Polointer vira alvo de disputa após relatos de prejuízos em Votuporanga 

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A 3ª Polointer – Feira de Negócios gerou versões divergentes entre o vereador Cabo Renato Abdala e o organizador; Prefeitura esclareceu que o evento era de iniciativa privada – Foto: Reprodução

Cabo Renato Abdala (PRD) afirma que expositores tiveram prejuízos; organizador contesta acusações, diz ter cumprido as exigências para o evento e anuncia medidas judiciais. Prefeitura afirma que feira era de iniciativa privada.


A 3ª edição da Polointer – Feira de Negócios, anunciada para Votuporanga/SP tornou-se alvo de uma disputa de narrativas envolvendo o vereador Cabo Renato Abdala (PRD), empresários que participariam do evento e seu organizador, Dil Grande. O parlamentar divulgou um vídeo nas redes sociais relatando que expositores de Votuporanga e de outras cidades teriam sofrido prejuízos após efetuarem pagamentos para participar da feira.

Segundo o material de divulgação, a Polointer teve programação entre os dias 16 e 20 de setembro, no Centro de Eventos “Helder Henrique Galera”. A publicidade apresentava a iniciativa como uma feira de negócios voltada ao varejo, com participação de marcas, empresários e profissionais, além de anunciar estrutura de bar e restaurante.

No vídeo divulgado nas redes sociais, Cabo Renato Abdala afirmou ter recebido reclamações sobre a realização da feira e chamou a atenção para a situação dos comerciantes que, segundo ele, desembolsaram valores para participar do evento.

O caso, porém, ganhou um novo capítulo após o principal nome vinculado ao evento, Dil Grande, contestar as declarações do parlamentar.

Organizador rebate acusações

Dil afirmou ter sido surpreendido pelas acusações e negou irregularidades na realização da Polointer. Segundo ele, tratava-se de um evento particular, sem responsabilidade da Prefeitura pela organização.

O organizador também sustentou ter cumprido as exigências para realização do evento e disse que não poderia garantir a presença de público como parte dos compromissos assumidos com os expositores: “Infelizmente, você não controla as pessoas que vão no evento. Não existe nenhuma parte do contrato que eu me comprometo em colocar pessoas lá dentro”, declarou.

Dil também afirmou que a repercussão das acusações teria provocado insegurança entre os participantes e contribuído para a saída de expositores. Ele contesta ainda a afirmação de que o evento não possuía a documentação necessária.

“Eu fiz a minha parte. Eu entreguei a feira documentada, com segurança. Foi uma feira privada, onde a Prefeitura não tinha nada a ver com isso”, afirmou.

O organizador informou ainda que seu advogado estaria adotando providências jurídicas e disse que pretende buscar a responsabilização judicial pelas declarações que considera ofensivas ou prejudiciais à realização do evento.

Prefeitura diz que evento era privado

Em nota oficial, a Prefeitura de Votuporanga esclareceu que a 3ª Polointer 2026 era uma iniciativa privada, organizada por empresa particular, e que o município não tinha responsabilidade pela organização, contratação, execução ou condução da feira. 

Conforme a administração municipal, a participação do poder público ficou restrita à autorização para uso do Centro de Eventos “Helder Henrique Galera” e aos procedimentos administrativos relacionados ao licenciamento. 

A Prefeitura informou ainda que a organização apresentou aos órgãos municipais a documentação exigida e realizou o pagamento das taxas obrigatórias previstas para a análise e expedição do alvará. 

“Eventuais questões relacionadas à organização, prestação de serviços, fornecedores, programação, contratação de terceiros ou demais aspectos da realização do evento foram de responsabilidade de seus organizadores”, esclareceu o município. 

Versões divergentes 

O episódio, portanto, reúne versões distintas. De um lado, Cabo Renato relata reclamações de empresários que teriam realizado pagamentos e enfrentado prejuízos. De outro, Dil Grande afirma ter disponibilizado a estrutura prometida, cumprido as exigências administrativas e responsabiliza a repercussão das acusações pelo agravamento da situação. 

A manifestação da Prefeitura confirma que o evento era de iniciativa privada e que a organização apresentou documentação e recolheu as taxas exigidas para análise e expedição do alvará, afastando a responsabilidade do município pela organização e execução da Polointer. 

As eventuais responsabilidades contratuais entre organizadores e expositores, assim como as acusações feitas pelas partes, poderão agora avançar para a esfera jurídica diante das medidas anunciadas pelo organizador.