Nova variante da Covid-19 pode estar por trás de caos na Saúde de Votuporanga, diz diretor clínico da Santa Casa 

777

Dr. Atílio Pozzobon Neto explicou que Votuporanga/SP enfrenta uma “nova pandemia”, num momento em que a Santa Casa está no seu limite funcional.


Na manhã desta sexta-feira (19), o diretor clínico da Santa Casa de Votuporanga/SP, Dr. Atílio Pozzobon Neto, disse durante coletiva de imprensa realizada no auditório do AME (Ambulatório Médico de Especialidades), que acredita que a piora nos indicadores da pandemia no município tem sido causada pela “P1” – variante do coronavírus – que surgiu em Manaus/AM. 

Acompanhado de outros médicos, como por exemplo, Dr. Chaudes Ferreira Júnior, clínico geral, Secretário-executivo do Centro de Enfrentamento à Covid-19 e Coordenador de Urgência e Emergência do Município, Pozzobon Neto entendendo que existem chances reais da variante do coronavírus ter chegado em Votuporanga no primeiro mês do ano e explicou: “É comentado que essa mutação [do coronavírus] é a pior de todas. E é a que chegou aqui em Votuporanga. Então, de fevereiro para cá, é a pandemia da P1. Por isso, os dados estão tão mudados em um mês”. 

“As coisas mudaram de 15 de fevereiro para cá, vínhamos com 14, 16 no máximo 18 leitos de UTI (…) mas, mudou drasticamente. Hoje estamos com 28 leitos de UTI, em um mês, em um esforço gigantesco. Não é só criar uma cama, exige toda uma estrutura com profissionais para atender. Então, é inocência de todo mundo achar que estamos lidando com o mesmo vírus. Nós achamos que de 15 fevereiro para cá estamos achando que é essa variante”, continuou o médico. 

Atílio salientou em seguida que estão “achando” porque ainda não existe uma confirmação laboratorial, um sequenciamento genético que aponte com precisão, até mesmo devido a situação crítica enfrentada no Estado e no Brasil. 

Segundo o diretor clinico da Santa Casa, a variante P1 do coronavírus é mais contagiosa do que o vírus até então conhecido e isso a torna mais letal: “Se você estivesse num ambiente aberto, com pessoas conversando perto uma da outra, sem máscara, a Covid passava de uma pessoa para outras três. A P1 passa para oito ou nove pessoas. Num ambiente fechado, passa para 15 pessoas”. 

Atílio ainda explicou que essa mutação do vírus é 220% pior, em comparação ao coronavírus ‘normal”, ou seja, sem a mutação. Ele também citou que a P1 é de 70% a 90% mais letal. Isso, segundo o médico, a piora dos quadros dos pacientes infectados e o aumento do número de mortes pela doença. 

Diante do estado crítico do sistema de saúde, o médico pediu ajuda da população, principalmente aquela que não está empenhada em aprimorar o isolamento social e o uso correto das máscaras, que são as principais medidas para se proteger contra o vírus. “Estamos muito preocupados porque não é a população que não está fazendo a sua parte. Mas uma parte da população que não está fazendo as coisas corretamente e está complicando o todo”, ressaltou Atílio Pozzobon. 

A Santa Casa de Votuporanga registra mais de 100% de ocupação de leitos de UTI-COVID há pelo menos 20 dias, mesmo com a criação de leitos extras.