Santa Casa comemora Dia Mundial do Rim

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Pacientes contam como é conviver com as doenças renais e ter qualidade de vida.


Há 20 anos, Roseli Camillo, de 44 anos, é paciente da Santa Casa de Votuporanga. Três vezes por semana, ela se dirige para a Unidade de Diálise para suas sessões. Nestas duas décadas, o Hospital se tornou muito mais do que um lugar de tratamento, mas onde Roseli criou vínculo e amizades.

Na Instituição, ela fez amigos de jornada. Viu transferências de colegas, acompanhou casos de transplantes bem-sucedidos e, até mesmo, sentiu saudade por alguém que já foi. Neste tempo, ela ganhou vida. “É a minha segunda família, considero demais cada um, sejam enfermeiros, auxiliares de limpeza, médicos e os outros pacientes. Eles me entendem como ninguém, porque estão passando pelas mesmas situações. Temos afinidades e sinto a falta de muitos que já não estão conosco mais!”, contou.

Roseli caminha pelos corredores, como quem lida muito bem com sua doença renal. Mora com sua mãe, passeava (antes da pandemia), levava seus familiares no médico. “Vivo bem, normalmente”, afirmou.

A paciente foi diagnosticada com nefrite, aos cinco anos. Aos 10 anos, ela foi curada. “Em 1999, entre seus 19 e 20 anos, adoeci de novo, quando precisei de diálise”, contou.

A nefrologista e responsável pela Unidade de Diálise da Santa Casa, Dra. Aparecida Paula G. Visoná, foi sua primeira médica. “Lembro muito bem do começo, do salão pequeno. Cresceu muito o serviço e só posso agradecer pelo atendimento”, destacou. Em 2010, ela chegou a fazer um transplante, mas retornou para o tratamento renal em 2012.

De bem com a vida, Robson da Silva Bonviceni, de 49 anos, gosta é de conversar. Neste mês, ele completa três anos de transplante renal. “Eu tinha receio do procedimento, mas quis tentar e deu tudo certo. Foi a melhor coisa que aconteceu”, contou.

Foram dois anos e 10 meses de diálise até o transplante sair. “Nunca me deixei abalar, vivia normalmente. Trabalhava, sempre fui muito ativo”, complementou o pai de Gabriel, de 19 anos, e de João Victor, de 12 anos.

Agora transplantado, Robson só vem para o Hospital para visitar a equipe. “Só posso agradecer a Deus e a minha família, além de todos os profissionais que me atenderam”, afirmou.

Para viver bem com a doença

A médica Dra. Paula enfatizou o controle da pressão alta e diabetes. “São as principais causas de doença renal crônica, por isso, é muito importante que essas doenças sejam bem controladas para evitar a piora”, afirmou

De olho na alimentação! A profissional ressaltou o controle da ingestão de nutrientes como sal, fósforo, potássio e proteína, “e nos casos mais graves também pode ser preciso controlar o consumo de líquidos em geral, como água e sucos”.

Ela falou dos cuidados que os pacientes precisam tomar. “Praticar exercícios físicos, não fumar, evitar bebidas alcoólicas, manter o peso sob controle e evitar o estresse são algumas das recomendações saudáveis que ajudam melhorar o metabolismo do corpo, o funcionamento do fluxo sanguíneo e proteger a saúde dos rins, contribuindo para conter a progressão da insuficiência renal”, afirmou.

Mais dicas para conviver com a doença:

1- Controlar a sede comendo frutas congeladas, doces azedos, chupando limão ou pedaços de gelo;

2- Melhorar o sabor dos alimentos temperando com ervas aromáticas, como salsa, manjericão, louro, gengibre, ou limão, por exemplo.

3- Praticar um exercício físico de relaxamento, como yoga, para ajudar a descontrair;

4- Compartilhar os seus problemas com outros doentes com a mesma doença, em redes sociais ou grupos de apoio, para ajudar a enfrentar a doença;

5-Utilizar receitas pobres em proteína, potássio, fósforo e sal.

Doença Renal Crônica

A doença renal crônica (DRC) se caracteriza por lesão nos rins que se mantém por três meses ou mais, com diversas consequências, pois os rins têm muitas funções, dentre elas: regular a pressão arterial, “filtrar” o sangue, eliminar as toxinas do corpo, controlar a quantidade de sal e água do organismo, produzir hormônios que evitam a anemia e as doenças ósseas, entre outras. Em geral, nos estágios iniciais, a DRC é silenciosa, ou seja, não há sintomas ou são poucos e inespecíficos. Por isto, o diagnóstico pode ocorrer tardiamente, quando o funcionamento dos rins já está bastante comprometido, muitas vezes em estágio muito avançado, quando é necessário tratamento de diálise ou transplante renal. Assim, são fundamentais a prevenção e o diagnóstico precoce da doença, com exames de baixo custo, como a creatinina no sangue e o exame de urina simples.

Campanha da Sociedade Brasileira de Nefrologia

A Sociedade Brasileira de Nefrologia definiu o tema do Dia Mundial do Rim deste ano: “Vivendo bem com a doença renal”. O objetivo é o de conscientizar e orientar o paciente com doença renal crônica (DRC) quanto aos próprios sintomas, para que possa participar, de forma mais efetiva, na rotina da vida cotidiana.