho. Descobre que a felicidade não está apenas na chegada, mas na alegria de continuar caminhando.
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.” (Mt 5,6)
FAÇA ALGUÉM FELIZ, COMECE POR VOCÊ
Aceite este desafio: faça alguém feliz. Mas comece por você.
Aliás, esse primeiro “alguém” precisa ser você mesmo. Muita gente passa a vida tentando fazer os outros felizes e acaba esquecendo de si. É como querer acender uma vela usando outra que já está apagada.
Fazer alguém feliz começa quando fazemos as pazes com a pessoa que encontramos todas as manhãs diante do espelho. Quem vive em guerra consigo mesmo dificilmente conseguirá espalhar paz por onde passa.
Isso não é egoísmo. É sabedoria. Afinal, ninguém consegue oferecer aquilo que não possui.
A felicidade tem uma característica curiosa: quanto mais é repartida, mais cresce. Mas, para ser repartida, ela precisa nascer primeiro dentro de nós.
Faça um favor ao mundo. Cuide de você. Sorria mais. Reclame menos. Agradeça mais. E permita que o maior presente que alguém receba hoje seja simplesmente encontrar com você, e que sua felicidade seja contagiante.
“Alegra-te sempre no Senhor.” (Fl 4,4)
Por: Carlinhos Marques
Presidente Fundador Instituto Novo Sinai, idealizador projeto “Sobriedade Já”
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