
Trabalho de pós-graduação, desenvolvido pelo pesquisador Ravel Gimenes, propõe o uso de IA e impressão 3D como ferramentas de educação patrimonial em Votuporanga


@caroline_leidiane
No fim do ano passado, o Instituto Federal de São Paulo – Campus Votuporanga foi palco da apresentação de um projeto que propõe olhar para o passado da cidade a partir das tecnologias do presente.
Desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Pós-Graduação em Gestão de Tecnologia da Informação, o estudo do pesquisador Ravel Gimenes investiga como a Inteligência Artificial e a Cultura Maker podem contribuir para a preservação da memória histórica de Votuporanga.
Intitulado “Gestão de TI aplicada à Educação Patrimonial: Cultura Maker e Inteligência Artificial no Desenvolvimento de Dispositivos de Mediação da História de Votuporanga/SP”, o trabalho foi apresentado em defesa pública realizada no Laboratório Maker do campus.
A pesquisa teve orientação do professor doutor Ricardo César de Carvalho e coorientação da professora doutora Elaine Cristina Ferreira de Oliveira.
A motivação do estudo parte de um diagnóstico preocupante: mesmo com 88 anos de fundação, Votuporanga enfrenta dificuldades na preservação de sua memória, marcadas pela deterioração de documentos e pelo desaparecimento de referências históricas.
Diante desse cenário, o projeto propõe o uso de ferramentas tecnológicas como estratégia para tornar o ensino de história local mais atrativo, especialmente para as novas gerações.
A metodologia desenvolvida combina diferentes etapas que vão da recuperação de fotografias antigas à materialização de modelos tridimensionais. A partir da seleção de imagens históricas e dados sobre pontos importantes da cidade, o pesquisador utilizou um sistema de Inteligência Artificial capaz de transformar registros bidimensionais em modelos 3D detalhados. Esses modelos foram então impressos com filamento de Acrilonitrila Butadieno Estireno (ABS), permitindo a criação de maquetes físicas que podem ser manuseadas em sala de aula.
Entre os resultados obtidos estão a reconstrução da primeira igreja de Votuporanga — já demolida — e a produção de maquetes do Mercado Municipal, do Palácio da Justiça e da Catedral Nossa Senhora Aparecida.
A proposta é que esses objetos funcionem como dispositivos de mediação pedagógica, aproximando os estudantes da história local por meio da experimentação e do contato direto.
O projeto também aposta no ambiente digital como aliado da preservação histórica. Foi desenvolvido um repositório colaborativo utilizando o Google My Maps, no qual pontos históricos da cidade são mapeados e acompanhados de fotos, vídeos e textos informativos.
A ferramenta permite que professores e alunos alimentem o conteúdo, ampliando e democratizando o acesso ao conhecimento sobre o patrimônio local.
Na avaliação final, o estudo aponta que a integração entre tecnologias como Inteligência Artificial e impressão 3D com o ensino tradicional é não apenas viável, mas necessária.
A proposta dialoga com os quatro pilares da educação para o século XXI definidos pela Unesco: aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser.
Ao colocar o aluno no centro do processo, como agente ativo na construção do conhecimento e na preservação da memória coletiva, o projeto reafirma a ideia de que a história se mantém viva quando compartilhada.
Essa perspectiva é sintetizada na frase do artista plástico Aloísio Magalhães, citada na conclusão do trabalho: “A comunidade é a melhor guardiã de seu patrimônio”.




