
A sessão do Tribunal do Júri também decretou a perda do cargo público até então ocupado por Rodrigo Marques; Ministério Público e defesa informaram que irão recorrer da decisão.
O policial penal Rodrigo Marques foi condenado nesta quarta-feira (29.jul) a 23 anos, sete meses e seis dias de prisão, em regime fechado, por matar o cantor sertanejo Gustavo Henrique Soares Caporalini, de 39 anos, durante um churrasco de família em Votuporanga/SP, em 25 de fevereiro de 2024. O crime ganhou repercussão na imprensa nacional.
O julgamento ocorreu no Fórum da cidade das 8h às 20h, sob forte aparato de segurança, e o réu terá de cumprir a pena em regime fechado por homicídio qualificado contra o cantor e por lesão corporal contra a ex-esposa. Quanto às duas tentativas de homicídio contra o pai e o tio de Gustavo Caporalini, o policial penal foi absolvido.
A acusação foi representada pelo Promotor de Justiça Dr. Eduardo Martins Boiati. A defesa do réu foi realizada pelos advogados Douglas Teodoro Fontes e Marcelo Leal, enquanto a assistência de acusação atuou por meio do advogado Carlos Alberto Silvério Júnior.
Na sentença, além da pena de prisão, o Juiz de Direito Ricardo Palacin Pagliuso, decretou a perda do cargo público do então policial penal, por entender que o agora condenado extrapolou os limites inerentes à função, traiu a confiança pública depositada em seu cargo e demonstrou incompatibilidade para permanecer no serviço público.
Pagliuso ainda destacou a gravidade do crime, ressaltando que o homicídio ocorreu em um ambiente familiar, na presença de pessoas vulneráveis, entre elas uma criança e uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O crime, segundo a denúncia do Ministério Público, foi motivado por ciúmes após Rodrigo Marques descobrir um suposto relacionamento entre a ex-esposa dele e o cantor.
Após o término da leitura da sentença, o Ministério Público, assim como a defesa do réu, informou que irão recorrer da decisão.
Motivo torpe e meio cruel
Conforme o Ministério Público, naquele domingo, horas antes do homicídio, o policial penal agrediu a ex-esposa. Em seguida, foi até a casa de Gustavo, na Rua Amapá, no bairro Jardim Orlando Mastrocola, onde familiares participavam de um churrasco, e se identificou como policial para conseguir entrar no imóvel.
Na ocasião, ele fez pelo menos sete disparos contra o cantor, perseguiu a vítima até o interior da residência e continuou atirando mesmo depois de Gustavo já ter caído no chão. Ainda conforme a denúncia, Rodrigo Marques também atirou contra o pai e o tio do cantor, que entraram em luta corporal para impedir novos disparos. Os dois sobreviveram.
Rodrigo havia sido denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de meio cruel e por colocar outras pessoas em risco, já que o crime ocorreu durante uma confraternização familiar.
Segundo a denúncia, além dos pais e tios da vítima, havia cinco crianças e adolescentes na residência no momento dos disparos.
Gustavo foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e levado para o pronto-socorro da cidade. Segundo a Santa Casa de Votuporanga, o sertanejo foi atendido, mas morreu às 14h18.
De acordo com o noticiado pelo Diário, Rodrigo Marques, que permanece na unidade prisional de Paulo de Faria/SP sob custódia do Estado, desde o momento em que foi preso, horas após os crimes, pela Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, ainda com a arma dentro do carro.
Segundo a Polícia Civil, Rodrigo Marques não aceitava o fim do relacionamento de 17 anos com a ex-esposa e teria descoberto mensagens trocadas entre ela e o cantor. Horas antes do assassinato, ele foi até a casa da mulher, agrediu-a e a ameaçou, dizendo que mataria tanto ela quanto Gustavo.
Ainda segundo a Polícia Civil, ao ser preso em Campina Verde/MG, o agora ex-policial penal teria confessado o assassinato.




